A exactidão e o estendal


Como outros passeiam os cães de companhia, ela traz à rua o seu estendal.

— Carla Romualdo

Nun, was >Tatsache< hier meint, ist nicht die Tatsãchlichkeit der fremden Tatsachen, mit denen man fertig werden muß, indem man sie sich erklãren lernt.

Hans-Georg Gadamer

J’ai passionnément désiré être aimé d’une femme mélancolique, maigre et actrice.

— Stendhal, 30/3/1806

***

Eis como alguém na RTP decidiu traduzir para português europeu o remate do «We’re just not going to sit back and let, you know, false narratives, false stories, inaccurate facts get out there» de Sean Spicer.

rtp-2522017

Agora, aproveitando este intervalo dado quer à frase nuclear, na perspectiva de Grevisse e de Goosse, quer aos sintagmas nominais do Antoine de La Sale, regresso ao Krugman (que percebe imenso de factos) e ao meu espanto por ver o Searle (um velho conhecido do Aventar) mencionado por aquelas bandas.

Continuação de um óptimo fim-de-semana.

***

Comments

  1. Paulo Só says:

    No inverno, e lembro-vos que estamos no inverno ainda, não há fatos sem precisão. No verão precisão de factos de banho.

  2. A propósito especialmente dos “fatos” (por factos) e dos “contatos”, eu estava tão convencida que, mesmo pelo AO90, se escreviam com C (já que se este se pronuncia), que há dias num comentário corrigi alguém, dizendo-lhe isso mesmo.
    Qual não foi o meu espanto quando outra pessoa que percebe do assunto (e também da parte legislativa do AO), me deixou a seguir este comentário:

    “Maria Martins , eu não concordo. Leia a Base IV, n.º 1, al. c): à luz do AO90, que não à luz do bom senso, a facultatividade “facto/fato” é irrestrita territorialmente.
    Ou seja, pode grafar-se “fato” em Portugal, tal como “contato”, segundo o AO90.
    Não há qualquer restrição territorial.
    O único ponto é uma cópia do comentário ao AO86 de IVO CASTRO / INÊS DUARTE, na “Nota Explicativa”, segundo o qual os dicionários fixariam a terminologia das consoantes “c” e “p”.
    Porém, não me parece que o Anexo II (“Nota Explicativa”) tenha o valor de poder prevalecer sobre o Anexo I (“Bases”) do Tratado.”

    Claro que, se assim for, ainda é pior do que eu pensava. É a lei do “vale tudo”: desde que se escreva de um certo modo no Brasil e ainda que por cá se pronuncie de modo diferente, temos a dupla grafia mesmo em Portugal, o que é tudo menos “ortografia”.
    Se calhar os “fatos” do DR até seguem mesmo o “acordo”, cada vez mais confuso….

Trackbacks

  1. […] Efectivamente, durante as tardes de sábado, convém ler o Aventar. […]

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