Paraísos fiscais, bancos centrais e políticos…


Ao contrário do que muitos julgam, fruto da confusão instalada no decurso da luta política, a existência de paraísos fiscais não é benéfica para a economia, porque prejudica a livre concorrência, ao não colocar em pé de igualdade as pequenas e grandes empresas. Por isso os governos, EUA e UK à cabeça as mantêm e controlam com mão de ferro. Nas ditaduras é óbvio, mas também nas democracias os governos gostam de se imiscuir na actividade económica, seja através de políticas expansionistas com o fim de iludir eleitores e conquistar votos, seja em negócios mais ou menos promíscuos, que acabam sempre favorecendo corporações ou grandes empresas instaladas, o que naturalmente procuram esconder.

Há muito que a livre circulação de capital é cada vez mais regulada e vigiada, por um lado fruto da necessidade de combater o financiamento do terrorismo ou tráfico de droga, o combate mais eficaz a este último flagelo seria a total liberalização do consumo, mas por agora os governos nem querem ouvir falar disso, com a participação da Banca internacional que não se tem dado mal com a proximidade ao poder político que a salva em caso de perdas financeiras, mesmo que motivadas por gestão ruinosa. O dinheiro deixa rasto e tratamentos fiscais mais favoráveis, vejam-se os que existem em território norte-americano ou europeu, incluindo a Madeira, não estão ao alcance nem foram criados para favorecer o cidadão comum, nem tão pouco uma PME ou startup.
Até 1971 o governo norte-americano estava condicionado pelo padrão-ouro na emissão de moeda, mas os gastos colossais no Vietnam a par da desastrosa política económica, levaram a que R. Nixon, provavelmente o pior presidente na História dos EUA, colocasse um ponto final nos acordos de Bretton Woods, dissociando o usd do ouro. Obviamente que os restantes países foram forçados a seguir o exemplo, dando início ao sistema flutuante em vigor, para deleite dos políticos que passaram a ter nos Bancos Centrais um instrumento que lhes permite manipular o valor da moeda.
Os Banco centrais servem na prática para cartelizar o sistema bancário e simultaneamente financiar os gastos governamentais, emitindo mais moeda sempre que o Estado gasta demasiado, provocando falta de liquidez nos Bancos comerciais, que deixam de ter dinheiro disponível para emprestar. Se não emitissem moeda, os juros subiriam exponencialmente porque a procura é incomparavelmente maior que a oferta. Desde 1971 que não conheço governo algum que tenha reduzido o seu poder, influência e naturalmente os gastos. Porque existe um limite à capacidade de cobrança fiscal, o sistema tem aumentado sistematicamente as dívidas. Mas tudo isso também terá um fim e não será bonito. Podem chamar o sistema de capitalismo, não digam é tolices como selvagem, livre ou fora de controlo. Porque o que existe é regulação a mais e liberdade a menos. Sempre em proveito de alguns, os que estão próximos do poder e pagam dividendos aos políticos…
Obviamente que empresas e particulares aproveitam o que têm, obrigados que estão a seguir regras, gostem ou não. Só um tolo não aproveitaria a oportunidade de taxar de forma reduzida a sua actividade, se o pode fazer. Veja-se o recente caso dos pensionistas suecos, na verdade a legislação portuguesa oferece igual oportunidade a todos pensionistas, não importa a nacionalidade, a realidade é que as pessoas não gostam de pagar impostos, deixemo-nos de hipocrisias e quando podem não pagar, não pagam. Aliás esse é o princípio da existência da economia informal, deixemo-nos de falsa moralidade ou conversa da treta.

Comments

  1. Hélder P. says:

    Até consigo concordar com parte da sua análise. A questão é que se a criação do dinheiro vindo do nada pelos bancos centrais é já talvez um pecado original, não vejo alternativa melhor.
    Há uns anos ouvi um responsável da banca alemã a defender a desmaterialização do dinheiro e que os bancos comerciais passassem a criar dinheiro virtual em lugar dos bancos centrais. Assim acabavam-se as crises bancárias segundo o iluminado. Que jeito que iria dar ao Deutsche Bank! Os bancos já não podem falir, agora passaríamos mesmo a assumir que já não seriam empresas privadas normais, seriam uma espécie de Deuses na Terra, Santa Casas das Misericórdias do Capital, Estados acima dos Estados, a fazer o trabalho do criador. Como a casta se acha especial!

    Voltar ao padrão-ouro também já não é solução.
    Dos paraísos fiscais, estamos conversados. Eu não consigo encontrar uma única razão moralmente válida para que eles existam.
    Isto está como está precisamente por falta de poder e autoridade regulatória dos Estados.

    • Paulo Marques says:

      Quem cria a maior parte do dinheiro são os bancos privados consoante os multiplicadores permitidos por lei, os bancos centrais são uma percentagem irrisória até com QE.

      O padrão ouro é incapaz de responder a crises, é um fenómeno mais que estudado e só uma economia que escapou aos efeitos da guerra é que foi capaz de o manter tanto tempo.

  2. não existe uma razão válida para a existência de paraísos fiscais.

    existem muitas inválidas.

  3. Se a memoria não me atraiçoa, aqui à uns anos um senhor, Greenspan creio, que houvera sido presidente da reserva federal durante quase TRES décadas e paladino da “liberalização” dos mercados, de capitais inclusivè!, após ter deixado aquele cargo e passado a consultor financeiro, assumiu publicamente, ao que constou!, ter-se enganado quando se convenceu que os mercados liberalizados se AUTO-regulavam.
    De facto, a economia mundial ou a nova ordem económica, parece demonstrar que a liberalização não consegui auto-regular-se mas antes AUTO-CARTELIZAR-SE. Talvez esteja aí a razão porque 1% detem a riqueza produzida pelos restantes 99% PRODUTORES. Dizem……que eu sou do tempo do 2+2=4.

  4. José Peralta says:

    Sim ! Há pessoas a ler jornais e as dúvidas que “ainda” tinham, começam a ser certezas !

    E eu sou uma dessas pessoas !

    https://www.noticiasaominuto.com/pais/748088/offshores-nuncio-nao-autorizou-divulgacao-acusa-ex-diretor-do-fisco?utm_source=gekko&utm_medium=email&utm_campaign=daily

    Querem ver que a cristas ainda vai fazer “queixinhas” a marcelo, contra o “abuso” da liberdade de Imprensa ?

Deixar um comentário

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s