Era uma questão tempo até um oportunista tentar tirar proveito político da desgraça


Marco António Costa a insinuar que os fogos se devem a menos Marco António Costa fez parte de um governo que esteve envolvido num esquema de corrupção quanto aos meios aéreos, em investigação no DIAP de Lisboa e envolvendo Miguel Macedo, ex-ministro da Administração Interna. Agora insinua que os actuais fogos se devem ao um corte no orçamento da Protecção Civil. Quando o título da notícia é claro: “Meios aéreos na Protecção Civil permitem corte de 24 milhões nas despesas do MAI“. E, no próprio artigo citado por Marco António Costa, lê-se que “o corte mais significativo neste ministério ocorre na área da Protecção Civil, que regista uma poupança de 24 milhões de euros, a maior parte dela justificada pelo fim da Empresa dos Meios Aéreos que, pela primeira vez, não aparece no Orçamento do Estado.” Eis o oportunismo desmascarado, já anteriormente ensaiado pelos deputados Carlos Abreu Amorim e Duarte Marques.

Assunção Cristas liberalizou a plantação do eucalipto, ao mesmo tempo que rezava para que chovesse, como medida de prevenção contra os incêndios. Esse mesmo eucalipto a que nos governos de Cavaco Silva se chamava Ouro Verde.

Os serviços florestais, que tinham passado para a alçada da GNR no tempo de Sócrates, foram extintos no governo de Passos.

Quatro anos e meio de direita no governo apenas serviram para se envolverem em corrupção com os meios aéreos e para contribuírem para a monocultura do eucalipto. Esta gente que não olha a meios para voltar ao pote (usando a metáfora de Passos Coelho, lembram-se?) tem um cadastro negro quanto a incêndios. Mas isso não os compele ao recato que a decência convidaria.

O que se escreveu acima não são palavras soltas. Estão documentadas:

Macedo recebeu de empresa beneficiada no concurso dos helicópteros

Macedo enviou caderno de encargos do concurso público dos helicópteros para Jaime Gomes, que por sua vez tinha relações empresariais com empresa que viria a ser subcontratada pela Everjets (que viria a vencer o concurso). Essa empresa intermediária, a Fitonovo, também já tinha tido relações comerciais com a JMF, empresa de que Miguel Macedo foi sócio e da qual terá recebido pelo menos 7 mil euros. [Visão, 17/11/2015]

 
Protecção Civil e Everjets assinam contrato para operação e manutenção dos Kamov do Estado

A Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) assinou hoje o contrato com a empresa Everjets para a manutenção e operação dos helicópteros kamov do Estado para os próximos quatro anos

A Everjets foi a vencedora do concurso público internacional para a operação e manutenção dos helicópteros pesados para os próximos quatro anos, no valor superior a 46 milhões de euros.  [Agência Lusa via Porto Canal, 06/02/2015]

 
As redes de influência de Miguel Macedo no concurso dos Kamov

Como o antigo ministro terá tentado beneficiar amigo e ex-sócio no concurso público para a operação e manutenção das aeronaves que combatem os fogos.

Miguel Macedo está em xeque com as suspeitas de corrupção na atribuição dos vistos gold. E, durante a investigação, a Polícia Judiciária (MP) e o Ministério Público (MP) terão também encontrado indícios de que o antigo ministro da Administração Interna tentou influenciar o concurso de adjudicação da operação e manutenção dos helicópteros pesados Kamov de combate aos incêndios, passando informação privilegiada a um amigo e ex-sócio.

 
MAI força assinatura de contrato de 40 milhões ignorando indícios de falsificação de documentos

Empresa tutelada por Miguel Macedo ignora declaração de assessor do júri e força assinatura do contrato com sociedade que está a ser investigada [PÚBLICO, Mariana Oliveira, 21/03/2013]

 
Assunção Cristas admite autorizar eucalipto em zonas de regadio ao abandono

A ministra da Agricultura, Assunção Cristas, admite a possibilidade de autorizar e incentivar a progressão da cultura do eucalipto em zonas de regadio público, que estão agora ao abandono. [Antena 1, Arlinda Brandão, 07/02/2013]

 
Assunção Cristas garante que novo regime legal não vai liberalizar plantações de eucalipto

A ministra da Agricultura, Assunção Cristas, garantiu que o novo regime legal de arborização e reaborização irá apenas (!!!) simplificar o processo de autorizações de novas plantações. O PS pediu ao Governo que desse garantias de que o novo regime, aprovado em breve, não vai liberalizar a plantação de eucaliptos. Segundo os dados do novo Inventário Florestal o eucalipto é apontado como a espécie dominante no país. [SIC Notícias, 05/02/2013]

 
Com o país arder, onde estão os serviços florestais? Ah, é verdade, foram extintos!

A extinção dos Serviços Florestais levada a cabo pelo Governo PSD/CDS não levantou qualquer reacção pública; o afastamento entre os cidadãos e a res publica, desejado e promovido pelas derivas liberais daqueles partidos, conduziu ao encolher de ombros da maior parte das pessoas. [Fernando Santos Pessoa, PÚBLICO, 10/08/2016]

 
Eucaliptugal, o ecocídio da floresta nacional”

Portugal é hoje provavelmente o país com maior área de eucaliptal plantado em toda a Europa. Não falamos em termos relativos, mas em termos absolutos de área plantada. Portugal, o pequeno jardim à beira-mar plantado, tem a maior área de eucalipto plantado de todo o continente.

Em 2008 o território português era já o maior produtor mundial de Eucalyptus globulus, à frente de Espanha e da Austrália. A área de eucaliptal na altura era de mais de 700 mil hectares. Cresceu. Hoje oEucalyptus globulus atinge oficialmente os 812 mil hectares de área plantada no espaço florestal em Portugal. Em termos de área total de eucaliptos plantados, Portugal fica apenas atrás da Índia, do Brasil, da China e da Austrália. (…)

O eucalipto é altamente inflamável, em particular a partir dos 6/7 anos de idade. (…) A sua casca incendeia-se muito rapidamente, explode e emite projeções da sua casca incandescente até centenas de metros de distância. A elevada acumulação de biomassa das folhas no leito da plantação aumenta o material disponível para a combustão, de difícil decomposição pelos microrganismos. [Visão, João Camargo, 10/10/2013]

 
Incêndios: estou farto destas ideias estúpidas

O que sei é relativamente simples: que 80% da área ardida ocorre em 12 dias no ano, que o número de fogos diários e a área ardida aumentam exponencialmente nesses dias e que o único factor que distingue esses dias dos outros é a meteorologia.

O sistema de combate passou a custar 100 milhões (número aproximado, ninguém sabe quanto custa) quando antes custava 30 milhões por ano e os resultados são os mesmos, fruto de duas ideias erradas, perigosamente erradas: 1) é possível resolver o problema dos fogos liquidando-os à nascença; 2) “Portugal sem fogos depende de todos”. [Corta-Fitas, Henrique Pereira dos Santos, 09/08/16]

Comments

  1. ana paula ferreira dos santos says:

    Muito bem. Obrigada

  2. Anti-pafioso says:

    Mas este gajo ainda não foi preso Porquê ?

  3. Mas isto é verdade?

  4. Ana GONÇALVES says:

    Todos estes intervenientes na desgraça deviam estar presos.

  5. Vasco Lourenço says:

    Obrigado ao autor deste texto, por permitir desmascarar – mais uma vez – os corruptos (alguns), os oportunistas (alguns) e os mentirosos/troca tintas…Vasco Lourenço

Trackbacks

  1. […] post anterior, já se tinha demonstrado o oportunismo político por parte de Marco António Costa. Com esta […]

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