Não tens nada que agradecer, Sporting

Nunca falta dinheiro para salvar bancos. Nunca. Pode faltar na Saúde, na Educação, na Acção Social ou na Cultura, mas para salvar bancos, o que muitas vezes significa assumir calotes de devedores multimilionários que, pela posição que ocupam, poucos ousam incomodar, nunca falta um cêntimo.

De igual forma, nunca falta nos bancos dinheiro para salvar clubes de futebol. Pode faltar para as famílias, pode faltar para as empresas de outros sectores de actividade, mas para salvar clubes de futebol, o que muitas vezes significa assumir os custos de operações que, por mero acaso do destino, encheram os bolsos de meia-dúzia de agentes e dirigentes desportivos, também não falta um cêntimo que seja. [Read more…]

Soares da Costa reestrutura dívida com o alto patrocínio do contribuinte português

SdCosta

Sempre que se fala em reestruturação ou perdão de parte da dívida portuguesa, um golfinho falece nas águas quentes e cristalinas de um paraíso fiscal caribenho. Indignada, a clique neoliberal coloca-se imediatamente em bicos de pés e vaticina um qualquer fim do mundo que há-de estar próximo. Honrar compromissos e pagar a quem nos emprestou para mostrar que somos pessoas disciplinadas e de bem são palavras de ordem nas paradas do nacional-liberalismo.

Coisa diferente acontece quando uma empresa, que durante anos distribuiu milhões por administradores, accionistas e afins, alguns deles ligados ao sector político que melhor se desenrasca no jogo das cadeiras, decide, ela própria, optar por um plano de reestruturação financeira e consegue um perdão parcial da dívida, em parte à custa dos contribuintes portugueses. Instala-se o silêncio absoluto no edifício do ministério da propaganda.

[Read more…]

A reestruturação da dívida grega e agenda alemã

Merkel

Com as milícias de extrema-esquerda entrincheiradas na linha da frente da batalha pela reestruturação da dívida grega, a poderosa chanceler continua a resistir, enfiada no seu bunker berlinense. Angela Merkel prefere deixar o FMI fora do terceiro resgate à Grécia do que aceitar a sugestão do Fundo de reestruturar a dívida, nem que isso signifique colocar toda a pressão de um eventual incumprimento sobre as economias fragilizadas dos estados membros da União Europeia. Para quem lidera um país tão experiente em calotes, o fanatismo do executivo alemão é admirável.

Assim, e segundo o jornal alemão Die Zeit, citado pelo Expresso, a solução proposta pelo executivo alemão passará pela prestação de garantias da União Europeia ao Fundo Monetário Internacional que acautelem potenciais perdas, para que este possa participar na nova intervenção deixando cair a exigência de reestruturar a dívida grega. Se correr mal, a Europa a 28 paga. Se correr bem o FMI leva a sua fatia. O problema é que o Fundo entende que a dívida de Atenas é insustentável e impagável nas condições actuais, motivo pelo qual vê a sua participação no resgate com apreensão. Já Merkel prefere avançar em direcção ao abismo e arrastar a Europa consigo. Sensato vindo da parte de quem tem na catástrofe grega um negócio tão lucrativo. No dia em que a dívida se tornar sustentável e pagável, a torneira pode muito bem começar fechar.

FMI exige perdão da dívida grega

IMF Greece

Apesar da recusa de Passos Coelho, o aluno lambe-botas que por acaso até tem ideias que na verdade não são dele, a extrema-esquerda do FMI voltou à carga: sem o alívio da dívida grega, as tropas de Lagarde estão fora do terceiro resgate grego.

É comovente. Outrora irrevogavelmente contra qualquer tipo de reestruturação da dívida daquele país, os senhores do dinheiro recusam agora alternativas que não envolvam essa solução. Uma irrevogabilidade ao melhor estilo de Paulo Portas perante a estupefacção dos miúdos marrões que não compreendem outras lições que não aquelas que os obrigaram a decorar. Depois queixem-se que levam tanga no recreio.

Milícias de extrema-esquerda tomam BCE e FMI de assalto

extrema

As sedes do BCE e do FMI foram hoje tomadas de assalto por milícias de extrema-esquerda que reclamam a adopção de medidas de reacção ao caminho único da austeridade. Lideradas pela famosa rebelde Christine Lagarde, a quem se juntou o anarco-sindicalista Mário Draghi, os insurgentes pretendem forçar uma reestruturação da dívida grega, que poderá inclusive passar por um perdão parcial, à revelia da linha dominante numa Europa de pensamento de influência passista-rajoyzista. Os bravos jornalistas que se infiltraram neste autêntico cenário pós-apocalíptico que se vive nas instalações das duas instituições conseguiram captar declarações de Draghi:

“É necessário um alívio da dívida grega. Nunca ninguém disputou essa questão, a dúvida é saber qual é a melhor forma de fazê-lo, tendo em conta o nosso enquadramento legal”

A violência das palavras de Draghi, outrora um respeitável neoliberal, estão a chocar a Europa civilizada, que se questiona sobre quando esta loucura terá fim. Mas esse fim não parece próximo. Contrariando a resistência alemã, a líder da insurreição foi mais longe e afirmou mesmo que a organização que lidera não tem dúvidas de que a dívida grega é insustentável e sublinha que a Grécia necessita de um alívio da dívida “muito além” dos planos da União Europeia:

“A dramática deterioração da sustentabilidade da dívida aponta para a necessidade de um alívio da mesma numa escala muito maior do que aquela que esteve sob consideração até ao momento – e que foi proposta pelo Mecanismo Europeu de Estabilidade”

O fim está perto. Tenham medo, tenham muito medo…

 

«Que não, que não, mas depois é sempre o que acontece:

as dívidas públicas são reestruturadas.» Thomas Piketty ao Público

918241

A abolição silenciosa (e consentida) da democracia

Give up your rights

Ultimamente sinto-me no filme da democracia New World Order style que se desenrola nos EUA desde o muito mal explicado atentado terrorista de 11 de Setembro de 2001. Há quem acredite que, com o 25 de Abril, assistimos a apenas um PREC. Na realidade foram dois. E ainda que um tenha ficado rapidamente pelo caminho, o “processo revolucionário em curso” levado a cabo pela mesma elite que já governava o país no tempo do outro senhor continua, e conheceu dias de franca expansão desde 2008, altura em que os verdadeiros terroristas do globo decidiram que os países mais vulneráveis da zona euro (entre outros) haviam de pagar as aventuras especulativas dos grandes bancos mundiais e da alta finança em geral. Como resultado de erros que não cometemos e do facto dos 2 partidos e meio que dominam o sistema político serem meros instrumentos nas mãos da verdadeira elite, assistimos hoje ao acelerar da perda de soberania financeira, que de qualquer forma já vinha sendo progressivamente alienada desde a adesão à União Europeia, mais tarde convertida em IV Reich.

[Read more…]

Uma sabotagem idiota

idiota

Isto pode parecer uma piada, de mau gosto, idiota, digna do seu autor, mas uma piada.

Agora uma petição falsa já não é uma piada, curiosamente com o mesmo número de assinantes do reforço vitorcunhiano e nomes como o de Patrícia Sofia Jarreta, é um acto de sabotagem. Compreende-se, a original já vai em mais de 21000 assinaturas, e sem o argumento do “temos de pagar a dívida” lá se vai toda a k7 ideológica.

Estão à rasca, assim o demonstram, fariam melhor em aliviar a tripa na casa de banho, sempre impregnavam menos os ares que pestilentos já andam.

 

A petição dos mínimos

minimoHá um mínimo denominador comum:

Hoje, há um consenso amplo na sociedade que reconhece que Portugal enfrenta uma crise sem precedentes na sua história recente que combina dimensões económicas, sociais e financeiras, tendo também importantes manifestações políticas que podem abalar os alicerces do regime democrático.

Não usaria a palavra honrada ao pé  da palavra dívida, mas é irresponsabilidade não ver a dimensão do abalo.

Petição “Preparar a reestruturação da dívida para crescer sustentadamente”.

Depois do FMI nunca, chegou a reestruturação jamais

Não se compreende portanto que alguém, fingindo-se muito indignado, possa dizer alto e bom som – “reestruturação jamais” – sem corar de vergonha. Se uma coisa é certa – e acerca dela nem sequer há divergências entre economistas de esquerda e de direita – é que com estas perspectivas de recessão e estas taxas de juro, a dívida das periferias não é pagável. É matemático: a dívida explodiria.

(…)

Na realidade, o que se passa é que alguém anda a querer ganhar tempo. Tempo para quê? Talvez para limpar dos balanços dos bancos o lixo tóxico (títulos de dívida pública e privada grega, irlandesa e portuguesa). Alguém anda a querer “repatriar” a dívida para que o “corte de cabelo” quando vier não o afecte. O tempo que esse alguém anda ganhar, para nós é tempo perdido. O que estão á espera para articular posições com a Grécia, a Irlanda e a Espanha (e outras vozes razoaveis na UE)? Ainda acham que podemos ser contaminados por algum virus mediterranico?

A ler: Reestruturação, jamais? José M. Castro Caldas.

Também para memória futura.

Downsizing, dizem eles

É uma triste realidade aquela em que pequenos e médios empresários tentam obter, junto da banca, liquidez para salvarem as suas empresas, depois de já lhes ter sido sugado todo o património e mais algum para garantia dos financiamentos.

Mendigam apoios àqueles a quem eu, eles, e todo o povo português, avalizou os seus financiamentos externos. Pois convém lembrar que a banca portuguesa foi pedir dinheiro lá fora com o aval do Estado português, ou seja com o nosso aval. E a nenhum de nós algum banco deu de garantia o que quer que fosse pelo aval que o povo lhes deu.

Esse dinheiro que veio de fora á custa do nosso aval está a chegar a conta-gotas às empresas, atrofiando-as em termos de liquidez. E quando o empresário chega à banca, como eu já assisti, para pedir ajuda, volta-meia-volta lá vem a lógica do “downsizing”, ou seja, a diminuição da estrutura da empresa para melhorar a sua viabilidade. Que é o mesmo que dizer mandar trabalhadores para a rua para se gastar menos em salários. [Read more…]