Mentir. 

Infelizmente, hoje em dia, politica e mentira são pleonasmos e,  ao afirmar isto, quase que estou a citar o deputado João Almeida, do CDS.

Neste assunto da CGD/Centeno, terá havido algum tipo de mentira, isso já se percebeu há muito, seja pela omissão, seja pelo recurso a factos alternativos.

É motivo para uma comissão de inquérito, abertura de telejornais, conferências de imprensa e comunicados do Primeiro-Ministro e do Presidente da República?  Obviamente que não. E se for preciso enquadrar, vejam-se os anteriores posts desta série, sobre a mentira na política, para se comparar entre o que pede PSD e CDS agora e o que fizeram quando foram governo – essas sim, enormes mentiras e com consequências para o país. Já esta lengalenga com o Centeno  só o interesse em destruir a mantém na agenda.

Enoja mais a atitude hipócrita de quem anda com moralismos a pedir a demissão do ministro, depois do exemplo que deram, do que a mentira branca de Centeno. E o povo vai mostrando o que pensa disto. “O outro queria era o tacho sem mostrar o vencimento”, ouvi há dias comentarem. Ninguém sairá a ganhar desta triste novela. E, paradoxalmente, parece ser esse  o ganho de Passos, que acha que ganha quando o país perde.

Nota: sequência de posts agendada no dia 15. A ver vamos se a realidade não os atropela. 

Estão todos demitidos. Vamos para Eleições.

Está demitido Mário Centeno, Ministro das Finanças de Portugal, o melhor da nossa democracia, por andar a negociar a presidência da Caixa Geral de Depósitos por e-mail e SMS, prometendo aquilo que não pode dar, por ser ilegal, e por, afinal, não ter dito a verdade sobre o que realmente prometeu ao banqueiro.

Está demitido António Costa, Primeiro-Ministro de Portugal, o melhor da nossa democracia, por ter dado cobertura formal ao erro do seu Ministro das Finanças, o melhor da nossa democracia, emitindo um comunicado oficial no qual reafirma a lisura do comportamento do Governo e do seu Ministro, facto que não corresponde totalmente à verdade.

Está demitido o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, por ter diligenciado, junto do vice-presidente de um Banco concorrente da CGD, António Lobo Xavier, a obtenção dos registos de comunicações privadas entre o Ministro das Finanças e o gestor cuja contratação para o Banco Público estava a ser negociada. Isto sem o conhecimento quer de Mário Centeno, quer de António Costa, o Primeiro-Ministro em funções.

Está demitido o Conselheiro de Estado António Lobo Xavier por, objectivamente, se ter colocado numa situação de intolerável conflito de interesses, imiscuindo-se em assunto interno de um Banco Público, concorrente do Banco BPI do qual o próprio é vice-presidente e a quem aproveita a fragilidade da CGD, enquanto actuava investido em três funções distintas e só compatíveis num país que perdeu totalmente a noção da realidade: comentador televisivo, banqueiro e Conselheiro de Estado.

Uma vez que estão todos demitidos, precisamos de eleições legislativas antecipadas.

O novo Aeroporto do Bloco Central

A 21 de outubro de 2016, na minha página de facebook, escrevi isto:

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Hoje ficou a coisa devidamente decidida. Como mandam as regras. E no twitter Romeu Monteiro lembrou isto:

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O Bloco Central nunca falha. Melhor dito, o “Arco da Governação” nunca falha. Mesmo agora que foi alargado e para além do PS, PSD e CDS já conta com o BE e a CDU.

Matos Correia (quem?!) lida mal com a democracia

Será melhor pedir conselhos ao seu colega Albino de Azevedo Soares.

Mentir? 

Mentira foi a demissão irrevogável de Portas. Um golpe palaciano que afundou ainda mais a débil economia portuguesa.

 Tal como mentira foi a apresentação de um suposto guião da reforma do Estado, escrito em corpo 16 a dois espaços, para encher chouriços, e que nunca teve por objectivo ser implementado. Serviu, isso sim, para Portas acabar com o bullying de Passos Coelho, o qual perguntava pela reforma do Estado sempre que o Portas se esticava. 

Do Montijo, com lisura

Secar o Aeroporto do Porto para saturar Lisboa e construir no Montijo. Um truque inaceitável.

Claro que Mário Centeno mentiu

Mário Centeno mentiu, obviamente. E mentiu com quantos dentes tem na boca – da mesma forma que alguns riem a bandeiras despregadas.
Não é preciso ser um génio para saber que ele mentiu, nem sequer convocar a teoria dos fractais.

28 de Julho – Governo isenta administradores da CGD de apresentarem os rendimentos no Tribunal Constitucional

25 de Outubro – O Ministro das Finanças confirma em nota oficial que a nova administração da CGD só terá de prestar contas sobre os rendimentos ao Governo.

15 de Novembro – António Domingues envia carta ao Ministro das Finanças, onde relembra que «A não sujeição da administração a esse estatuto (…) tem, para além do mais, como consequência a não submissão ao dever de entregar ao TC a declaração de património e consistia, desde o início, uma premissa essencial para o projeto de recapitalização da CGD e foi uma das condições acordadas para aceitar o desafio de liderar a gestão da CGD e do mandato para convidar os restantes membros dos órgãos sociais, como de resto o Ministério das Finanças confirmou”

Depois disto, o que falta? Uma assinatura? Um SMS?
Não são precisos óculos especiais para ver que o Ministro das Finanças mentiu. A inexplicável isenção de declaração de rendimentos esteve acordada desde o primeiro dia.
Mentiu, pronto. E agora? Não é essa a matriz de um político, mentir? Olha o Eduardo Vítor com o caso da mulher! Acaso fazem outra coisa, os políticos, senão mentir? Claro que não se vai demitir por causa disso. Aliás, ele e qualquer outro político devia demitir-se era se algum dia dissesse a verdade. Porque isso é que é defraudar o pessoal.
Posto isto, são todos uns hipócritas. [Read more…]