Teremos sempre Bragança, ou o dia em que a coligação PàF chegou ao fim

É oficial: Pedro Passos Coelho formalizou ontem o fim da coligação PSD/CDS-PP, Portugal à Frente de seu nome, deixando ao seu agora ex-parceiro algumas juras de entendimentos futuros. Foram para cima de quatro anos de uma geringonça que só não terminou numa sucata em Julho de 2013 porque Passos cedeu à chantagem do seu irrevogável amigo, promovendo-o a vice-primeiro-ministro e entregando ao seu partido o Ministério da Economia, num episódio controverso em que o Pedro afirmava ter recebido a notícia da demissão do Paulo por SMS ao passo que o Paulo reiterava ter notificado o patrão por carta. Que bem que eles se entendiam e que simpáticos parvos os rodeavam. [Read more…]

Coligação PàF: uma corte em decadência

Corte

António Costa deve agradecer à seita passista por este curto e inesperado momento de estado de graça, que não se antecipava, mas que acaba por ser uma decorrência do PREC – Processo de Radicalização Em Curso – no qual se encontra mergulhada a direita nacional. Para além dos crentes praticantes, já ninguém leva a sério os apostólos ressabiados da coligação, seja no Parlamento, na imprensa ou nas redes sociais. Mas a insistência no absurdo reforça laços à esquerda. O novo governo e respectivos parceiros agradecem.

A cassete encravada do PàF é hoje um deleite para quem, como eu, vem apreciando o show de variedades protagonizado por PSD e CDS. Como bobos de uma corte decadente de um rei há muito nu, repetem-se até à exaustão os chavões do “golpe de Estado” e da “ilegitimidade” para os quais já nem os comentadores mais leais têm paciência. A decadência é tal que a figura que mais vezes surge a representar o PSD é o sinistro despesista de Gaia, Marco António Costa. [Read more…]

Uma coligação exigente

É disto que eu gosto no Aventar – nunca temos o presente como o futuro que queremos ter.

Somos exigentes e queremos sempre muito mais.

Muitos, no Aventar (no país?), há anos que sonhavam ou antes, desejavam, um governo de esquerda. Os escritos da ala esquerda aqui do corner, sempre sublinharam o que nos unia, muito mais do que aquilo que nos separava. Sistema Nacional de Saúde? Escola Pública? Segurança Social? Podemos ou não encontrar pontes entre nós?

Era para mim tão óbvio o sim, que só pensava no dia em que toda a gente conseguisse ver o que me parecia evidente. Claro que também para mim, especialmente com José Sócrates, o PS se encostou, em algumas áreas, excessivamente à direita. Mas, faço minhas as palavras de Ana Benavente:

“Por mim, celebro o diálogo à esquerda. Rompeu-se um tabu. Viva a liberdade. Sempre estive muito mais perto do PCP e do BE do que do PSD ou do PP. Na acção, na vida, nas propostas e nas lutas.”

E, podemos e devemos, continuar a ser exigentes. Não imagino sequer, por exemplo, que a CGTP se transforme na UGT, estando para o Governo de Esquerda como a UGT esteve para os radicais de direita. Na educação, não tenho dúvidas que nunca o militante comunista Mário Nogueira se vergará a um Ministro da Educação como o militante laranja João Dias da Silva se vergava perante Nuno Crato. Aí, estamos todos de acordo.

Estaremos na rua sempre que se justifique e não deixaremos de apresentar sempre aquilo que são as nossas exigências. [Read more…]

O iminente golpe de Estado

Golpe Estado

A direita radical tem feito referências constantes a um golpe de Estado em curso. E se há uns dias parecia paleio de fundamentalista, a verdade é que o perigo parece ser real. A concentração de tanques que podemos ver na imagem não deixa margem para dúvidas. Devemos ter medo, muito medo, trancar bem as portas e enviar todas as crianças para fora do país que os comunas vão levá-las todas para o pequeno-almoço. Abençoado Cavaco Silva que não olha a meios para proteger a democracia do perigo esquerdista. Cavaco e os democratas que conhecem o valor da tradição e que se sublevaram contra o ultraje que foi a eleição de Ferro Rodrigues, que acha que pode ser eleito só porque teve a maioria absoluta dos votos dos deputados eleitos. Maioria? Qual maioria qual quê? Respeitem mas é a tradição seus norte-coreanos!

Falou o líder dos PaFentos

Alguém sabe a que horas fala o Presidente da República?

Quem maldiz não se coliga

produtos-correntesEis o novo provérbio nascido das entranhas do alto e baixo comentário político, quando se quer explicar que não é aceitável que se aliem ou que se coliguem partidos que já se criticaram no passado remoto ou recente.

Ora, tendo em conta que todos os partidos já disseram mal uns dos outros, há razões suficientes para que as coligações e as alianças passem mesmo a ser proibidas, até em termos retroactivos.

Para que, de futuro, possa haver coligações e alianças, será necessário que os partidos se sujeitem a um processo de desintoxicação (conhecido por desmaledicenciamento) e obrigados a frequentar grupos de apoio, ficando impedidos de se criticarem durante, pelo menos, uma legislatura.

O coordenador nacional desta actividade será o Presidente da República, quando voltarmos a ter um.  E lá vou ter de ligar ao meu mentor:  já não dizia mal do Cavaco há dois dias. Nunca mais é Janeiro, a ver se me livro deste problema.

Nem a chantagem dos mercados sabeis fazer, palermas!

Sapo

Perante a ameaça de a democracia não seguir o rumo pretendido pela nação pafista e se transformar naquilo a que as claques se referem como sendo o “frentismo” ou a “ditadura de esquerda”, o spin que desceu à terra para iluminar o caminho dos justos não podia ser mais claro, ameaçador e digno de rebelião: os mercados não vão perdoar. Ressuscite-se a Rede Bombista que isto já só lá vai com sangue e sedes do PCP a arder.

Ontem, para reforçar as instruções enviadas às caixas de ressonância, a coisa até correu bem: o PSI-20 a cair 2% (como se fosse preciso muito para que isso acontecesse) e os juros a subir há alguns dias (apesar de ontem até terem descido ligeiramente mas isso não interessa nada) só podiam significar uma coisa e o título do Expresso não deixava margem para dúvidas: “Acções descem e juros sobem com medo de um governo de esquerda”. Oh, o medo! O terror! Deus nos acuda que o PREC está de volta. Fujam todos carago! [Read more…]

Dedicado aos ressabiados de direita que andam por aí a estrebuchar

Fiquei por estes dias a saber, pela turba que entoa cânticos de apoio ao PàF nas redes sociais, que a possibilidade de um governo que integre CDU e BE resultaria numa ditadura de esquerda. Que se prepara um golpe de Estado. Que os mercados serão implacáveis com a heresia democrática de haver quem à esquerda do PS se perfile para encontrar soluções governativas. O apocalipse ao virar da esquina. [Read more…]

«Por que é que uma aliança pós-eleitoral entre o PSD e o CDS foi, em 2011, uma coligação

e uma aliança pós-eleitoral entre o PS, o BE e o PCP é, em 2015, uma frente?» Uma boa pergunta de Daniel Oliveira.

É começar a importar sapos que os que cá temos não vão chegar

Coligação disposta a aceitar todas as condições de Costa [Expresso]

O dilema de António Costa

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De politicamente acabado há uma semana, António Costa é agora quem baralha e dá. Cavaco bem pode correr a indigitar o afilhado mas sem o PS, a coligação PàF fica refém de um Parlamento hostil, restando-lhe ser cozinhada em lume brando até ao dia do seu “PEC IV”. Não deixa de ser absolutamente delicioso ver Passos Coelho na posição que já foi de Sócrates, ele que não perdia uma oportunidade de trazer o preso domiciliário para a campanha. Karma.

Ainda assim, António Costa e o PS encontram-se perante um dilema. Qualquer escolha acarretará riscos e um deles é efeito PASOK. No xadrez do Largo do Rato, afiam-se facas e as peças começam a movimentar-se. Sérgio Sousa Pinto demitiu-se, em protesto, da comissão política. Vera Jardim não vê diálogo possível à esquerda. Álvaro Beleza acha “muito estranho que o PS passe de inimigo para aliado do PCP e BE”. Há seguristas – sim, eles existem – a pressionar uma negociação com o PàF com vista a viabilizar o OE16 e até Carlos Silva, líder da UGT, afirma não acreditar que as forças à esquerda do PS garantam a estabilidade necessária. À revelia dos órgãos sociais da central sindical. Direita, volver. [Read more…]

Irresponsabilidade, falta de civismo e comportamentos perigosos na campanha do PàF

PaF 1

Para aqueles que não conhecem a via que surge na imagem em cima, trata-se da variante que circunda a cidade de Famalicão, uma via equiparada a auto-estrada onde se aplicam as regras previstas no código da estrada, que sobre a circulação nestas vias referem, podemos ler no site do IMTT:

PARAGEM EM AUTOESTRADA: A paragem em autoestrada é proibida por lei e sancionada com contraordenação muito grave, tal como previsto no artigo 146.º do C.E. Somente em cenários de congestionamento de tráfego ou por emergência, pode-se parar e apenas em situações imperativas devidamente justificadas.

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E agora Passos, Portugal também pode mais?

Xi

Nos últimos meses, a julgar por aquilo que a máquina de propaganda da coligação foi transformando em verdade absoluta, todos os indicadores positivos que vão sendo notícia são fruto da acção do governo. E se em alguns casos, como a evolução dos números do desemprego ou o mito dos cofres cheios, o embuste é relativamente fácil de desmontar, outros existem que, apesar de dependerem directamente de variáveis externas, são absorvidos pelo spin da coligação e transformados em conseguimentos governamentais. [Read more…]

A verdade por trás do cartaz do PS

Cartaz PS

Os cartazes da campanha do Partido Socialista têm dado muito que falar. Depois do momento evangelista-seita, tão inspirador para uma nação em apuros à procura de uma luz ao fundo do túnel, a estratégia do partido socialista espetou-se ao comprido com o episódio em que os rostos de funcionários da junta de freguesia socialista de Arroios foram usados para figurar em cartazes que contavam histórias que aparentemente nada tinham que ver com eles. E fico-me pelo “aparentemente” pois confesso que nunca fiquei totalmente esclarecido sobre se o embuste abrangia a totalidade dos cartazes ou apenas a parte. Em todo o caso, um embuste. [Read more…]

O efeito Sócrates e o risco de “pasokização”

Na semana passada, o Fernando Moreira de Sá falou-nos sobre a mais recente sondagem da Católica que coloca a coligação PSD/CDS-PP à frente do PS. E apesar deste estranho alinhamento com a propaganda assente na manipulação de dados que tem caracterizado a narrativa da coligação:

O país está melhor? Está. O desemprego baixou, a economia parece estar a melhorar, o consumo das famílias a crescer (é um bom indicador de confiança económica), o sector imobiliário a mexer, o sector automóvel a vender, a banca novamente a emprestar, o Portugal 2020 a dar esperança.

penso que estamos de acordo no essencial: o problema do PS de Costa chama-se José Sócrates. Tal como daqui por outros quatro anos o problema do PSD se poderá chamar Marco António Costa caso o resultado final deste filme seja o expectável e os socialistas saibam, tal como os sociais-democratas convertidos em pseudo-neoliberais e os irrevogáveis centristas tão bem estão a saber fazer, instrumentalizar o caso. Aliás, o PSD parece mesmo querer entrar nesta arena à força com a reabilitação política em curso de Miguel Relvas.

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Com Francisco Assis vale tudo, menos andar de Renault Clio

Assis

Em entrevista à Rádio Renascença em Fevereiro de 2013, Francisco Assis criticava aqueles que apupavam o governo e pedia contenção verbal no Parlamento, que segundo o eurodeputado recorria a linguagem “extremista” nas suas críticas ao executivo de Pedro Passos Coelho. Como se esta curiosa simpatia pelo governo não fosse já suficiente, Assis fez a seguinte afirmação, que apanhou muitos socialistas de surpresa:

Será mais fácil fazer aliança com uma direita que, entretanto, se terá livrado da tentação neoliberal que hoje marca claramente a actual maioria

Volvidos pouco mais de dois anos, Francisco Assis veio dar o ar da sua graça à convenção do Partido Socialista, mas o discurso, no que aos seus potenciais parceiros do PSD diz respeito, mudou radicalmente. E radicalmente é o termo certo na medida em que, após as críticas a todos aqueles que no Parlamento usavam linguagem extremista para atacar o governo, é Assis quem agora qualifica o governo com quem há dois anos considerava coligar-se de extremista e apela com veemência ao afastamento do seu partido de qualquer compromisso com a coligação PSD/CDS-PP:

Não pode haver compromissos com esta direita extremista

Hoje é fácil coligar com a direita, amanhã são extremistas e Deus os livre de qualquer compromisso com essa gente. Com Francisco Assis, todas as opções estão em cima da mesa, excepto andar de Renault Clio.

Democracia suspensa no CDS-PP?

Portas Castro

 

Que Paulo Portas possui um ascendente sobre o partido que lidera, já ninguém tem dúvidas. Liderou, abandonou a liderança e quando quis regressar o partido recebeu-o de braços abertos. Compreende-se: na história recente do “partido do táxi”, Paulo Portas rimou quase sempre com poder. Governou com Durão, transitou para o executivo hereditário de Santana Lopes e voltou à ribalta como Ministro dos Negócios Estrangeiros de Passos Coelho, a quem aplicou o truque da demissão irrevogável, emergindo como vice-primeiro-ministro do governo que em breve cessa funções. Pelo caminho ficou associado a inúmeros escândalos centristas, do caso Portucale aos submarinos, passando pelo estranho e mal explicado caso Jacinto Leite Capelo Rego. Sobreviveu a tudo e continua aí para as curvas.

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O irrevogável e excepcional ambiente no seio da coligação

Marco António Costa fala em “ambiente excepcional” e na inexistência de problemas no seio da coligação mas não há meio da malta do CDS aparecer na apresentação da biografia encomendada do Passos. Será que mandaram SMS a agradecer o convite?

Os reaccionários de Abril

Passos Portas

De cravo eleitoralista na lapela, Passos Coelho permitiu que o irrevogável abrisse as hostilidades. Terminado o exercício de propaganda do guia supremo da jacintoleitecapeloregolândia, o primeiro-ministro foi igual a si próprio: aldrabou indicadores, agitou fantasmas, falou de um rigor que não conhece e fez, no global, o habitual discurso orientado para a claque.

O discurso em si, quer de um, quer de outro, pouco interessa. Sabemos bem o que vale a palavra do primeiro e do vice-primeiro-ministro: um aldrabou o país em campanha e, mais recentemente, no âmbito da polémica do subsídio de reintegração/Tecnoforma e o outro aldrabou o país quando anunciou a sua demissão irrevogável, que caiu por terra assim que o anúncio da promoção chegou.

Interessante foi a escolha do dia. A escolha do dia e o facto de, há um mês atrás, Passos Coelho andar a vender a um grupo de empresários que era capaz de ganhar as eleições sozinho. Para não falar das dúvidas manifestadas pelo primeiro-ministro há 10 dias atrás quanto ao benefício da coligação. Mas está tudo bem. Haja coligação que os socialistas, apesar de Sócrates, ainda lideram as intenções de voto e a reacção não pode parar.

Eis a próxima coligação de Governo em Portugal

seguro e marinho

Composição do governo

“A ASAE detectou vestígios de PSD no governo.” – RT @kamponez

A falta de senso dos defensores do consenso

Santana Castilho*

Diariamente, grandes e pequenas coisas, afinal aquilo de que é feita a vida, desfilam em alardes de falta de senso, mesmo quando os seus intérpretes, por inerência dos cargos que ocupam, dele nunca devessem prescindir. O país não está só em recessão e depressão. Parece gerido a partir de uma nave de loucos.

1. Em nome do consenso, Cavaco Silva criticou Paulo Portas por falar e expor, em público, a fragilidade da coligação moribunda. Mas não se coibiu, ele próprio, de defender, em público, o que Portas disse. Que a senhora de Fátima (segundo ele provável responsável pela conclusão da sétima avaliação) lhe ilumine o senso comum, já que os “cidadões” (novo presidencial plural) recusam consensos sabujos.

2. Não é de senso comum ou sequer mínimo que se trata quando se ouve, como ouvimos, o primeiro-ministro afirmar, naquele jeito característico de estadista de Massamá, que os cortes apresentados ao eurogrupo não se aplicam à generalidade dos cidadãos mas, tão-só, aos reformados e funcionários públicos. A questão é de siso. Não o tem, de todo, quem teima em dividir os portugueses em subespécies: os espoliáveis, sem direito a pio, e a “generalidade”, salva e agradecida. [Read more…]

Portas fala ao País às 19h

calimero

Está tudo bem assim…


[a notícia]

Adenda

O Conselho de Estado foi igualmente informado de que foram ultrapassadas as dificuldades que poderiam afectar a solidez da coligação partidária que apoia o Governo

Conclui-se que não será cortada a electricidade ao congelador.

O grupo de acompanhamento da coligação

[mais]

Ó pa mim tão fresco!!!

Foram um Pedro Passos Coelho e um Paulo Portas visivelmente cansados que vieram anunciar o acordo de coligação PSD/CDS para formar governo, Prometeram força, coragem, dinamismo, perseverança e outros superlativos do género.

Mas aquelas olheiras, aqueles papos em volta dos olhos desmentem tanta energia verbal. Uma pequena mini-maratona – face ao que os espera – e tamanha ressaca não auguram grande beleza mediática para o pedrinho e para o paulinho. E os tempos que se aproximam exigem telegenia, muita telegenia.