O interesse dos negócios à frente da prudência ambiental

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Chumbados projectos sobre organismos geneticamente modificados. Bloco central de negócios em acção.

Comments

  1. albanocoelho says:

    É inegável que os interesses do Capital jogam o seu papel aqui como em todo o lado, qual é a novidade?
    Mas há o outro lado do argumento: Os projectos-lei ora chumbados – todos – pecam por falta de rigor científico ou mesmo por total ignorância do próprio método científico e dos seus resultados que, neste caso, apontam sem exceção para a segurança dos OGM. E não deveria surpreender ninguém porque tudo – absolutamente tudo – que colocamos no prato hoje é OGM. Só a ignorância sobre a genética conjugada com interesses políticos de certas organizações pode explicar a infundada fobia aos OGM e, infelizmente, os partidos de esquerda têm esta terrível tendência de capitular ao populismo que lhes é conveniente, aquele que é “anti-sistema”.
    Eu, como socialista revolucionário, prefiro os fatos científicos, prefiro tirar conclusões depois de ter os resultados de rigorosa investigação científica não contaminada por agendas políticas ou outras, a verdade nua e crua seja ela conveniente ou não ao programa político. Este deve ser baseado no melhor conhecimento científico do momento e não o contrário, isto é, partir de um preconceito e depois tentar arranjar “provas” ignorando tudo o resto que o possa contradizer.
    Usar mentiras e/ou ocultações do que é inconveniente para prosseguir a luta de classes é algo que a esquerda não deveria fazer, caso contrário cai no mesmo fundamentalismo que tanto critica (e bem) à direita. Não, camaradas, os fins NÃO justificam os meios.
    Também é certo – e sou o primeiro a dizê-lo – que tem que haver regulamentação mas a regulamentação que se exige no caso do OGM é a que impeça o abuso das patentes por parte das multinacionais. A regulamentação necessária é a que permita a todas as cidadãs e cidadãos beneficiar desta tecnologia e não limitá-la sem qualquer fundamento científico, portanto, o oposto do espírito destes projetos-lei.
    A regulamentação que se pede é a mesma que deveria existir (e não existe) para a indústria farmacêutica e demais cuidados de saúde, para a indústria alimentar e outras mais (também não existe).

    O mesmo se passa com os projetos-lei que pretendem equiparar “medicinas alternativas” à medicina com base científica mas isso é assunto para outro post…

    • Nightwish says:

      Mas esses dados científicos sobre a alimentação não chegam, não foram analisadas populações humanas por décadas. Quantos alimentos eram seguros que afinal não são? Quantos excipientes afinal afectam a eficácia e os efeitos secundários dos medicamentos? Porque é que as intolerâncias e as alergias não param de aumentar, se é tudo seguro?
      Não, os testes não chegam, principalmente quando trazem consigo alterações a tudo o que comemos.

      • albanocoelho says:

        Quantos alimentos eram seguros que afinal não são?
        Pois não sei… Esclareça-nos. Quanto e quais?

        Quantos excipientes afinal afectam a eficácia e os efeitos secundários dos medicamentos?
        Mais uma vez, quais? Certamente que não se está a referir ao timerosal nas vacinas, ou sim?

        Porque é que as intolerâncias e as alergias não param de aumentar, se é tudo seguro?
        Sim, estão a aumentar mas talvez não tanto como pensa (ou talvez como lhe contam em tom alarmista as suas fontes. Confira: https://www.sciencebasedmedicine.org/food-allergies-facts-myths-and-pseudoscience/
        Razões para tal desconheço. Não há estudos sistemáticos e sem dados concretos não especulo mas se tivesse que o fazer diria que as alergias estão a aumentar *provavelmente* pela mesma razão pela qual há hoje mais problemas de visão e tantos outros mais: É que nos últimos 100/150 anos tivemos uma generalizada melhoria das condições de vida e uma extraordinária evolução nas práticas de higiene a todos os níveis. Isso permitiu diminuir drasticamente a mortalidade, sobretudo a infantil. Para quem sabe um mínimo de genética e populações é imediatamente evidente que o resultado dos fatores que citei é uma maior prevalência de todos os casos de enfermidade que outrora eram “naturalmente selecionados” contra.

        E sim, os estudos existem e já levam várias décadas e se é certo que a “ausência de prova não é prova de ausência” também é certo que é um indicador confiável.

        E não, não trazem consigo alterações a tudo que comemos, não mais que as sucessivamente introduzidas desde há milénios. Repito, tudo – absolutamente tudo – que come hoje foi, é e continuará a ser modificado. Laranjas, bananas, bróculos, couves-de-Bruxelas, couve-flor, todos os cereais incluindo arroz e muitos mais são fruto da engenharia humana, nunca existiram na natureza. Ditto para qualquer espécie animal hoje criada para consumo humano.
        A diferença é que hoje, graças aos extraordinários avanços da engenharia genética podemos fazer o mesmo que sempre fizemos mas com muito mais rigor, precisão e apenas numa fração do tempo que antes porque deixamos de estar dependentes das sucessivas gerações de hibridação e seleção e ou dos caprichos da natureza. “Fabricar” as couves-de-Bruxelas, a couve-flor e o bróculo – todos originadas a partir da mesma espécie selvagem – tardou dezenas ou centenas de anos de tentativa e erro e os resultados estão à vista (e ao olfato e palato), as primeiras são quase intragáveis.
        Hoje em poucos anos poderíamos ter criados as mesmas variedades ou melhores. E isso porque podemos controlar e orientar o produto final para um objetivo, sabemos (+/-) o que controla determinada caraterística.

        A propósito, já provou os novos kiwis amarelos? Espetacularmente deliciosos e totalmente OGM (como tudo o resto).

        • Nightwish says:

          “Quantos alimentos eram seguros que afinal não são?
          Pois não sei… Esclareça-nos. Quanto e quais?”

          Os cereais, as batatas, o vinho tinto faziam tão bem e afinal…

          “Quantos excipientes afinal afectam a eficácia e os efeitos secundários dos medicamentos?
          Mais uma vez, quais? Certamente que não se está a referir ao timerosal nas vacinas, ou sim?”

          Quais?!? Vá ver quantos médicos lhe dizem para não trocar de marca nos antidepressivos ansiolíticos, medicamentos para a tiróide, entre outros, para perceber que os medicamentos têm efeitos diferentes.

          “Porque é que as intolerâncias e as alergias não param de aumentar, se é tudo seguro?
          Sim, estão a aumentar mas talvez não tanto como pensa (ou talvez como lhe contam em tom alarmista as suas fontes. Confira: ”

          Confiro todos os dias com a minha tripa que nenhum médico me diz porque me incomoda cronicamente 24h por dia nem ajuda nada.

          “E não, não trazem consigo alterações a tudo que comemos, não mais que as sucessivamente introduzidas desde há milénios. Repito, tudo – absolutamente tudo – que come hoje foi, é e continuará a ser modificado. ”

          Ao longo de milénios, e não de anos. Consegue perceber a diferença ou não aprendeu a teoria da evolução?

          ““Fabricar” as couves-de-Bruxelas, a couve-flor e o bróculo – todos originadas a partir da mesma espécie selvagem – tardou dezenas ou centenas de anos de tentativa e erro e os resultados estão à vista (e ao olfato e palato), as primeiras são quase intragáveis.”

          Continuam intragáveis, tanto quanto sei.

          “E isso porque podemos controlar e orientar o produto final para um objetivo, sabemos (+/-) o que controla determinada caraterística.”

          Ah, bom, se sabemos mais ou menos estou descansado. Estamos então prontos para introduzi-las em toda a cadeia alimentar e a trocar as nossas colheitas pela nova maravilha mais economicamente eficiente. Se for detectado um problema numa espécie, bem, temos alimentos a mais.

  2. anónimo anti OGM says:

    Não se pode esperar outra coisa do PS. Quem não se lembra do trabalho nojento do Jaime Silva, o tal da fotografia dos calções, que arranjou maneira de classificar uma iniciativa de protesto e de defesa alimentar e ambiental como acto de terrorismo? Um nojo.