O admirável novo tempo da Educação

Santana Castilho*

Ao divulgar o “Modelo Integrado de Avaliação Externa das Aprendizagens no Ensino Básico”, o ministro da Educação deu o seu contributo para a balbúrdia em que se transformou o “novo tempo” em matéria de Educação. Desmentiu a resposta que, na AR, António Costa havia dado a Paulo Portas, sobre os exames nacionais do ensino básico. Mas nessa resposta, António Costa também havia desmentido afirmações de Tiago Brandão e havia mostrado que não fazia a mínima ideia do que dizia o programa do seu próprio Governo sobre o tema. A estes insólitos já se acrescentava essoutro de, por duas vezes, os deputados do PS terem votado em massa contra o programa do Governo PS (PACC e abolição do exame do 4º ano). Por outro lado, o modelo divulgado assume-se, contraditoriamente, proposta e decisão. E fala de ter ouvido actores que garantem que não foram ouvidos. O caso mais relevante é o do Conselho Nacional de Educação, que não foi ouvido e que, na mesma altura, tornou público um parecer que se opõe ao que o ministro decidiu. Parecer esse que é tanto mais relevante quanto é certo que foi aprovado por uma enorme maioria de conselheiros (4 votos contra, em cerca de 50). Para cúmulo, dos três projectos de lei sobre a matéria, pendentes na AR, um (fim do exame do 9º ano) poderá, ainda, invalidar parte importante da decisão de Tiago Rodrigues.

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Coisas habituais e previsíveis

Uma greve da CGTP por melhores condições – já se sabe que a perfeição é inatingível – e uma não participação da UGT, porque é melhor não provocar.

Será que Marcelo também não se engana e raramente tem dúvidas?

Marcelo diz que ninguém altera o seu sentido de voto a dez dias das eleições. Estudos dizem que não é bem assim!

Todos ao monte

Eu vou à farmácia e à funerária, tudo no mesmo dia, num conjunto de iniciativas na área da saúde. Claro que também sou adepto, do SPORTING CLUBE DO PORTO & BENFICA. Sou, também, um fã do Jorge Lopetegui Vitória (sim, do Rui Barros também, apesar dele ser do tamanho de outra candidata).

marcelofutebol

J’Accuse, agora e sempre

j'accuse

Foi a 13 de Janeiro de 1898 que Émile Zola publicou o seu “J’accuse” no jornal Parisiense Aurore. Uma carta aberta ao Presidente da República Félix Faure onde era denunciada a injustiça do julgamento e prisão de Alfred Dreyfus, oficial francês e judeu, acusado de traição (e efectivamente condenado por isso). Excepcionalmente, numa época em que o anti-semitismo estava absolutamente disseminado pelas sociedades europeias,  Zola teve a humanidade suficiente para perceber a imoralidade – e o perigo – do preconceito, denunciando o anti-semitismo do governo e dos oficiais que trataram do caso.

A seguir à publicação da carta, Zola foi condenado a pena de prisão. Fugiu para Inglaterra onde continuou a lutar por Dreyfus que tinha sido enviado para o exílio numa ilha na Guiana Francesa. Mais tarde, em 1899, Dreyfus regressou a França e ofereceram-lhe um perdão – por um crime que não tinha cometido. Em 1906, foi oficialmente exonerado tendo-lhe sido atribuído a Legião de Honra.

Zola morreu em 1908 e Dreyfus estava presente aquando a transferência das suas cinzas para o Panteão nacional.

Versão Portuguesa da carta.

 

Is that a fact?

…that is a fact.

David Bowie, Heroes

These days many Americans live in an alternative political reality, in which the simplest factual assertions are met with anger and derision.

Paul Krugman

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Efectivamente, desde Janeiro de 2012, muitos portugueses vivem numa realidade ortográfica alternativa.

DRE 1312016

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Now the dress is hung, the ticket pawned
The Factor Max that proved the fact
Is melted down

— David Bowie, The Bewlay Brothers

O Governo não concorda e o BCE não aprovou nem exigiu?

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Depois da reclassificação de dívida sénior do Novo Banco para o BES, de que falei aqui e aqui, e depois da conflitualidade que era previsível por parte dos investidores internacionais, surgem hoje duas notícias absolutamente surpreendentes:

  1. A Bloomberg reporta que o novo Secretário de Estado das Finanças disse na 2ª feira, numa reunião com investidores, que não concordava com essa medida, mas que não fez nada para não colocar em causa a independência do Banco de Portugal;
  2. O Banco Central Europeu vem esclarecer que “não exigiu nem aprovou” essa medida, atirando a responsabilidade para o Banco de Portugal e para Carlos Costa.

Não sei qual é a ideia, muito provavelmente é tirar de vez o tapete a Carlos Costa. Mas atenção, com as coisas feitas assim fica a ideia/imagem de balbúrdia e de que em Portugal ninguém manda. Nada é pior para a confiança.

 

Link adicionado às 19:12:

http://expresso.sapo.pt/economia/2016-01-13-Mercado-fecha-a-porta-aos-bancos-portugueses-4

No ERSEhole dos outros é refresco!

 

ARSEHOLE

A redução de 6%, ou de 13% para os consumidores “economicamente vulneráveis”, que representaria o expurgo da Contribuição para o Audiovisual (CAV) da factura da electricidade e a sua “passagem para o universo das comunicações”, almejada pela ERSE corresponderia nem mais nem menos do que ao exorbitante “desconto” de € 2,81 por mês por alojamento com consumo acima dos 400 kw anuais (os consumos inferiores estão isentos).

A medida, que surge no programa do governo após negociação do PS com o BE, PCP e Verdes, inspirada pelos spinners do sector energético como solução para diminuir o montante da factura da electricidade, teria no entanto como efeito, para manter a receita da RTP (condição de concretização inscrita naquele programa), um aumento muito maior na factura das telecomunicações, cuja universo “taxável” é muito menor e muito mais flutuante. Ou seja, os cidadãos com televisão por subscrição veriam agravado o montante actual da CAV e, juntando a factura eléctrica e a das comunicações, pagariam no total muito mais do que pagam hoje! A esperteza saloia em todo o seu esplendor…

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Nem sempre a ficção anda longe da realidade

O medo é o maior inimigo da Liberdade…

Destruir foi muito pouco para um programa de governo

Passos Coelho: “Reverter e destruir é muito pouco para um programa de Governo”. Agora reverte-se o que a direita destruiu. Alguém teria que limpar o cocó.

Um passo importante para a reforma do Estado

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Parece-me que poderá estar a caminho um verdadeiro processo de descentralização no País.

Ontem o Ministro Adjunto Eduardo Cabrita disse estar a preparar o processo legislativo para que, em 2017, as presidências das áreas metropolitanas sejam eleitas de forma directa.

Entendi sempre, como social-democrata, que apenas a regionalização ou uma efectiva descentralização das competências do Estado, legitimidada por uma eleição directa, poderia contribuir para um crescimento mais coeso e equilibrado do País.

Entendo também a descentralização, através da eleição directa dos líderes das áreas metropolitanas, uma das vias para uma efectiva reforma do Estado.

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MEC e David Bowie. Um génio a escrever sobre outro génio

http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/pela-primeira-vez-nas-nossas-vidas-sabemos-o-que-david-bowie-vai-fazer-1719876