Postcards from Canada #4


The best is yet to come or my future life at Ikaria, in Greece

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Hoje levantei-me ainda mais cedo que o costume. Eram 7 da manhã e estava eu a pé. Desculpem tantas menções à hora de levantar. Já se sabe que sou noctívaga e estas horas parecem-me tão absurdas que tenho de falar sobre elas. Claro que 7 da manhã aqui equivale ao meio dia em Portugal. Novamente, suponho que afinal os meus hábitos não tenham sofrido grandes alterações. Apenas mudei de localização e fuso horário.
 
Levanto-me a estas horas porque tenho hoje, a partir das nove, a responsabilidade de moderar uma das duas Sessões de Trabalho que co-organizei com o Pavel (que não está em Toronto). A outra será no sábado de tarde. As apresentações correm bem, pese embora a reduzida audiência. O Congresso Mundial de Sociologia Rural tem mais de 70 Sessões de Trabalho e diante de tanta oferta há evidentemente uma grande dispersão dos congressistas. Ao meio dia termina esta Sessão de Trabalho sobre os impactos do turismo rural nas comunidades locais e saio para o sol abrasador da Dundas St West. Caminho uns escassos minutos até à Dundas Square – aparentemente a Times Square de Toronto – e como por ali uma coisa qualquer até serem horas de voltar ao congresso.

 
Assisto a mais uma Sessão de Trabalho sobre um livro publicado há 20 anos e a um painel temático sobre os desafios que se colocam ao mundo rural e à sociologia rural nos 5 continentes, em consequência da expansão do neoliberalismo. O painel é interessante e apraz-me muito observar que os meus colegas sociólogos rurais se tornaram, desde há uns 3 ou 4 anos e hoje mais que nunca, cada vez mais críticos e combativos. Lembro-me de o ano passado, em Aberdeen, por ocasião de mais um Congresso Europeu de Sociologia Rural, ter achado o mesmo dos colegas gregos. Parece que contagiaram tudo e todos. E eu sinto-me contente quando a última pessoa que fala diz que já é tempo de deixarmos apenas de analisar… que já é tempo de intervir. Absolutamente!
 
As sessões terminam às cinco e meia. Volto para o hotel. Às oito vou jantar com colegas da European Society for Rural Sociology, entre outros. O restaurante é perto do hotel. O Terroni, na Adelaide st East. Bom e caro, aviso já. Para não terem um susto como eu tive. Mas antes do susto tive uma alegria. O Babis finalmente apareceu! Não o via desde o ano passado e tinha saudades dele. Chegou ontem à noitinha. Gosto muito do Babis e já o disse outras vezes. Este homem bom, calmo, cheio de estórias e que ajuda, neste momento, a fazer a história na Grécia, nestes tempos difíceis. É por ele principalmente (mas não apenas) que não sou capaz de vaiar o Syriza em nenhuma circunstância, desculpem lá camaradas bloquistas-desapontados-com-o-syriza e outros, mas jamais desrespeitarei o que este homem – e outros como ele de que ele tanto já me falou – tentaram e ainda tentam fazer pela Grécia e por todos nós, afinal.
 
Ao jantar o Babis conta uma história sua, que não vou aqui reproduzir. Mas a história tem a ver com Ikaria, a ilha grega onde as pessoas vivem mais tempo que em qualquer outro lugar, em que a maioria dos residentes são comunistas e acordam ao meio-dia depois de terem passado uma boa parte da noite acordados. Ikaria parece-me imediatamente um bom lugar para viver. Digo isto ao meu amigo grego de bondosos olhos azuis. Na reforma, digo-lhe, irei viver para Ikaria. Levantar-me-ei pontualmente ao meio dia, todos os dias, passarei uma boa parte da noite acordada, comerei a sua magnífica dieta e com sorte sobreviverei até aos 100 anos a contemplar suavemente o imenso azul.
 
São 6 da manhã em Portugal. 1 da manhã em Toronto. The best is yet to come (as always). Boas noites às pessoas boas.

Comments

  1. Curiosamente essa sessão de impactes seria interessante para mim, uma vez que profissionalmente me dedico a analisar estudos de impacte ambiental, que não excluiem a sociologia dos fatores tratados

    • Estes impactos não eram (só) ambientais, mas sociais, culturais, económicos e até políticos e das políticas. E sim, os EIA não devem excluir os fatores e variáveis sociológicos. Já fiz parte de equipas de alguns EIA, aliás.

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