Teremos sempre Bragança, ou o dia em que a coligação PàF chegou ao fim

É oficial: Pedro Passos Coelho formalizou ontem o fim da coligação PSD/CDS-PP, Portugal à Frente de seu nome, deixando ao seu agora ex-parceiro algumas juras de entendimentos futuros. Foram para cima de quatro anos de uma geringonça que só não terminou numa sucata em Julho de 2013 porque Passos cedeu à chantagem do seu irrevogável amigo, promovendo-o a vice-primeiro-ministro e entregando ao seu partido o Ministério da Economia, num episódio controverso em que o Pedro afirmava ter recebido a notícia da demissão do Paulo por SMS ao passo que o Paulo reiterava ter notificado o patrão por carta. Que bem que eles se entendiam e que simpáticos parvos os rodeavam.

E por entre acusações de bullying e desentendimentos pontuais, a geringonça da direita lá concluiu o mandato, seguindo de mãos dadas para uma nova vitória eleitoral que, apesar dos embustes de sobretaxas e de comunicação política matreira, não foi suficiente para manter o poder, tal como o líder do CDS-PP havia profetizado em 2011. Portas regressa ao seu táxi, senhor absoluto do Largo do Caldas, enquanto Passos, refém da sua mediocridade, vê o trono da São Caetano ameaçado por Rui Rio, que, dizem as más-línguas, vem a ser bom amigo do seu sucessor em São Bento.

E o que resta de tudo isto? Resta-lhes Bragança, e aquele belo dia de campanha em que Passos, com a sua potente voz de barítono, entoou o clássico “Amigos para sempre”, ao lado daquele que era então o seu BFF e de quem agora se separa. Um adeus? Um até já? Não sabemos. Até porque se Portas é uma espécie de Kim Jong-qualquer-coisa do CDS-PP, Passos não deverá durar até às próximas Legislativas. Mas não faltará uma Tecnoforma ou uma qualquer empresa de Ângelo Correia de portas abertas para Passos Coelho voltar ao negócio da abertura de portas. De portas – que ninguém ouse negá-lo – percebe ele.

Então adeus, sim?

25 de Abril sempre! PàFismo nunca mais!

Comments

  1. martinhopm says:

    PàF em ritmo de tango, com os dois partenaires libidinosamente enlaçados, ou cada um a puxar para seu lado QUE NUNCA MAIS! ‘Requiescant in pace’!

  2. Joao Jose Tavares Capelo says:

    Finalmente o divórcio resultou.