A Polónia restringe a liberdade de imprensa

A nova lei da comunicação social polaca prevê ao seu Ministro das Finanças demitir quem quiser e nomear quem quiser para a direcção dos órgãos de comunicação estatal, numa medida sem precedentes no país. Assim sendo, o Ministro Polaco das Finanças (espanto; porquê o Ministro das Finanças) poderá desfazer a vida a quem, ouse dentro dos órgãos de comunicação social do Estado, criticar as medidas do seu governo, assegurando-se que, daqui em diante, todos os jornalistas que trabalhem no sector público polaco, se coadunem com as instruções informativas que forem ministradas pelo executivo polaco sob o risco de virem a ser saneados. O controlo da imprensa é e sempre foi um pequeno passo que os governantes trilharam para exercer o tão ambicioso controlo social através da manipulação da informação. A lei aprovada na Polónia tem efectivamente esse pretensioso objectivo.

Durante o dia de hoje vi, imensos amigos meus, declararem a alto e bom som nas redes sociais que o governo polaco é fascista e que uma situação destas seria intolerável em Portugal. Invertendo o ditado, para se ser mulher de César não basta parecer honesta, tem que ser mesmo honesta. Neste assunto, a vox populi nacional, sofre, como em quase todos os assuntos, de memória selectiva, esquecendo-se de um par de episódios recentes nos quais os meios públicos de informação também eles serviram de arautos das vontades informativas e das vontades de controlo social dos partidos no governo.

Aqui em Portugal pensa-se que o jornalismo feito no sector público ainda é  totalmente livre e isento de interferências dos governantes. Há quem se esqueça portanto que os vários homens que entram e saem da direcção de informação da RTP só tem a afirmar do seu mandato as constantes ingerências dos dirigentes estatais no seu trabalho com o intuito de servir os interesses informativos de quem está naquele momento no governo. Ou esquecem-se por exemplo que há uns anos atrás, na RDP, Pedro Rosa Mendes, Raquel Freire e mais 3 comentadores daquela estação viram uma rubrica radiofónica cancelada naquela rádio por ingerência de um tal de Miguel Relvas junto da direcção da RDP porque estavam a debelar todos os podres da relação de subserviência do estado português perante o estado Angolano. Ou que por exemplo em 2006, a direcção da RTP foi pressionada a dedicar pouco tempo às peças jornalísticas relativas aos incêndios do verão daquele ano porque não interessava ao governo de José Sócrates escamutear a falta de meios existente no combate aos fogos. Esquecem-se também que o anterior governo PSD\CDS-PP arranjou forma de controlar a estação pública, ameaçando constantemente as mais altas linhas da estação com a privatização do canal, furacão que, quase sempre, na maioria dos casos, causa mortos e feridos pelo meio.

O que se está a passar na Polónia é censurável e merece a maior das atenções da Europa. O governo Polaco está a seguir o exemplo daquilo que fez por exemplo, Viktor Orban há uns anos atrás na Hungria. O exemplo clássico autoritário e totalitário. Contudo, não podemos ser puritanos ao ponto de crer que tudo vai bem em Portugal neste aspecto porque não vai. A RTP foi ao longo dos anos uma gingajoga do partido no governo e continuará a sê-lo enquanto não tiver pessoas capazes de bater o pé às pretensões informativas e de controlo social dos governantes de ocasião. Um dos exemplos mais recentes é a limitação que o poder político tem realizado de forma evolutiva ao longo dos últimos anos aos debates políticos, aos tempos de antena definidos por lei e aos tempos de antena das campanhas concedidos pela televisão e pela rádio pública, esmagando por completo os partidos\candidatos pequenos em prol da maior informação do público do que pensam os grandes. Quer se queira, quer não se queira, existe também neste exemplo, uma clara tentativa de sequestro ideológico feita pelos que se querem dominantes e dominadores que não deve ser considera como menos de uma forma de limitação da informação para claro aproveitamento ao nível de controlo social.

Comments

  1. Há plágio no Aventar says:

    A propósito de Acordo Ortográfico:
    O Aventar admite textos plágio ?
    É que o texto do Paulo Silva sobre Jaime Azinheira e a Escultura Portuguesa é um plágio descarado.
    Se não, veja-se:
    “Este artista produz esculturas de vincado desenho, feitas em materiais normalmente frágeis e com uma técnica original de moldagem,

    criando singulares e cenográficos objetos artísticos, muito expressivos,
    volumosos e até mesmo monstruosos, mas profundamente humanos”,

    (página de antigos alunos ilustres da Universidade do Porto)
    ———————
    As suas esculturas salientavam-se por serem feitas em materiais frágeis … através de uma técnica original e única de moldagem.
    Os seus trabalhos de escultura de uma enorme singularidade, cenográficos, são objectos artísticos muito expressivos.
    Nos seus trabalhos Jaime Azinheira serviu-se de figuras caricatas, em situações do dia a dia, muitas vezes monstruosas, mas sempre com um lado humano muito patente.

    Texto plágio infantil do Homem Especial Paulo Silva,

    • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

      Começamos a perceber porque é que o Sr. Paulo Vieira da Silva passa de censor a homenzito de coluna especial onde a crítica não pode existir.
      Rapidamente se descobria a farsa que é.
      De resto, Paulo Vieira da Silva está bem na lista do Ministro das Finanças Polaco.
      Pergunto: Porque não emigra ele para a Polónia, regime que se enquadra tão bem com a sua postura?

    • banif forever says:

      os amiguinhos do marco antónio pelos vistos continuam activos.

      • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

        Caro banif forever.
        Não confunda a “prima do mestre de obras” com a “obra prima do mestre de obras”.
        Para mim, personalidades como Paulo Vieira da Silva e Marco António, são ambos não recomendados, nem recomendáveis, embora por motivos diferentes.
        Não jogo no clube dos que dizem “O inimigo do meu inimigo, meu amigo é”.
        Paulo Vieira da Silva é um censor activo destas páguinas, à boa maneira fascista. Marco António parece estar indiciado por corrupção. Para mim, são dois personagens reprováveis.
        Cumprimentos

Trackbacks


  1. […] Mas Orbán não é o único fascista conservador em voga por estes dias. Quem também tem feito furor é o presidente da República da Polónia, Andrzej Duda, que se prepara para promulgar uma lei com a qual se pretende bloquear a acção do Tribunal Constitucional daquele país. A tara dos fascistas conservadores contemporâneos. Como se tal não fosse já suficientemente grave, a actual maioria parlamentar polaca, controlada pelo partido fascista conservador Lei e Justiça (irónico), do qual faz parte Duda, pretende também colocar uma trela na comunicação social pública, colocando-a sob alçada directa…. […]


  2. […] radical. O objectivo é dialogar com o país para tentar reverter a sua deriva extremista de querer controlar a imprensa estatal e condicionar a acção do Tribunal Constitucional. Caso o diálogo não resulte, a Comissão […]

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