Banif: o resgate que se segue


Uma pastilha elástica Happydent custa, no café da minha rua, 10 cêntimos. Com o mesmo valor, podia na Segunda-feira ter comprado 166 acções do Banif (0,0006€/unidade) e ainda levava para casa algumas fracções de cêntimo. A queda vertiginosa aconteceu no dia em que a TVI anunciou o encerramento do banco que durante anos financiou o megalómano regime jardinista.

O banco reagiu, desmentindo categoricamente qualquer possibilidade de perdas para depositantes e accionistas, com o CEO Jorge Tomé a vir a terreiro para informar as massas de que o banco se encontra numa situação de “liquidez confortável” (para mais tarde recordar), mas a verdade é que a desvalorização bolsista do Banif é um sinal preocupante que não surgiu agora. Se ontem podíamos adquirir 166 acções pelo preço de uma pastilha elástica, poucas semanas após as Legislativas já era possível trocar um café por 250 (0,0026€/unidade) acções do Banif.

Há exactamente três anos, o governo de Pedro Passos Coelho decidiu injectar 1100 milhões no Banif (a que acresciam 1150 milhões em garantias estatais), que de resto tem sido, à imagem do BPN ou do BES, um viveiro para ilustres militantes do PSD, ainda que por lá tenham passado reputados socialistas como Vera Jardim ou Luís Amado, o tal ex-ministro de Sócrates que a direita até aprecia, vá-se lá saber porquê, e que foi escolhido em 2012 para presidir ao conselho de administração do banco. Sobre esta e outras ligações, preponderantemente laranjas, vale a pena ler o texto publicado em Janeiro de 2013 no sítio do Bloco de Esquerda.

Entretanto, fazem-se figas no governo para que o banco seja mesmo vendido. São conhecidos alguns interessados mas, caso a venda falhe, serão os suspeitos do costume a assumir a factura. Para além dos largos milhões já enterrados no Banif, será em breve necessário efectuar um aumento de capital e o Estado (nós), com uma posição superior a 60% na instituição, poderá em breve deparar-se com encargos adicionais. O pânico, esse, já está instalado, como as longas filas à porta de vários balcões do Banif, com depositantes a correr para salvar as suas poupanças, vieram ontem provar.

Como é que isto acaba? Ora, a julgar pelo histórico recente de festins bancários, os contribuintes serão uma vez mais chamados a pagar o prejuízo ao passo que se privatizará o que de saudável restar do Banif. E enquanto não sabemos o desfecho de mais este episódio bancário de sucesso, deixo-vos com este vídeo, ilustrativo da festa político-partidária que foram os anos loucos do Banif. Divirtam-se e preparem os vossos bolsos. O assalto político-bancário segue dentro de momentos.

Trackbacks

  1. […] por dois bancos maus onde todos os dias enterramos alegremente alguns milhões de euros, e em breve poderá também já não haver Banif. Neste Natal, vasculhe bem o seu sapatinho. É altamente provável que a quadra lhe traga mais uma […]

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