Cuidado com os bolsos…

BV Em 2000 um governo socialista presidido por António Guterres, do qual fazia parte o actual Primeiro-Ministro aprovou em Conselho de Ministros a venda da TAP. O processo havia sido iniciado no governo anterior, o primeiro de António Guterres, processo conduzido pelo então ministro do equipamento João Cravinho. Sucessivos governos liderados por Durão Barroso, Santana Lopes, José Sócrates mantiveram a intenção que por diversas razões não conseguiram finalizar até que o anterior de Passos Coelho já em fim de mandato, na que foi talvez uma das suas melhores decisões políticas, consumou a venda. Foi ainda pela mão do governo PS que a companhia aérea contratou Fernando Pinto, um gestor contratado no Brasil auferindo salários muito acima da média nacional, com a intenção de restruturar e valorizar a empresa.

Nem todos os objectivos foram alcançados, desde então o negócio da aviação mudou, as regras idem, felizmente que a U.E. proibiu os Estados membros de enterrar dinheiro dos contribuintes capitalizar este tipo de empresas, sujeitando as mesmas às Leis do mercado. Alguns figurões mais ou menos mediáticos, com acesso às redacções mas sem um Euro para investir em acções, pretenderam impedir o processo de privatização, levando a que o líder do PS e actual Primeiro-Ministro, apesar de ter integrado 3 governos PS, incluindo os 2 primeiros que iniciaram todo este processo, cavalgasse a oportunidade sem atender a custos, faz parte do ADN do PS, esbanjar à tripa forra o que considera dinheiro público e quanto a António Costa parece ter uma coluna vertebral de enguia…

Chegado ao governo, confrontado com a realidade, já não pretende reverter todo o processo de privatização como desejam os seus compagnons de route, mas apenas retomar para o Estado o controlo accionista. Ora aqui é que reside um grave problema, em primeiro lugar é preciso que os actuais proprietários aceitem vender, por enquanto vão dizendo que não, mas é sabido que não existem impossíveis e tudo pode não passar duma questão de preço. É que se tal vier a acontecer, em primeiro lugar serão os portugueses a pagar a má decisão do governo, a empresa continua privada e nada impede um qualquer governo futuro em nome de reduzir défice ou qualquer outro pretexto, tornar a vender a empresa ou parte. O ideal mesmo é vender a totalidade do capital e libertar o contribuinte de mais um, tomara que fosse o único, elefante branco…

 

Comments

  1. Nightwish says:

    Gostava de saber o que é que o processo de privatização da TAP tem a ver com o mercado, já que: em caso de prejuízo, quem paga é o estado; não houve um verdadeiro concurso já que ninguém sabia as condições finais; o preço foi de saldo a um amigo do poder.
    É o liberalismo, senhores. Entretanto, toca a pagar mais, viajar para menos sítios e as ilhas que se fodam.


    • Primeira frase estamos de acordo, mas ainda assim considero positivo livrarmo-nos da coisa. Ilhas? Respondo-lhe apenas, vá consultar tarifas no que à Madeira diz respeito e aqui com total conhecimento de causa, é relevante o número de funcionários públicos que viajam uma vez por ano para o continente, ida e volta com viagem paga pelo Estado. As restantes 4 ou 5 viagens são na Easy-jet… Liberalismo em Portugal? Se o encontrar por favor indique-me onde… No PSD e CDS não vale a pena procurar…


    • Eu que sou da Direita lhe digo,Olhe que não,olhe que não.

  2. socialista sempre says:

    Quanto ao artigo até posso estar de acordo ,porque é uma hipótese possível. o que eu não percebo é porque o srº Portas ainda não foi preso para ser investigado sobre os submarinos .


  3. Se a compra de um submarino encomoda muita gente,a venda de uma companhia de aviação com previsões futuras de falência encomoda muito mais.