Carta de Bruxelas

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Marisa Matias*

Escrevo de Bruxelas, onde hoje ocorreram atentados terroristas hediondos. Perdoem-me a crueza das palavras, mas escrevo de Bruxelas como tenho escrito de tantos lugares onde todos os dias morrem pessoas vítimas do terrorismo. Sim, todos os dias morrem pessoas vítimas de terrorismo. E, sim, tenho estado e tenho escrito de muitos desses sítios.

Ainda no Domingo estava em Piréus, na Grécia, onde continuavam a chegar refugiados que fugiam do terrorismo e da guerra. Nesse Domingo morreram quatro crianças. Ainda há duas semanas outro destes hediondos atentados aconteceu em Bagdad, ninguém deu por isso.
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O longo epílogo capitalista

Abespinham-se quando as suas verdades são postas em causa pelas verdades dos outros mas borrifam-se para o modo como as suas são construídas, mesmo quando o são à custa do respeito pelos outros. Outros que não se reduzem aos que usam os ignorantes/desesperados que se fazem explodir. Não falo só de bombas, mas do capitalismo, que também directamente as alimenta, e da sorridente subjugação de tudo quanto é humano em que assenta a sua lógica. Também lhe podem chamar globalização financeira, terciarização, terceiromundização, precarização, colonização, parasitação, animalização, filhadaputização. Não há inocentes mortos, há indecentes vivos. E carne viva para canhão. Resta-nos evitar as manhãs, as aglomerações e as horas de ponta.

Golpes que matam

67 anos a torturar em Euskadi até 2014.

A fala muda

As culturas, as próprias civilizações, possuem uma fala. Existe uma metalinguagem, um código simbólico silencioso mas extremamente operante, que emana do corpo dos povos e das nações através da sua arte, da sua religião, da sua literatura, do seu cinema, da sua ciência, da sua política, da sua comunicação social, da sua educação, dos seus hábitos alimentares.

Há uma fala simbólica das culturas e das civilizações que é uma tradução fiel da sua acção no mundo e sobre o mundo. É preciso compreender essa fala para se entender tanto a beleza como o terror da geopolítica.

Atentado em Bruxelas: alguém ouviu o alerta da Central Geral Sindical de Serviços Públicos?

Brussels

A Europa vive um novo dia de pânico e sobressalto. O duplo atentado de hoje em Bruxelas choca, revolta, mas não surpreende. Pelo menos a mim e à Central Geral Sindical de Serviços Públicos belga, que tinha alertado recentemente para falhas detectadas nos protocolos de segurança do aeroporto de Zaventem. A fazer lembrar os múltiplos avisos que a administração Bush recebeu e ignorou no início da década passada, que alertavam para a possibilidade de um ataque terrorista de grande dimensão, que poderia envolver aviação civil. Resta-nos o luto e sentimento de impotência perante a cobardia do método e a falta de respostas dos nossos responsáveis políticos, incapazes de conter a fúria terrorista mas sempre atentos à ameaça imaginária de uma Rússia imperialista, que tudo o que queria era continuar jogar o jogo do capitalismo.

Enquanto Rui Moreira anda a brincar aos aviões, o Museu das Marionetas do Porto vai fechar


Pois é, o Museu das Marionetas do Porto, como o conhecemos, vai fechar na rua das Flores. Depois de um investimento brutal da companhia no restauro de um prédio do centro histórico, numa rua que na altura não era chique, o sonho sonhado por João Paulo Seara Cardoso desaparece porque os novos proprietários decidiram um novo destino para o edifício. Não sei qual será esse destino, mas não me admirava que fosse o mesmo que aqui há atrasado a Daniela Major abordou relativamente a Lisboa.
E no entanto, não teria sido preciso assim tanto para dar um fim diferente a esta história. O Museu das Marionetas até tinha direito de preferência na aquisição do prédio. Teria bastado um bocadinho de vontade política.
Mas essa, sabemos por onde anda. Enquanto o Museu das Marionetas é desalojado, o Presidente da Câmara do Porto anda entretido a brincar aos aviões e a publicar livros sobre o assunto. É que há muita gente a andar de avião e não tanta assim a ir às marionetas. A TAP dá muitos votos e Rui Moreira já se arvora em representante de todos os nortenhos. Uma ampla região que vai desde os galos de Barcelos até, quem sabe, às salsichas frescas de Vigo.
O Fredo Brilhantina, que podem ver no vídeo aqui em cima, é que a sabia toda.

Social-evangelismo, sempre!

via Der Terrorist.

O socialismo, a direita servil e o dinheiro dos outros

CHPT

O socialismo dura até acabar o dinheiro dos outros” dizia Margaret Thatcher, a mulher que, quando morreu, teve direito a um opulento funeral “socialista” orçado em 1,2 milhões de libras e pago precisamente pelo dinheiro dos outros, sem direito à habitual indignação da ala liberalóide com esta injustificada blasfémia despesista.

Ora, para a nossa direita, o socialismo é como o BES. Existe o socialismo bom e o socialismo mau. No segmento socialismo bom temos exemplos tão notáveis como a ditadura angolana e o regime comuno-capitalista de partido único chinês. São socialistas mas, como se portam bem e não alimentam ideias de progresso social, a direita gosta deles e até os mima com alguma ternura. Até porque estamos a falar de malta de cofres cheios com bons tachos para distribuir. Eduardo Catroga que o diga.
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Atentados em Bruxelas

Cobertura no Público em actualização permanente.

A estratégia do PSD vive da possibilidade de o país falhar

Não é por acaso que a direita amplifica todos os sinais negativos para o país, ignorando os que sejam positivos. Por exemplo, quando os juros sobem parecem gralhas, mas quando descem calam-se que nem ratos. Ou ainda, veja-se o triste espectáculo que foi a actuação do PSD na votação do orçamento, só na esperança de que o orçamento não fosse aprovado.

Toda esta actuação, contrária ao interesse nacional, tem como único objectivo permitir o regresso rápido ao poder e, em última análise, permitir a sobrevivência política de Passos Coelho e da sua clique. Por isso, desejam ardentemente um novo resgate, mesmo que isso rebente com o país. Em 2011 não o tinha percebido, mas agora, olhando para o modo de actuação da direita, torna-se claro. O PSD, na altura, chumbou o PEC IV para aceder ao poder imediatamente, com um contexto político disruptivo que lhe deu a possibilidade de mudar as regras do jogo praticamente sem contraditório (só o Tribunal Constitucional o abrandou, mas sem o parar).

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