Conheci o PS antes de ser virgem


Santana Castilho *

A análise das políticas propostas e a análise do discurso dos que comunicam em representação dos partidos permite estabelecer padrões previsíveis de comportamento político. Aí temos o PS, fazendo-se de virgem, a patentear, agora que se inicia o primeiro ano lectivo sob sua inteira responsabilidade, o que fui antecipando e criticando, ainda a presente legislatura não tinha arrancado: a vacuidade de soluções para os verdadeiros problemas da Educação.

À míngua de preparação e de estudo dos problemas durante os últimos quatro anos em que foi oposição, o PS recorreu ao baú dos adquiridos ideológicos de sempre para repetir os erros, que nunca reconheceu, dos últimos quatro anos em que foi Governo.

A 22 de Março de 2015, antes das eleições que viria a perder, no auditório do Museu de História Natural e da Ciência, após um debate sobre “qualificações”, António Costa anunciou que a educação de adultos, particularmente a recuperação do programa Novas Oportunidades, era uma das suas quatro prioridades para a Educação e um “dever de cidadania”. De novo em Março, agora de 2016, após um Conselho de Ministros dedicado à Educação, Tiago Rodrigues revelou que o rumo para a legislatura tinha, não quatro, mas cinco prioridades. Recordemo-las, como foram apresentadas: “orçamento participativo”, que consistirá em atribuir às escolas uma verba adicional para os estudantes gastarem como entenderem; “animação turística” das ruas das nossas cidades; “educação inclusiva”, metáfora para criar um grupo de trabalho que estudará a forma de juntar aos diplomas um descritivo do que os alunos fizeram em contexto extra-curricular; “sucesso escolar”, com o anúncio de um programa nacional de formação massiva de professores; e “formação de adultos”, recuperando, com rasgados elogios, as Novas Oportunidades, de má memória. A pavorosa semântica do ministro da Educação explicou-nos, na altura, o que seriam as novas Novas Oportunidades:

“Este programa deverá assentar numa maior integração das respostas na perspetiva de quem se dirige ao sistema, tornando, na ótica do formando, coerente e unificada a rede e o portefólio dos percursos formativos, que no percurso individual devem ser passíveis de combinação personalizada”.

Entenderam? É tudo o que sabemos, para além de que pretendem começar com 50 milhões de euros.

A educação de adultos é importante? Obviamente que sim. Todas as iniciativas que visem a qualificação dos cidadãos são importantes. Mas será uma prioridade num país que não consegue matar a fome a todas as crianças do ensino obrigatório, que tem escolas sem dinheiro para pagar a electricidade que consomem, que exporta médicos, engenheiros e enfermeiros (só no Reino Unido estão 12.000), e que desperdiça no desemprego dezenas de milhares de licenciados, que custaram dezenas de milhares de milhões a serem formados?

Quanto ao programa Nacional de Promoção do Sucesso Escolar e ao seu primeiro ideólogo, José Verdasca, procuram atribuir às escolas e aos professores a culpa do insucesso dos alunos. Fazem-no por referência ao passado (a insidiosa “cultura de retenção”, que glosam recorrentemente) e voltam a fazê-lo quanto ao futuro, quando coube às escolas a responsabilidade de conceber planos de acção para um quadro conceptual que lhes foi imposto. Em recente entrevista ao Público, José Verdasca foi cristalino ao acusar os professores de não quererem mudar as práticas e ao afirmar que “a retenção não tem valor pedagógico” e que “um aluno que reprova, provavelmente, no ano seguinte, terá níveis mais baixos de proficiência“. Sendo óbvio, dada a centralidade do plano na acção do Governo, que esta doutrina não é só de José Verdasca mas também do Governo, não seria menos pérfido e menos cobarde declararem por decreto o fim das reprovações?

Enquanto isto, a economia patenteia resultados miseráveis, completamente opostos aos prometidos pelo plano macroeconómico que António Costa sacralizou. As finanças estão ligadas ao suporte mínimo de vida do BCE. O colapso bancário é refém periclitante da generosidade da DBRS. A decisão do BCE sobre a CGD vexou Portugal e alguns cidadãos, arrastados num vórtice de vergonhosa incompetência e inaceitável desleixo. O investimento público de 2016 é inferior ao de 2015. O PIB cresceu um terço do previsto. A dívida pública aumentou. A “limpeza” de 120 dirigentes técnicos do IEFP passou de fininho, excepto para os 10 que recorreram aos tribunais. O caso Lacerda Machado, o melhor amigo de António Costa, que por isso mediou informalmente negócios de Estado, já lá vai. Outros três amigos, secretários de Estado protagonistas do escândalo Galp, foram aninhados no limbo do esquecimento a Carlos Martins, quinto amigo, secretário de Estado do Ambiente, com residência habitual em Cascais, que recebia um subsídio só devido a quem residisse a mais de 150 quilómetros de Lisboa.

Apesar de tudo isto, há quem bata palmas e eu não? Porquê? Porque, como diria Woody Allen, conheci o PS antes de ser virgem!

* Professor do ensino superior (s.castilho@netcabo.pt)

Comments

  1. Anónimo says:

    Lacaio Verdasca, alguma vez foi virgem?

  2. Alguem quer mudar este sistema ??? Ainda não perceberam quem são os donos do mundo ??? Já repararam na 3ª guerra mundial que está em andamento ??? Uma menina ,neta de um amigo meu,foi a primeira a alerttar-me para o assunto !!!

  3. Prof. Santana Castilho, EXCELÊNCIA, como analfabeto consinto-me a liberdade de solicitar algum pudor, em favor das verdades publicas e publicadas : NÃO DESMENTIDAS!, sobre as questões a que alude o texto de V. Exa., nomeadamente quando refere ; CABE ÁS ESCOLAS conceber PLANOS DE ACÇÃO …que lhes são IMPOSTOS! Senhor Professor, por obséquio, esclarece este ignorante : CONCEBER PLANOS QUE LHES SÃO impostos??? Lamento não atribuir grande CREDIBILIDADE ás teses de V.Exa. com “argumentos” deste cariz. Cumprimentos.

  4. Martinhopm says:

    O prof. Castilho é um ‘expert’ na matéria, sabe do que fala, e tenho-o na conta de um homem sério, apesar de ideologicamente estar, ao que julgo, mais perto do PSD do que PS. Mas não seria de aproveitar a sua experiência, pedindo-lhe o seu avisado conselho?

    • Nascimento says:

      Avisado conselho? Mas o senhor nunca se quis assumir.O senhor está “acima” de minudências 😊. Cátedra!O que nos presenteia tao douta opinião? Nada! Simples exercício académico.O botas gostava deles… verdadeiros Oposicionistas do Chiado! Gente de muita ” ação ” com o cafezinho bem tirado….

  5. JgMenos says:

    O plano geral da geringonça assenta em três princípios:
    – Começou a distribuição de tachos e chegará a todos
    – Nada de clareza, usem o politiquês progressista
    – Respeitam o postulado PS: nada no passado nos envergonha e nunca erramos

    • Nascimento says:

      Em relação a tachos deves estar a referir ao teu amigo Mota Soares da S.Social ?Parece que foram centenas de betinhos e betinhas ali nomeados pelo CDS! Queres que te faça um desenho? Ou sofres de amnésia? Que palhaço.

    • Nascimento says:

      Queres que te explique a bela aplicação dos fundos para a agricultura aqui na outra margem bem pertinho de Lisboa na região sul? Vai lamber o chão ali no largo do Caldas,e aproveita para perguntares pela “dirigente” do CDS que meteu o gito ao bolso 😁!Parece que a amiga C. deu 500 mil ….percebes? E cultivo? Nem uma semente.Deixa-te estar caladinho…. xiu😜
      Geringonça querias tu no focinho.

      • JgMenos says:

        Nascimento, tenta outra encarnação.
        Nesta não passas do chão rasteiro.

        • Nascimeno says:

          Eu levanto-me sempre do chão.Ao contrário de um verme como tu escondido entre as fezes😏
          E já telefonas-te a saber dos 500 mil que voaram dos fundos para a “Ingricola”?A tua amiga C. deve saber por onde anda o guito😅?Tudo gente linda😋…como tu…meu pãozinho doçe😋.Vá,vai lá ao Caldas ou a S.C. a Lapa sff….manda beijinhos aqui da malta do tasco,tá bem?😆

  6. Anti-pafioso says:

    A Direita e a extrema direita sempre ao ataque ,na defesa dos ladrões dos dinheiros Públicos. ONDE PARA A POLICIA ?

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