O Metro-Mondego é Portugal visto ao espelho

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Ao ler hoje o diário da república deparei-me com uma pequena resolução da Assembleia da República que é a perfeita imagem de Portugal (texto na imagem acima): um país pobre porque há um conjunto de pessoas que se esforça todos os dias para que assim seja. E, infelizmente, essas pessoas nunca recebem o merecido prémio que é serem responsabilizadas pelos seus atos.

Depois de 20 anos a gastar dinheiro dos contribuintes de forma verdadeiramente irresponsável (ver relatório do tribunal de contas sobre o Metro-Mondego e ver notícia do Público aqui), em que se destruiu o património público removendo a solução que existia (há cerca de 7 anos atrás), em que se defraudaram as populações e os interesses da região centro, em que milhares de promessas foram feitas acenando com soluções em poucos meses (dois meses dizia a CCDRC… em 2014), etc.,  a AR vem agora pronunciar-se pela extinção da sociedade Metro-Mondego, passando o seu património  para o Estado, e repondo o que antes existia (seria cómico se não fosse tão grave) devidamente modernizado (o que poderia ter sido feito com um orçamento mesmo muito modesto). Entretanto, voaram pelo menos 140 milhões de euros e foram perdidas várias oportunidades*. E, como sempre em Portugal, não há responsáveis. Portugal é assim, um país que não se dá ao respeito. A região centro tem aquilo que merece pela sua incapacidade de se afirmar – recordo aqui um artigo de 25 de Dezembro de 2014 no Diário As Beiras.

Lamento mesmo muito.

*  A parte mais interessante, pela negativa, das oportunidades perdidas tem a ver com o que foi desperdiçado: património público destruído, populações defraudadas e dinheiro que existia… espera, existia, mas afinal depois já não existia porque até se lhe tinha perdido o rasto, e que no final se tornou numa “enorme preocupação” da qual nem Bruxelas sabia.

Agora o “problema” está encaminhado. A sociedade será provavelmente extinta, se for dado cumprimento, como se espera, a esta Resolução da Casa da Democracia (a Assembleia da República). Ah! espera, e as populações que ficaram sem o comboio e o seu serviço de transporte? Ah! que interessa isso, não têm poder de reivindicação! Pois.

Repito o que me dizia há pouco um amigo (José António Salcedo): “O país não é pobre por acaso mas sim porque merece. E merece porque há muitas pessoas a esforçar-se para que isso ocorra“.

Até quando?

 

Comments


  1. E aqui PS e PSD partilham responsabilidades.


  2. Compreendo e concordo com o seu amigo e também me coloco a mesma questão final.
    Pior, vivendo numa Região onde praticamente tudo é controlado pelo interesse político imediato e onde este concorre mesmo com a economia privada nas coisas mais simples, cada vez tenho mais a sensação que será para sempre assim, infelizmente.

  3. Helder says:

    Vão ver quais os resultados eleitorais nas populações afectadas directamente por esta “brincadeira” toda.
    Depois, leiam alguns artigos aqui do blog. Depois o mais complicado, cruzando com os resultados eleitorais, pensem porque é que estas coisas acontecem…
    Concordo com o seu amigo e sou mais abrangente, temos o país que merecemos e … que escolhemos! Porque a mal ou bem, vamos sempre tendo eleições e escolhemos os do costume, que sabemos que fazem estas coisas. Por isso…

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