Não em nosso nome!


rossio

Um dos argumentos preferidos de liberais, sociais-democratas e “socialistas” perante as amplas críticas e protestos provenientes de variadíssimos sectores da sociedade aos tratados de “comércio livre” CETA (UE/Canadá) e ao TTIP (UE/EUA) é que essas críticas, manifestadas por milhões de cidadãos e de centenas de federações e diversos partidos, resultam de uma recusa geral da globalização por extremistas proteccionistas, tanto de extrema-direita como de extrema-esquerda. Em Portugal, esta ardilosa tese (embora claramente demagógica) é recorrentemente apregoada aos quatro ventos, por Vital Moreira.

Descreditando assim de uma assentada qualquer crítica, por mais fundamentada que seja, a estes tratados – e a competência da sociedade civil a respeito dos tratados é notável – pretende-se, sem qualquer base, passar a mensagem de que os doidivanas que protestam são contra a globalização, seja ela em que moldes for.

Pois bem, isso mais não é que uma mentira e a prová-lo está a convocação, pela Plataforma Não ao Tratado Transatlântico, de um evento que terá lugar já amanhã, sábado, pelas 14 horas no Rossio, sob o lema: Por um comércio Justo, contra o CETA! O evento enquadra-se no Dia Europeu de Acção descentralizada, com acções espalhadas pela Europa fora.

Se puder, não deixe de estar presente e divulgue! O Parlamento Europeu vai votar sobre o CETA no próximo mês de Fevereiro. Precisamos de mostrar aos eurodeputados que nos representam que não queremos tratados injustos, destinados a concentrar mais ainda o poder e a esboroar a nossa soberania.

Comments

  1. A ser verdade que Vital Moreira está com o CETA e TTPI, confirma-se que quando os “OPORTunas” em 75/76 me falavam em IMPERIALISMO, perguntava ; qual deles ? De facto houve muita gente “oportunamente ?cUmunista?

  2. Paulo Só says:

    Claro que o V. Moreira está comprometido até ao pescoço com esses tratados celerados. E claro que a oposição a esses tratados, no que me diz respeito, não tem nada a a ver com nacionalismo nem protecionismo nem qualquer extremismo, tem a ver com ecologia e democracia. A esse respeito deixo aqui uma citação de Alain Supiot, professor no Collège de France, que me parece merecer reflexão apurada: “Para o liberalismo clássico a livre procura pelo indivíduo do seu interesse individual só podia induzir a prosperidade geral no âmbito de um direito que refreasse a cupidez. O ultraliberalismo, ao contrário, considera naturais as ficções jurídicas que fundam o mercado, e acaba considerando o próprio direito como um produto em competição sobre um mercado das normas”.

    Alain Supiot abre uma estrada muito interessante ao desenhar a convergência teórica do ultraliberalismo e do comunismo de mercado, como duas faces do “governo pelo número”, ou seja do primado do global sobre o particular.

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