A economia da pobreza


greed

Segundo o mais recente relatório da Oxfam, as oito pessoas mais ricas do mundo possuem uma riqueza combinada superior aos 3,6 mil milhões de terráqueos mais pobres. Metade da população mundial. Este facto, por si só, seria motivo de vergonha para a humanidade, não fosse ela tão passiva para com as graves desigualdades que continuam a aumentar o profundo fosso entre ricos e pobres. Perdão: entre multimilionários e desgraçados.

A situação é de tal forma grave, que, há um ano atrás, seria necessário juntar os 62 mais ricos para perfazer a mesma quantia que a metade mais pobre do mundo possui. E isto diz-nos muito sobre os efeitos das sucessivas crises nas carteiras de quem governa o planeta. Recorrendo a um dos clichés mais realistas que existem, os ricos estão cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres.

Seria muito fácil disparar chumbo grosso nos superbilionários que ocupam o topo da cadeira alimentar, acusando-os de aumentar a sua fortuna à custa de esquemas desumanos, canalhas ou criminosos, algo recorrente, mas prefiro pensar nos modelos económicos que nos são impostos, e que permitem a concentração de riqueza de forma injusta e desigual. Que raio de economia é esta que permite que um punhado de indivíduos consiga acumular valores que parecem irreais aos olhos do comum mortal, enquanto mais de metade do mundo mendiga por uma tigela de arroz?

O liberalismo selvagem (redundância) afirma aos quatro ventos que não se pode condicionar o mercado ou a livre iniciativa de quem, com as armas que nem uma centena de humanos algum dia terão, consegue empilhar valores obscenos. Mas, honesta ou não, essa acumulação não é possível sem que alguém tenha que pagar uma pesada factura. Questiono-me sobre como é possível defender um modelo em que o enriquecimento de alguns força milhões à miséria. Milhões de miseráveis que, apesar das raríssimas excepções, nunca terão o mínimo de condições para sequer sonharem com uma casa, comida na mesa, educação para os seus filhos e cuidados de saúde dignos.

oxfam

Chegará o dia, tenho essa esperança, apesar de poder já cá não estar, em que a humanidade perceberá que é tempo para dizer basta. E não, não será preciso acabar com os ricos. Bastará seguir o conselho de Olof Palme e procurar antes acabar com os pobres. E sim, devotos da seita da especulação, mujahedines da jihad financeira, implicará tributar proporcionalmente quem se senta em gigantescas pilhas de dinheiro. Obrigará a um controlo apertado da evasão fiscal, com penas verdadeiramente dissuasoras, e ao fim dos paraísos fiscais. Será impossível reduzir significativamente a amplitude do fosso sem encurtar a rédea daqueles que, apoiados em posições de poder, capazes de comprar políticos, leis e reguladores, enriquecem à custa da precariedade, das dificuldades e da ignorância da esmagadora maioria. E talvez seja sensato que se comecem a procurar soluções, não vá a turba, um dia destes, buscá-los a Versalhes.

Comments

  1. .

    POVINHO DE MERDA!!!

    Passo a alargar o âmbito de Portugal, para o Mundo!!!
    .

  2. Todos somos responsáveis e devíamos ter vergonha de contribuir para este tipo de sociedade.

Trackbacks

  1. […] uma liberdade acessível a todos, excepto a aproximadamente 7,2 mil milhões de indivíduos, essencialmente esquerdalhos preguiçosos que não querem trabalhar. Mas, já dizia São Ulrich, a malta aguenta. Ai aguenta, aguenta. E aguenta porque […]

Deixar um comentário

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s