Kebab, bombas e bifanas


A bela Bifana!

Turismo ou terrorismo. Enquanto em Lisboa metade da população está preocupada com atentados turísticos à identidade nacional, o vice-primeiro-ministro turco foi na quarta-feira passada a Berlim pedir medidas de apoio ao turismo turco e apelar ao investimento alemão. A Turquia entrou em recessão depois da tentativa de golpe contra o presidente Erdogan, a subsequente asfixia autocrática do regime de Ankara e uma longa série de outros atentados terroristas por todo o país.

Em Istambul os hotéis estão agora às moscas como cabeças de carneiro penduradas num talho de rua num mercado da Anatólia. Entre outras formas de ajudas económicas, Mehmet Simsek pediu a  Wolfgang Schäuble para se accionarem meios de incentivar directamente os turistas alemães a voltarem à Turquia. São muitas centenas de milhares de viajantes e veraneantes alemães que trocaram o kebab em Istambul e Antalya por bifanas em Lisboa ou sardinhas no Algarve.

Também na semana passada, um amigo, bem informado e inteligente, diz-me que o boom turístico em Lisboa só vai durar até ao primeiro atentado terrorista na capital portuguesa. Um atentado terrorista – ou de “falsa bandeira” (nos atentados convém sempre colocar a clássica questão ‘cui bono’) – em Lisboa seria um choque terrível e o fim do encantador mito dos brandos costumes. Mas é um cenário a ter em conta na Europa, depois de Istambul (na mira de vários terrorismos, incluindo o do próprio Erdogan), depois de Berlim, de Bruxelas, Paris, Madrid, etc, etc.

Lisboa, Porto e o Algarve aparecem, dia sim dia não, num qualquer ranking como o melhor destino isto e melhor lugar aquilo, como a nova meca turística, cool e jovem, apregoada em revistas e jornais de todo o mundo. Até as ‘francesinhas’,  do Porto, uma espécie de bifanas mascaradas de drag queens, recebem agora distinções.

Oxalá as notícias do paraíso turístico português, não cheguem aos fanáticos das mecas religiosas e aos homens-de-fato-de-mau-corte das ‘dirty-trick-divisions’ dos serviços de inteligência pelo mundo fora. A nossa melhor defesa continua a ser a ignorância geral, que leva grande parte do planeta a pensar que Portugal é uma província da Península Ibérica, que a capital ainda é Cordoba ou Madrid.

Foto: tirada da Wikipedia / autor: Alberto González

Comments

  1. Orlando Sousa says:

    “Até as ‘francesinhas’, do Porto, uma espécie de bifanas mascaradas de drag queens, recebem agora distinções.”
    Espécie de bifanas?????

    • Rui Naldinho says:

      Essa é a parte em que o autor da prosa borrou a escrita. Comparar bifanas a francessinhas, é o mesmo que comparar o Rio Douro ao Rio Tejo. Um leva muita água, mas grande parte dela poluída. O outro leva muita água quase sempre despolida.
      O resto do texto parece-me acertado. O que me espanta é que face ao maná que nos tem caído, com tantos turistas, as nossas secretas estejam entretidas com guerras intestinas, e a ver se a Bárbara Guimarães regressa para os braços de Carrilho.
      “Eu se fosse o responsável pelas Secretas, andava todos os dias a farejar as esquinas das “grandes cidades” Portuguesas a ver quem andava com barba escura e cofió na cabeça” .
      “Depois perguntava ao transeunte se conhecia a Praça de Espanha ou Martim Moniz?”
      ” Se mostrasse conhecimento e ele me soubesse dizer onde ficavam esses dois lugares míticos, deixava-o ir em paz.
      – Este é dos nossos.
      Se não soubesse onde ficava a nossa Meca, recambiava-o de volta para a sua terra Natal”

  2. A tentativa de piada feita com as francesinhas é má de mais. Revela um profundo desconhecimento do autor em relação a um prato gastronómico de toda uma região que só por acaso já é premiado há mais de meio século.

    Tenho também a dizer que o Porto, Lisboa e Algarve já são mecas turísticas e já aparecem desde há muitas décadas a esta parte como o melhor destino para muitas agencias de viagens internacionais. Que o digam por exemplo os britânicos sobre o Algarve. A partir do final dos anos 70, o Algarve não só é apontado como um destino melhor e mais barato que as praias do Sul de Espanha, como é um destino de emigração em massa dos britânicos. Não é à toa que vivem cerca de 17 mil britânicos em Portugal, cerca de 10 mil moram no Algarve e os outros 7 mil estão distribuídos essencialmente entre a Linha de Cascais, a Linha de Sintra e a Foz (Porto), construindo ali autênticos colonatos, clubes e associações desportivas (St Julians, Oporto Cricket and Lawn) de acesso permitido a britânicos.

    Quanto à possibilidade de de acontecer um atentado, é possível. Se há denominador comum aos ataques terroristas que foram praticados pelo ISIS, esse denominador chama-se “efeito mediático” – como aconteceu em Nice poderá muito bem acontecer no Algarve.

  3. Konigvs says:

    Cansam-me os pessimistas e os desgraçadinhos. Sempre a avisar para as desgraças. Nunca nada está bem. Tudo vai correr mal. Cuidado, olha que vem aí o Diabo. É preciso empobrecer. Somos uns coitadinhos, uns piegas. Saiam da zona de conforto. Se não têm boas cunhas emigrem. A porta da rua é a serventia da casa. Tal como me cansam os resistentes à mudança. Não queremos uma nova moeda, sempre tivemos o Escudo. O Escudo é que é bom. Maldito Euro que vem aí. Veio o Euro, e agora há por aí uns comunistas, e até economistas de direita que querem voltar ao Escudo. Deus nos livre mudar tudo outra vez. Como o acordo ortográfico. Só vinte anos depois de ter sido assinado é que se lembraram dele. Antes, era uma obra prima, de consenso, ao contrário do acordo de 1911 que só convidaram o Brasil para ler e assinar. Mas o quê? Mudaram a forma de se escrever? Esta gente está maluca? Mudar para quê? Gosto tanto de escrever as palavras com umas letras que nem se dizem mas eu aprendi assim, hei-de morrer assim! Disseram-me que a Maria apareceu em Fátima, na maior Off-shore de Portugal, e vêm agora dizer que aquilo é uma aldrabice? É matar esses comunistas todos, esses que a nossa senhora, a santíssima disse que se havia de acabar com o comunismo e até era segredo e tudo. Há sempre um velho do Restelo, rezingão, conta tudo e todos. Até conheço gente que ficou chateada por a seleção (sem “c) ter ganho pela primeira vez o Europeu. Porque não jogamos bonito. Mas se jogássemos bonito e perdêssemos como sempre, era porque, como sempre somos uma merda. Puta que vos há-de parir!

    (a propósito já assinaram a petição contra a credibilização do “milagre” de Fátima? É que eu ia dizer que enganar os incautos, com vista ao lucro – que nem paga impostos – até era crime…)

  4. A piada das francesinha demonstra uma azia brutal…..

  5. Paulo Só says:

    Miguel Szymanski o senhor deve ser um húngaro a querer desviar os turistas de Portugal, chegando ao cúmulo de apelar para atentados. Aqui só há atentados ao pudor, caro Senhor e assim mesmo localizados no Palácio de São Bento, em frente ao “Pátio da Cantigas”, uma conhecida casa de fados lisboeta.
    Aproveito para avisar os turistas que assim como a capital da Hungria é Buda e Peste, se é isso que os atrai, aqui temos o Porto e Gaia, na ordem ou desordem, mais ou menos no mesmo género. Quanto às francesinhas, sim, é a única coisa com que concordo na sua mensagem: é uma bifana dragqueen.

  6. A Francesinha uma “espécie de bifanas mascaradas de drag queens”???????? Porrada, Já!

  7. Paulo Só says:

    Algo me diz que algumas pessoas deste site são de Buda ou Peste.

  8. Sou lisboeta. Adoro o Porto e não dispenso a francesinha, já apanhei o Alfa propositadamente para degustar o prato. Visito o Porto regularmente e até já fiz um cruzeiro no Douro , de Gaia até Barca d’Alva. Talvez fosse recomendável o autor passar 1 ou 2 semanas de férias na região…
    Bifanas são excelentes em Vendas Novas, mas nada têm a ver com francesinhas, nem o Alentejo com o Porto, a não ser pertencerem a Portugal…

  9. Apesar da parte histriónica acho alguma piada a drag queens – enquanto jornalista já entrevistei duas. As plumas e as lantejoulas escondem qualquer coisa de palhaço triste e decadência que me toca. E gostei das francesinhas, já comi três ou quatro ao longo da vida. Também gosto muito do Porto, sobretudo dum restaurante, ao pé da estação da Campanhã, que tem nome de poeta algarvio. Passo regularmente férias no Algarve, por questões familiares, e vivi em muitos bairros de Lisboa ao longo de 25 anos.
    Terrorismo, serviços secretos, insegurança no Médio Oriente e na Turquia. Felizmente vejo que a maioria dos contribuintes desta caixa de comentários soube focar o assunto de real interesse e concentrar-se no âmago da questão.
    O meu próximo post no Aventar deverá ser sobre Adorno e a corrente filosófica conhecida como Escola de Frankfurt. Para ver se podemos também falar um pouco sobre salsichas e fumados das Beiras e do Alentejo.

    • Paulo Só says:

      Eu andei a traduzir Zweig, e durante mais de um mês sonhei com o café viennois. Então não posso deixar de aplaudir as salsichas. Em Lisboa até há agora um simpático café na rua Anchieta com exemplares muito razoáveis.

      • O Kaffeehaus, na Rua da Anchieta. A última vez que lá fui, o dono tinha por acaso ouvido uma entrevista que dei à ORF sobre o meu livro “Ende der Fiesta” e ofereceu-me a bica. Quem diz que escrever não compensa?

        • 1º frente says:

          “O meu próximo post no Aventar deverá ser sobre Adorno e a corrente filosófica conhecida como Escola de Frankfurt.”
          “A última vez que lá fui, o dono tinha por acaso ouvido uma entrevista que dei à ORF sobre o meu livro “Ende der Fiesta””

          Ena! Ena!
          Eu+Eu+Eu… O Aventar passou a ter um autor umbigomaniaco.
          Ena! Ena!
          Um fogetório ao homem e rapidamente, enquanto é Carnaval, para que os estrondos não sejam confundidos com algum ataque.

          • Nas linhas que cita não aparece uma vez a palavra “eu”, muito menos, por maioria de razão três vezes “eu”, como insinua. No post em si, nem “eu” nem sequer um “meu”. O comentador é só um pouco desatento ou aderiu aos pós-factos?

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