David Dinis e o Público


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Rui Naldinho

David Dinis foi convidado pelos sociais-democratas Alexandre Relvas e António Carrapatoso há cerca de três anos para dirigir o primeiro projecto digital de comunicação em Portugal, o jornal electrónico “Observador”. O referido diário mais parece um blogue da “extinta” PAF, com jornalistas e colaboradores escolhidos a dedo. Os temas, as notícias e os assuntos estão alinhados politicamente, tendo a direita como sua clientela quase exclusiva. Mas, tirando esse “pormenor”, nada terei a acrescentar, uma vez que só lá vai quem quer. Aquilo até nem se paga!

Há cerca de um ano, na altura em que na comunicação social aparecia o nome de David Dinis associado à nova Direcção da TSF, vindo do Observador, manifestei surpresa e desagrado ao ver o nome do referido jornalista associado a uma rádio com tanto prestígio, pela qualidade do seu jornalismo, dos seus programas e directos, desde a sua fundação por Emídio Rangel, Sena Santos e outros profissionais.

A TSF sempre fez uma parte integrante das minhas rotinas diárias, fosse nos percursos diários de casa para o trabalho, nas viagens mais longas, nos tempos de espera no carro enquanto aguardava pela “patroa”, ou mesmo aos fins-de-semana onde não perdia as entrevistas antes da hora do almoço. Para sorte minha e de muitos ouvintes, David Dinis passou rapidamente por ela e não provocou estragos de maior.

Só que, segundo me parece pelo que leio, ele está fadado para “endireitar” todos os órgãos de comunicação social por onde passa. E é aí que reside o problema. Se alguém o contrata sabendo como ele age, leva-me a admitir ter havido segundas intenções dos proprietários, fosse na TSF, seja agora no Público.

Os donos disto tudo sejam eles mandantes de televisões, rádios, jornais ou revistas, são livres de fazer as suas escolhas nas pessoas que pretendem para dirigirem os órgãos de comunicação social que controlam financeiramente. Não podem é depois estranhar as reacções dos leitores, ouvintes ou telespectadores, olhando para as tiragens medíocres ou para as fracas audiências, e culparem as redes sociais pelo seu insucesso. Ou, pior ainda, acharem que nós é que somos todos uns ignorantes.

Depois de José Victor Malheiros ter deixado a colaboração com o Público no final do ano de 2016, soube-se esta semana que Alexandre Lucas Coelho e Paulo Moura seguiram caminho idêntico. Há dias, já com Paulo Baldaia na direcção do DN, foi Alberto Gonçalves a deixar o diário lisboeta. Na anterior direcção do DN presidida por André Macedo foi a vez de Batista Bastos, Manuel Maria Carrilho, Celeste Cardona e José Manuel Pureza. Na SIC aconteceu o mesmo com Alfredo Barroso, António José Teixeira e Ana Lourenço. Muitos outros tiveram igual destino. Ainda assim, estranha-se o facto de cada vez que sai um colaborador ideologicamente mais alinhado à direita, saem logo dois ou três à esquerda.

Poderíamos numa primeira fase intuir, estarmos a assistir ao realinhamento da comunicação social escrita em função de um maior equilíbrio ideológico ou de interesses de grupo, o que de todo não me parece. Pelo contrário, o plano inclina-se cada vez mais a favor de uns e em desfavor de outros. Se é assim que nos querem pôr a ler mais jornais enganam-se. A mim parece-me mais haver a uma espécie de tentativa de suicídio colectivo destes dois jornais diários que ainda se vão podendo ler apesar de tudo, deixando ao Correio da Manhã e ao Observador, um espaço que deveria ser ocupado por eles, Público e DN?

Se as administrações destes dois diários estão convencidas de que é desta forma que conseguem colocar os referidos matutinos a dar lucros, eu penso que vão no caminho errado. Não há espaço para mais tabloides com um jornalismo do tipo Correio da Manhã ou do Observador, sob pena de se atropelarem uns aos outros. Portanto, ou enveredam por um jornalismo sério, com isenção e pluralidade de opiniões, ou um dia destes, fartos de meter dinheiro naquela “coisa” que não se vende, algum deles fecha a loja. É que fazer jornais não é vender melões!

Se fizermos uma leitura histórica dos vinte e sete anos do Público, este só foi um diário com relativa independência do poder politico e económico no período de Vicente Jorge Silva e de Bárbara Reis. E mesmo nesse período era permanentemente acossado pelos interesses instalados. Teve desvios e pecados? Sim, sem dúvidas. Mas no geral podemos dizer que foram bons tempos. Tudo o resto foram arranjinhos para agradar a uma certa clientela, para quem a pluralidade de opiniões só mesmo a dos que pensam como eles.

O mesmo se passou com o DN. Depois de Mário Bettencourt Resendes, o DN andou sempre por mãos de arregimentados, a começar por Luís Delgado. Veio por fim João Marcelino que esteve à frente do DN sete anos. Apesar do esforço inglório deste, aquilo nunca se compôs porque a credibilidade do DN estava minada. Vê-se o estado a que chegou o DN nestes últimos dois anos e meio com André Macedo.

Contrariamente, o “i”, que nunca passou de um resquício do semanário SOL, parece estar a fazer um esforço por seguir um caminho inverso ao do Público e do DN. Temos que esperar para ver, sabendo no entanto que se alinharem pela mesma agenda dos outros jornais, um dia nem sequer vale a pena passar pelo quiosque da esquina na vã tentativa de encontrar um jornal decente.

O Público vai acabar por definhar de vez às mãos de David Dinis, apesar de não ter sido para essa função que ele foi contratado, presumo eu.

Belmiro de Azevedo lá saberá por que o fez!

Comments

  1. Paulo Marques says:

    O problema nem sequer é serem inquinados para a direita, é serem inquinados para o disparate. O que não falta, da esquerda à direita, são comentadores acéfalos que aceitam o que ouvem sem pensar no impacto das opções que escolhem por eles. Por cada Pacheco Pereira que analise tudo à lupa, há dez Clara Ferreira Alves que são uma câmara de eco das elites que estão preocupados em proteger o seu rabo, invés da vida das pessoas.

  2. manuel.m says:

    Rupert Murdoch, (que é Americano), é dono do Sun e do The Times, Lord Rothermere, (que vive num exilio dourado em França), é dono do Daily Mail, os irmãos Barclay são donos do Daily Telegraph, Alexander Lebedev, (que é um oligarca Russo), é dono do Independent e do London Evening Stardard.
    5 multimilionários controlam 80% da imprensa escrita da Grã-Bretanha. Porque é um bom negócio ? Não, é péssimo. Mas pagam alegremente o preço para controlarem a opinião pública.
    Porque razão em Portugal seria diferente ?

    • Paulo Só says:

      A diferença é que em Portugal não há milionários desse calibre, então os jornais, além de dependentes, são pindéricos. Não há dinheiro para um verdadeiro trabalho de informação. Excluindo uma honrosa minoria, a maioria faz o que qualquer um faz: lê os jornais estrangeiros, e faz um resumo. O resto são estagiários pagos com o salário da fome, e salvo também raras excepções, comentaristas que pagariam para aparecer. É recomendável habituarmo-nos a viver sem. Dá é trabalho achar os blogs convenientes.

    • Rui Naldinho says:

      Repert Murdoch até é Australiano. Nasceu em Melbourne. Naturalizou-se Norte Americano apenas por conveniência, e vive atualmente em França. Por aqui se pode perceber como tudo isto funciona.

  3. Carlos Lacerda says:

    O primeiro projecto digital de comunicação em Portugal foi o Diário Digital, fundado há 17 anos por Luís Delgado. Muitos se lhe seguiram, antes do aparecimento do Observador, cujo nome foi escolhido por ter sido o de uma revista semanal dirigida por Artur Anselmo, o actual presidente da Academia de Ciências. O Observador era politicamente, ao contrário da Vida Mundial, um órgão de apoio das reformas da primavera marcelista.

    • Carlos Lacerda says:

      Devo acrescentar que A Vida Mundial, era uma revista onde escreviam inúmeros opositores ao regime de Salazar e Caetano.

    • Tanta conversa torna opaca a escolha do nome do blogue do compromisso portugal.

      Escolheram observador por ser uma revista de apoio a marcelo caetano. Ponto. O resto distrai.

  4. rosinda says:

    e isso mesmo so la vai quem quer!Aquilo ate nem se paga!

  5. Paulo Só says:

    O Público na sua fórmula anterior até tinha alguma graça. Agora é aquela coisa daquele meio de 10 gajos que ficam a trocar mensagens para saber o que o Marcelo disse, o que o raio do Passos, pensa (?), e demais intrigalhadas, uma coisa muito masculina que equivale aos jornais de futebol em matéria de política. Estão a mandar embora todos os “ideólogos”, de preferência de esquerda, porque eles querem homens se possível a trabalhar em gabinetes de advogados, que vão almoçar todos juntos, e todos de gravata, e no final de semana vão de Land Rover para o Ribatejo. pessoas modernas de smartphone. Felizmente a imprensa estrangeira está na internet e como turismo encontra-se hoje nos jornaleiros com facilidade.
    Os “bilhetes” desse David Dinis são patéticos. É preciso ter muito pouco sentido crítico, ser muito parolo para ser diretor de jornal e dizer aquelas bacoradas.

  6. rosinda says:

    So la vai quem quer ! Aquilo ate nem se paga e da pra ver as as conversas a quinta com o dr.jaime gama e aqueles dois fascistas jaime nogueira pinto e jose manuel fernandes.
    Tudo a borla!

  7. rosinda says:

    Quem guarda assuntos na gaveta e resolve abrir a gaveta num momento em que existe outros assuntos pendentes nao passa de um bufo !
    Nas eleiçoes para a presidencia da republica tambem houve um bufo que resolveu abrir a gaveta das subvensoes vitalicias!

  8. rosinda says:

    Aproveita diz ao teu patrao que desça ate ao continente,e carregue para cima uns rolos de papel de cozinha para limpar as maos !As casas de banho do shoping rio sul no fogueteiro os secadores foram todos pro galheiro!

  9. rosinda says:

    o desgraçado deve estar miseria ! ja nem tem dinheiro para comprar papel higienico a casa de banho da cadeira de bebe tinha sangue na tampa da sanita um nojo!Vale mais fazer as necessidades na rua!

  10. rosinda says:

    A saida o meu marido disse que as casas de banho da nrp argos na guine tinham melhor condiçoes!
    o teu patrao e um porcalhao!

  11. rosinda says:

    a loja 4 house! oferece sacos de plastico o teu patrao vende sacos a 10centimos com a marca continente !
    a reta de pegoes e famosa ” porque razao ele nao levanta a perna da calça e nao vai para la governar a vida !

  12. rosinda says:

    a obra no inicio era para criar 920 empregos no rio sul! pelo andar do navio deve criar 920 desempregos!Nao contando o estrago que grupo vai fazer por outros lados!

  13. rosinda says:

    se o teu patrao sofer de artrite reumatoide , ou psoriase sou eu que vou pagar os remedios dele?Que raio sns e este?

  14. rosinda says:

    Gostava de saber quantas criancas ja morreram de cancro este ano em portugal a comer as porcarias que o teu patrao vende e a respirar ar com enxofre e outros produtos toxicos!
    Com sarampo morrem derrepente com crancro morrem lentamente!

  15. rosinda says:

    Se te der um pripaque no 12maio vais morrer!
    O sns so garante um bom servico a peregrinos e altas individualidades que estao para chegar!

  16. rosinda says:

    um jornal que se intitula de publico” nao deve ter os artigos de opiniao por metade !
    Se as pessoas vao a net e nao conseguem ler os artigos completos vale mais nao escreverem nada!
    Es pior do que o salazar mas tens a mania que es bom!

  17. rosinda says:

    Este sistema de democracia nao me agrada!
    Os pobres cada vez estao mais pobres e os ricos cada vez estao mais ricos!O banco alimentar contra fome continua a pedir a porta do teu patrao o lucro deve ser para te pagar o ordenado.

  18. rosinda says:

    Nao tinhas nada que inventar o caso das offsores na altura em que se estava a discutir um assunto tao importante sobre a caixa geral de depositos!
    Eu tambem costumo ler os artigos de opiniao de nuno melo no jornal de noticias!
    Nao queiras correr o risco de jornalista passares a jornaleiro!

  19. rosinda says:

    escuta ca jornaleiro!Quantas pessoas morreram em pedrogao grande?A julia pinheiro esta indignada!

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