
Na sua coluna de opinião no Diário de Notícias, Pedro Tadeu elaborou um resumo das várias aldrabices da ex-ministra das Finanças. Swaps, sobretaxa, medidas de austeridade que em Portugal eram provisórias e em Bruxelas definitivas ou os custos que os contribuintes não iriam suportar no caso do Novo Banco constituem um quadro de falsidades daquela que agora irá acumular funções de deputada com as de administradora não-executiva de uma empresa com interesses em áreas sobre as quais Maria Luís Albuquerque possui informação privilegiada e sobre as quais poderá, eventualmente, legislar. Se, perante todo este historial, Maria Luís vem agora afirmar ao país que o seu novo emprego não colide com as funções de deputada, quem nos garante não estarmos perante um novo embuste? A deputada até pode tentar refugiar-se no formalismo da sua condição de não-executiva, mas qualquer pessoa mentalmente sã percebe que tal não a impede de actuar como mera informadora do grupo Arrow no Parlamento português. Interesse nacional? Qual interesse nacional?
Em 2012 a União Europeia lançou uma campanha de três anos com o título ‘Science: it’s a girl thing!’**. Só a circunstância de existir uma campanha específica que pretendia demonstrar que o trabalho científico pode ser, e é, também realizado no feminino, demonstra que estamos longe, neste domínio como em muitos outros, tanto na esfera profissional como na esfera pessoal, da igualdade de oportunidades, consagrada na legislação de muitos países, incluindo Portugal. De facto, em 2012, as mulheres representavam 46% dos doutorados na União Europeia. No entanto, apenas 33% das mulheres trabalhavam como investigadoras e só 20% se encontravam em cargos de topo da carreira académica. Apenas uma em cada 10 universidades da União Europeia tinha tido alguma vez uma mulher como reitora. Ou seja, apesar de as mulheres serem tão qualificadas como os homens elas continuavam (e continuam, três anos passados) a estar amplamente sub-representadas na investigação, na academia e muito particularmente nos lugares de topo das carreiras académicas e nos órgãos de poder e decisão das instituições de investigação e ensino superior. 








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