A Protecção Civil e a prevenção dos fogos


João Faria Martins

seguro_incêndioNo que toca a tudo o que se relacione com fogos florestais, do que apreendo das notícias dos últimos dias, a Protecção Civil em Portugal funciona mais ou menos assim:

Imaginem um serviço nacional de saúde de um certo país no qual não existe qualquer tipo de medicina preventiva: não se fazem exames de rotina, não há consultas regulares com médicos de clínica geral nem tão-pouco com especialistas, ou um aconselhamento sobre modos de vida saudável. Quaisquer remédios ou tratamentos preventivos foram há muito abolidos; não se receitam comprimidos para a tensão alta, comprimidos para o colesterol, e afins. Jamais se trata em ambulatório, ou com medicação leve, só se opera. Não se encoraja o exercício físico, ou a alimentação saudável. Não se desencoraja o excesso de peso ou o tabagismo.

Para piorar as coisas, o serviço de saúde, embora universal e gratuito, funciona segundo um sistema em que todos os hospitais são privados, especializando-se apenas e só em medicina curativa (só se opera, só se interna), sem qualquer regulação por parte do Estado. Os médicos são todos voluntários, mas os hospitais são financiados a peso de oiro pelo Orçamento de Estado, sendo o mero uso de um ventilador pago a vários salários mínimos por dia. Qualquer uso de equipamento moderno que pertença ao Estado, embora não proibido, é na prática impossibilitado devido à corrupção endémica / lobiismo que por lá existe.

E é isto.

PS: nada contra algo ser privado. O problema é quando o privado na realidade não funciona segundo as regras do mercado, pode manipular o mercado, e está fora da competição, como neste caso.

Comments

  1. Anónimo says:

    Parece que toda a gente sabe o que é a Protecção Civil.
    Eu também sou um ignorante e portanto também tenho direito a palavrear sobre a Protecção Civil.

    Uma coisa é enfiar as botas e o capacete e ir para a luta combater o fogo.
    Outra coisa é dirigir a Protecção Civil.
    O que verifico é que os dirigentes nomeados para comandar a protecção civil, são uns gajos porreiros, com boa vontade, com os amigos certos, mas não têm conhecimentos para poderem dirigir seja o que for. Aquilo é um belo tacho, sem responsabilidades. Quando a coisa falha, a culpa é sempre do fogo, da chuva, e da falta de “meios”.

    E depois lá vem a televisão mais os Crapoulas, apagar o fogo com o nosso dinheiro, e com muitos litros de solidariedade.
    E ficamos todos felizes até à próxima tragédia.

    Pensava eu que os primeiros objectivos a Protecção Civil seriam, preparar para a tragédia com antecedência
    1
    conhecer o território como a palma das mãos,
    2
    conhecer as florestas, mantê-las limpas, ou mandar limpar,
    3
    conhecer os acessos, mantê-los funcionais, ou mandar arranjar,
    4
    conhecer as povoações e as moradas;
    5
    analisar e diagnosticar pontos críticos, e prever a protecção adequada,
    5
    conhecer os “meios” disponíveis, civis e militares, muitos ou poucos, e a sua disponibilidade
    5
    convocar e coordenar a intervenção desses meios na altura certa.

    Têm muito que fazer.
    Que fazem no resto do ano, quando não há fogos?

    Não sei o que faz o Exército quando não anda na guerra.
    Já por aí disseram que o Exército não tem “meios” para apagar fogos. De facto não se vai lá com submarinos.
    Na verdade, das tarefas acima enumeradas, todas são da competência militar.
    O Exército tem, ou já teve, máquinas e pessoal treinado
    – para manter um Sistema de Informação Geográfica actualizado;
    – para fornecer fotografia aérea que permita a análise e o diagnóstico rigoroso e atempado;
    – para limpar a floresta;
    – para reparar os helicópteros e as viaturas da Protecção Civil;
    – para formar os dirigentes da Protecção Civil em técnicas de Guerra e de comando contra o fogo;
    – para apoiar as autarquias locais nas obras necessárias para melhorar as acessibilidades, a protecção civil, o ordenamento do território;
    – para assegurar as comunicações seguras durante o sinistro;

    Mas o Exército de Portugal esqueceu-se que o seu principal objectivo é proteger os portugueses, seja de um invasor, seja das catástrofes naturais, seja dos doidos incendiários, seja dos terroristas.
    O Exército prefere participar nas guerras da NATO, guerras contra os povos que o império euro-americano decide invadir. O Exército prefere andar no Mediterrâneo a pescar os refugiados que fogem em pânico dessas guerras imperiais.
    O Exército, que os portugueses suportam e sustentam, acha talvez que a defesa dos portugueses deve ser entregue às empresas privadas.
    Para quê um Exército que não nos defende?

  2. Benjamin Campos Ferreira says:

    A decadência a que Portugal chegou é tal que em muitas vilas e aldeias, além de muitos pequenos proprietários não terem dinheiro para limpar o mato há até o problema de não haver sequer nenhum trator disponível para fazer uma gradagem dos terrenos cheios de material combustível.
    Portugal está falido tanto nas finanças públicas como nas bolsas dos pequenos proprietários. Safam-se alguns proprietários agrícolas que explorem propriedades de média e grande dimensão. Mas mesmo esses, se não fossem os subsídios da CE, não se aguentavam. Por exemplo, um agricultor com 150 ha e 50 vacas aleitantes, mesmo com os subsídios, tem menos rendimento anual e uma vida mais preocupada do que se vivesse dum salário mensal de 1000 euros.
    Quem não acreditar que experimente se puder mas eu não aconselho.

  3. Afonso Valverde says:

    Oh senhor,
    As Forças Armadas estão submetidas por Leis ao Poder Político.
    Elas fazem e farão o que está previsto nas LEIS. Também a autonomia delas é regulada pelo chamado poder político: Presidente, Parlamento, Governo.
    Quando votar veja lá o que propoem os partidos sobre a função-autonomia das Forças Armadas.
    Não está à espera que se amotinem, ou façam um golpe?!
    Se as mandarem combater fogos falo-ão. Percebe? Não Confunda o que acha como que está na lei.
    A sua última interrogação é para levar a sério? Desmantela-se as Forças Armadas, algo inconveniente do aparelho repressivo do estado…
    O portugueses sustentam o quê? Nós somos todos as Forças Armadas, percebe?!
    Fui militar, voluntário, especial.
    O senhor foi?

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