Isto sim, é futebol! A qualidade resolve.


Atlético 1-2 Barcelona – 1ª mão das meias finais da Copa Del Rey

Momento 1: Primeira parte desastrosa do Atlético. Displicência na troca de bola a meio-campo. Falta de criatividade. Incapacidade de romper o bloco médio-baixo que os catalães montaram para impedir os desequilíbrios entre linhas que Griezmann e Yannick Ferreira-Carrasco conseguem criar. Excelente colocação de Mascherano à frente da defesa para obrigar o Atlético a uma circulação previsível para a ala esquerda, ala em que Felipe Luis é rei e senhor e monopoliza grande parte da construção do Atlético. Reacções péssimas à perda de bola, facto que é incaracterístico aos processos defensivos de Diego Simeone. E Luis Suarez a aproveitar o erro para facturar o primeiro com a classe que lhe é inegável, num lance de magia, rodeado de 4 jogadores que não conseguiram pressionar ou em último recurso, cometer a falta cirúrgica.

Momento 2: Mais um raro exemplo de desconcentração defensiva da turma de El Cholo. Por defeito, esta equipa está mecanizada para baixar rapidamente no terreno quando perde a bola ou quando não consegue recuperá-la através da pressão alta. A bola é jogada rapidamente pelos catalães para a ala esquerda e aproveitando o facto do bloco médio ter demorado muito a baixa para enfrentar a transição, Suarez fixa 2 defensores na sua acção, abre para um Neymar solto que com muita classe varia o flanco com rapidez para Messi. O resto da jogada não é digno dos génios e da capacidade de leitura da situação do argentino e do lateral Sergi Roberto. É resultado do trabalho de Luis Enrique e dos jogadores obviamente, na criação de dinâmicas que fazem toda a diferença. Messi toca para Ramirez porque sabe que vai aparecer Rakitic no overlaping interior a ceder uma nova linha de passe. Rakitic faz o movimento que permite concentrar as atenções dos jogadores adversários e Ramirez só tem que devolver o esférico ao argentino porque sabe que o argentino está livre para poder ensaiar o drible interior seguido de remate em que é muito eficaz.

Momento 3: A partir do minuto. A capacidade que as grandes equipas tem de dar a volta ao texto quando estão a perder por 2-0 em casa para uma prova a eliminar. O intervalo fez bem à turma madridista. O que não foi feito no primeiro tempo no plano ofensivo e no plano do pressing alto, foi conseguido com uma mestria suprema no 2º. O Atlético chega ao golo num lance manchado de falta. E só não o consegue porque Griezmann e C&A acabam a partida a perdoar à frente da baliza de um intranquilo e muito questionável Jasper Cilessen. Pelo meio, o meio-campo do Atlético começou a carborar. Viu-se um Gabi muito mais solto de funções defensivas a arriscar ser criativo e a conseguir criar desequilíbrios no centro do terreno quer através de dribles curtos quer através de tabelas com os avançados. A fantástica exibição de Gabi no 2º tempo permitiu obviamente que o Barça defendesse mais compactado na zona central, o que permitiu aos seus laterais (Juanfran entretanto baixou para a sua posição natural de lateral direito) terem mais espaço para executar cruzamentos de trás ou para através de movimentações simples de passe e corte para a área com a bola a ser servida por alto para as costas da defesa. E a intensidade na pressão alta? Mudou drasticamente. Os colchoneros conseguiram complicar e muito a saída de jogo dos catalães e recuperaram no meio-campo adversário o triplo das recuperações feitas no primeiro tempo.

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