Será um Catavento? Ou talvez mais, o quanto pior, melhor!


Rui Naldinho

passos catavento

A propósito da posição que o Pedro Passos Coelho e o PSD pretendem tomar no parlamento em relação ao Acordo de Concertação Social alcançado para este ano de 2017, Marques Mendes chamou-lhe catavento.

Marcelo Rebelo de Sousa deve ter ficado roído de inveja por Marques Mendes lhe ter roubado esse título honorífico, digno dos personagens que depois de defenderem uma determinada ideia, passados tempos afirmam o seu contrário, garantindo que aquilo que afirmaram antes não é bem a mesma coisa do que estão a defender no presente.

Coisas de políticos! Ou como diz o escritor Rui Zink, “as coisas desesperadas que as pessoas fazem para serem populares e terem muitos likes”!

Uma baixa de 1,25% na TSU para se aumentar em cerca de 27€ o salário mínimo nacional não me parece ser uma medida tão sensata quanto alguns a defendem. Até porque dessa forma não há qualquer aumento salarial. Há, sim, uma transferência de encargos do sector privado para o Estado.

Há mecanismos mais eficazes que permitem ao Estado discriminar positivamente as empresas, em especial as exportadoras, e já agora, aquelas que dos seus lucros anuais reinvestem uma parcela significativa dos mesmos em novos equipamentos e tecnologias com fim de aumentar a produtividade e o desempenho do seu sector de actividade. Esse incentivo deve ser implementado sem quaisquer complexos ideológicos, face a outras empresas que apenas gerem recursos humanos, até para que se desperte na massa crítica vontade de inovar e desenvolver novos projectos, que a longo prazo serão mais competitivos e duradouros.

No passado, PS e PSD estabeleceram acordos com vista à diminuição gradual da TSU em simultâneo com a descida do IRS. Esses acordos nunca foram cumpridos nos moldes previstos, e PSD/CDS decidiram apenas reduzir nos últimos quatro anos a TSU em cerca de 3% à revelia do que tinha sido acordado. Os aumentos salariais que tinham sido estabelecidos na Concertação Social nunca foram cumpridos.

Este ano o PS resolveu ceder às pressões das entidades patronais, e na reunião da Concertação Social assumiu de “forma temporária” uma redução da TSU em 1,25%.

Esta velha e vã tentativa do pessoal do Largo do Rato de fazer a espargata, normalmente acaba mal. Mas vamos esperar para ver.

As Confederações Patronais durante anos não se eximiram em recolher todos os incentivos que o anterior governo da PAF lhes foi dando. Estavam a cumprir o seu papel, daí eu não os criticar. Desde a baixa da TSU ao congelamento dos salários, apenas com um aumento já no último ano, que mais parecia uma encenação carnavalesca, e face à pressão da Confederação do Comércio cuja crise no sector era visível, aos feriados convertidos em dias de trabalho, a precaridade, a desregulação na legislação laboral, enfim, um manancial de oportunidades, que analisando bem, não trouxeram grandes benefícios à dita economia. Talvez, sim, mais aos bolsos de alguns espertalhões. Se com todas essas benesses, as taxas de crescimento andaram nos 1,6% no melhor período, “imagino que só matando metade dos reformados, e fazendo emigrar mais meio milhão de Portugueses, de preferência os desempregados, é que teríamos alguma hipótese de melhorar as contas.”

Pedro Passos Coelho percebe que o tempo vai correndo contra ele, e, não tendo ideias novas a propor ao país, porque sendo iguais às que já tinha no passado, não vai a lado nenhum, resolveu adoptar uma nova táctica de jogo, assaz perigosa. A do quanto pior melhor!

“A bancada social-democrata irá votar contra a descida da Taxa Social Única (TSU) para as entidades empregadoras caso venha a ser votado no Parlamento, avançou o jornal Público.”

Numa Guerra chama-se a isto táctica da “Terra Queimada”. Ela consiste em destruir tudo aquilo que possa ser proveitoso para o inimigo, mesmo que no nosso território, desde o queimar as colheitas para lhe negar fontes de alimento, destruir casas, abrigos, transportes, pontes, vias de comunicação, recursos industriais, telecomunicações…

Contrariamente aos Russos que desenvolveram esta forma de actuar face aos exércitos invasores de Napoleão e Hitler, saindo vitoriosos, apesar das centenas de milhares de mortos e feridos em ambas as frentes de combate, cheira-me que no caso português é o PSD corre o risco de ficar chamuscado, e só com baixas na sua frente.

É o que dá a falta de Sentido de Estado!

Comments

  1. Orlando Sousa says:

    Catavento o PPCoelho?
    “https://aventar.eu/2017/01/16/palavra-dada-palavra-honrada/

    • Rui Naldinho says:

      Se considerarmos Pedro Passos Coelho um Catavento, então o que dizer de Marques Mendes?
      E não está na política ativa!

  2. Victor Nogueira says:

    Onde esta “Marcelo Rebelo de Sousa deve ter ficado ruído de inveja por Marques …” deve estar “roído”. Ou não ?

  3. Paulo Só says:

    O António Costa vai demonstrar mais uma vez que é o único mágico que mete coelhos na cartola.

  4. Camaradas says:

    Coisas de aventais, o coelhone devia de entrar para uma grande loja, assim já não o criticavam.

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