Maria Luís Albuquerque: a anatomia da aldrabice

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Na sua coluna de opinião no Diário de Notícias, Pedro Tadeu elaborou um resumo das várias aldrabices da ex-ministra das Finanças. Swaps, sobretaxa, medidas de austeridade que em Portugal eram provisórias e em Bruxelas definitivas ou os custos que os contribuintes não iriam suportar no caso do Novo Banco constituem um quadro de falsidades daquela que agora irá acumular funções de deputada com as de administradora não-executiva de uma empresa com interesses em áreas sobre as quais Maria Luís Albuquerque possui informação privilegiada e sobre as quais poderá, eventualmente, legislar. Se, perante todo este historial, Maria Luís vem agora afirmar ao país que o seu novo emprego não colide com as funções de deputada, quem nos garante não estarmos perante um novo embuste? A deputada até pode tentar refugiar-se no formalismo da sua condição de não-executiva, mas qualquer pessoa mentalmente sã percebe que tal não a impede de actuar como mera informadora do grupo Arrow no Parlamento português. Interesse nacional? Qual interesse nacional?

Foto@Diário Económico

Marcha nazi em Leipzig

900 manifestantes da extrema-direita alemã gritam Heil Hitler nas ruas. A Europa assiste e os Orbáns esfregam as mãos…

Em cada mulher, uma super mulher

Na espuma do dia de hoje, o dia internacional da mulher, o Governo vai propor aos parceiros sociais medidas que promovam a representação equilibrada de mulheres e homens nos conselhos de administração das empresas. Mais mulheres vão representar incentivo às empresas que promovam a igualdade. Menos, penalizações para quem não o faça.
Mas fica a eterna questão: serão as quotas uma medida de igualdade ou uma penalização para as mulheres que efetivamente têm capacidades? Confesso que quando analisei as listas de candidatos a deputados fiquei quase sempre a pensar se o 3º elemento estaria lá por mérito ou por género. A quotas parecem-se às vezes mais com uma ofensa que com um direito.

41 anos depois da ONU o ter instituído há quem brinque e há também quem acredite que o “dia da mulher” já não faz sentido. A desigualdade em Portugal está démodé, dizem alguns. Quer um reality check? Em Portugal a situação da desigualdade de género não é um assunto sério mas ainda existe. Enquanto este “ainda” não desaparecer o dia continua a fazer sentido. Para os que precisam de memória fica a sugestão de um projecto recente – Mulher não entra – pensado inteiramente por homens, que alerta para situações em que as mulheres ficam de fora.

A mulher tem lugar central na música de Chico Buarque. “Todos os musicais dos Chico Buarque em Noventa minutos” é uma peça do compositor e escritor brasileiro que está em cena no Porto e em Lisboa. Dez anos depois do sucesso da “Ópera do Malandro”, a dupla de criadores brasileiros Charles Möeller e Cláudio Botelho regressa a Portugal com uma nova produção que promete uma fantástica viagem pelas mais belas canções do músico brasileiro, escritas para musicais como “Gota d’Água”, “O Corsário do Rei” ou “Dona Flor e Seus Dois Maridos”. Marque na agenda, a homenagem ao compositor chega nos dias 8 e 9 de março ao Coliseu do Porto e nos dias 11 e 12 de março ao Campo Pequeno, em Lisboa.

 

PJ está em GAIA

Em política o que parece é, embora esta frase nem sempre possa ser classificada como verdadeira. Ou, dito de outro modo, a verdade em política depende das circunstâncias.

É verdade que em Gaia o PCP tentou desde o primeiro dia sugerir ao Presidente Eduardo Vítor uma auditoria às contas do mandato anterior. Mas, é também verdade, que o PC sabia que o Tribunal de Contas estava por cá e, estando por cá o “auditor – mor do reino“, fazia algum sentido contratar uma empresa privada para o fazer?

Para clarificar um bocadinho o boato que vai circulando pelas marginais a sul do Douro, talvez fosse importante dizer que, se calhar, o PCP estava informado que a PJ, com sede na invicta, atravessava a ponte com alguma frequência…

Pergunto outra vez: com o Tribunal de Contas e a PJ no terreno, a auditoria serviria para o quê?

Como se vê, pelas notícias de hoje, há trabalho feito e em curso. Que não reste, disso, qualquer dúvida como o PCP de Gaia sabe.

Não sou jurista e por isso não sei se houve ou não crimes mas que o buraco parece não ter fim

Ao contrário do silêncio. Esse, acabou!

«Science: it’s a girl thing!»… será mesmo?*

Science- it's a girl thingEm 2012 a União Europeia lançou uma campanha de três anos com o título ‘Science: it’s a girl thing!’**. Só a circunstância de existir uma campanha específica que pretendia demonstrar que o trabalho científico pode ser, e é, também realizado no feminino, demonstra que estamos longe, neste domínio como em muitos outros, tanto na esfera profissional como na esfera pessoal, da igualdade de oportunidades, consagrada na legislação de muitos países, incluindo Portugal. De facto, em 2012, as mulheres representavam 46% dos doutorados na União Europeia. No entanto, apenas 33% das mulheres trabalhavam como investigadoras e só 20% se encontravam em cargos de topo da carreira académica. Apenas uma em cada 10 universidades da União Europeia tinha tido alguma vez uma mulher como reitora. Ou seja, apesar de as mulheres serem tão qualificadas como os homens elas continuavam (e continuam, três anos passados) a estar amplamente sub-representadas na investigação, na academia e muito particularmente nos lugares de topo das carreiras académicas e nos órgãos de poder e decisão das instituições de investigação e ensino superior. [Read more…]

A propósito da data

De uma conhecida recebi hoje isto, por ocasião do dia da mulher:

mulher

É bonito. Mas no momento seguinte faz lembrar a verdadeira selvajaria, a bruta.

No contexto da violência doméstica, de 1 de Janeiro a 31 de Dezembro de 2015, registaram-se 29 homicídios de mulheres. E nos últimos 12 anos houve uma média anual de 36 mulheres mortas, recordou a procuradora-geral distrital do Porto, Raquel Desterro.

E:   Em Portugal, 24% das mulheres já sofreram de violência física ou sexual por um parceiro ou não parceiro.

É preciso mais do que resistir mantendo a ternura, é preciso reagir. Abdicando, se necessário, de ser flor.

Je suis Carlos Abreu Amorim!

Sem Título
Pelo fim de uma gestão decadente e imoral. Pelo fim do nepotismo e das negociatas com amigos e familiares. Pelo fim de um regime que morreu de velho. O FC Porto não é Angola nem a Coreia.
Não se trata de resgatar títulos. Trata-se de resgatar o FC do Porto enquanto clube de referência. 17 de Abril é o dia… e está nas tuas mãos!

Todos os dias são dias da mulher

flor

Hoje é mais um.

A reciclagem

Adriano Moreira vai ser Conselheiro de Estado. Foi ministro do antigo regime.

Domingos Abrantes vai ser Conselheiro de Estado. Esteve preso no antigo regime.

Fascistas e estalinistas a mesma reciclagem?

Ai Mouraria…

Mas que raio se passa na Câmara de Lisboa cujo executivo decidiu expropriar uma série de prédios na Mouraria para que ali se construa uma mesquita? Não colhe a declaração de que os “prédios estão devolutos e em mau estado”, já que uma linha de edifícios sofreu recentes obras de restauro por determinação do próprio Município. Compreendo a fúria estético-urbanística de Manuel Salgado, grande arquitecto mas medíocre político. Mas a deliberação colectiva é surpreendente. Sublinho que se a expropriação fosse para construir um templo de qualquer outra religião – ou servisse qualquer interesse poderoso – esta nota seria exactamente igual. Quem quer construir seja o que for sujeite-se a comprar os terrenos disponíveis e a seguir a lei como toda a gente.