
Sempre que se fala em reestruturação ou perdão de parte da dívida portuguesa, um golfinho falece nas águas quentes e cristalinas de um paraíso fiscal caribenho. Indignada, a clique neoliberal coloca-se imediatamente em bicos de pés e vaticina um qualquer fim do mundo que há-de estar próximo. Honrar compromissos e pagar a quem nos emprestou para mostrar que somos pessoas disciplinadas e de bem são palavras de ordem nas paradas do nacional-liberalismo.
Coisa diferente acontece quando uma empresa, que durante anos distribuiu milhões por administradores, accionistas e afins, alguns deles ligados ao sector político que melhor se desenrasca no jogo das cadeiras, decide, ela própria, optar por um plano de reestruturação financeira e consegue um perdão parcial da dívida, em parte à custa dos contribuintes portugueses. Instala-se o silêncio absoluto no edifício do ministério da propaganda.
A Soares da Costa tem uma dívida, à banca e a fornecedores, superior a 700 milhões de euros. Porém – e aqui recorro à linguagem do radicalismo neoliberalóide – terá vivido acima das suas possibilidades. Entre bónus e aviões a jacto, a construtora vê-se agora sem dinheiro para pagar salários aos trabalhadores mas conta com uma ajuda preciosa: a banca prepara-se para perdoar cerca de 200 milhões de euros de dívida à empresa.
Tudo isto seria muito bonito caso não andássemos nós a resgatar a banca todos os dias. Mas ainda piora porque um dos bancos que se solidarizou com a Soares da Costa foi a CGD, e isso significa que vamos todos ter que pagar uma parte desta factura. Pior: com a Soares da Costa SGPS e a Soares da Costa Serviços Partilhados em Processo Especial de Revitalização (PER), é expectável que a Caixa e os restantes credores bancários emprestem ainda mais dinheiro ao grupo. Nada como ser grande demais para cair.






Vigaristas, o povo tem que ir para a rua contra estes benefícios.
E este governo consente! Se fosse o outro, compreendia-se, eram farinha do mesmo saco. O neoliberalismo no seu esplendor! E não há Troika que critique. Toca de pagar!
O Capitalismo é cada vez mais uma pocilga!
P.Rufino
Não percebo a falta de indignação da Catarina Martins.
O que se passa com a porta-voz da nossa esperança?
Tenho um familiar que por causa do desemprego, há uns poucos de anos, ficou sem a casa de família, porque não a pôde continuar a pagar ao banco. Depois de ser apurado o débito remanescente, ficou com um encargo mensal (não sei o valor ao certo), até ao ano de 2025. Ou seja, não acredito em “perdões”, acredito em “trocas de favores” entre as camarilhas de sempre!!
Depois admiram-se da alguns se radicalizarem…
Os portugueses deviam meter uma tonelada de bommm na assembleia e afins e foder essea merda toda e todos, mas que maricas devieram os portugueses