Dèjá vu?

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Déjà vu? Quando ouvi a declaração sobre o resultado das diretas no PSD, lembrei-me de imediato de 2011.

Antes cair em desgraça José Sócrates ganhou o PS com 93,3% dos votos, o que correspondia a 26.713 votos. Dizia um take da LUSA da altura (27 de Março de 2011) referindo um comunicado da Comissão Organizadora do Congresso do PS:

– “José Sócrates obteve uma vitória clara nas eleições diretas para o cargo de secretário-geral do PS, conseguindo mais votos expressos e mais delegados do que em 2009, anunciou a Comissão Organizadora do XVII Congresso Nacional do partido.”

“Constata-se, pelos resultados apurados, que José Sócrates é reeleito secretário-geral do Partido Socialista, verificando-se que, consegue hoje obter, mais votos expressos e mais delegados eleitos do que em 2009 no XVI Congresso Nacional”, referiu o comunicado.

Resultado: perdeu as eleições seguintes e saiu.

Pedro Passos Coelho ganhou no sábado o PSD com 95% dos votos, o que correspondia a 22.161 votos. Dizia um take da LUSA (6 de Março de 2016) referindo um comunicado do Presidente do Conselho de Jurisdição:

– “Cerca de dois anos depois, em 2012, Passos Coelho foi novamente eleito líder, com 94,65% dos votos, e em 2014 alcançou 88,89% dos votos.”

– “Foi a maior votação alcançada em qualquer eleição com candidato único”, declarou Calvão da Silva, numa declaração na sede nacional do PSD.

Não fica a sensação de déjà vu?

Em 2011, José Sócrates estava ferido de morte pela situação do país e pelo que se antevia da sua relação com a justiça.

Em 2016, Pedro Passos Coelho, depois de 4 anos muito complicados de uma Governação cheia de erros, promessas por cumprir e em permanente conflito com o país, atua como PM no exílio, não mostra capacidade de se regenerar – vive preso ao passado -, e deu agora um tiro fatal na sua imagem pública e “credibilidade” política que eventualmente restasse, com a total incapacidade para lidar com este assunto da sua ex-Ministra de Estado e das Finanças Maria Luís Albuquerque.

Em situações muito comparáveis, os dois maiores partidos portugueses elegem, com percentagens “kim il sunguistas”, duas pessoas que já nada têm a dizer a Portugal e aos Portugueses e que, no devido tempo – no melhor interesse de Portugal (e até do respetivo partido) – não souberam sair (political corpses).

Isto deveria fazer com que as pessoas parassem para pensar, abrindo forte período de reflexão na chamada “direita”, que agora jura que é “social-democrata, sempre”. Mas não! Refugiados nos seus bunkers onde permanecem rodeados de talibans e cartilhas de caminho único, avançam alegremente para o abismo.

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