O triunfo do fundamentalismo liberal


A confirmarem-se as notícias avançadas hoje, primeiro pelo site Axios, posteriormente confirmada por um dos órgãos oficiais do regime Trump, a Fox News, os Estados Unidos poderão estar a ultimar a saída do país do Acordo de Paris sobre as alterações climáticas, juntando-se assim à Síria e à Nicarágua, os dois únicos Estados-membros da ONU que, segundo o DN, não apoiam o acordo.

Nada disto nos pode admirar. Trump é um negacionista das alterações climáticas, rodeado de fundamentalistas da poluição, nomeou Rick Perry secretário da Energia (departamento que o próprio Perry queria ver extinto, por ser um autêntico activista dos combustíveis fósseis, ou não fosse ele governador do Texas) e ainda conseguiu a proeza nepotista de escolher a filha Ivanka para liderar um painel de especialistas que irá rever a posição dos EUA nos vários acordos aos quais está vinculado, nomeadamente o Acordo de Paris. De pouco adiantou o presente oferecido pelo Papa Francisco.

A verdade é inconveniente mas é o que é. A extrema-direita e os seus primos neoliberais, dois dos grandes pilares que sustentam a ascensão do vírus Trump, estão-se nas tintas para as alterações climáticas. Juntam-se nas conferências da Heritage Foundation, aplaudindo teorias absurdas que negam aquilo que está literalmente a acontecer, financiadas pela ganância terrorista de uns quantos magnatas do petróleo, como os trogloditas irmãos Koch, sempre na expectativa de aumentar os seus lucros, ainda que tal implique a destruição do nosso habitat natural.

Nada mais importa. Os efeitos das alterações climáticas, mais que visíveis e mensuráveis, são irreversíveis? Não importa. Cada um que se safe por si e, se não conseguir, que vá morrer longe. Há bases militares norte-americanas em perigo? Fantástico: eis uma oportunidade de ouro para as empresas de construção edificarem novas bases. Existem milhões de seres humanos e animais em risco iminente de vida? Danos colaterais inevitáveis da liberdade absoluta de lucrar, doa a quem doer, que não há maior liberdade do que aquela em que lucro não conhece limites, ainda que outras liberdades tenham que ser atropeladas.

Quando Trump foi eleito, uns quantos imbecis tentaram convencer-nos que o novo presidente norte-americano era um tipo independente que não batia continência ao sistema, nomeadamente ao império de Wall Street. Naturalmente, não foram precisos muitos meses para perceber que Donald Trump é o sonho molhado de tudo o que é especulador, mercenário e abutre financeiro. A se a extrema-direita racista, xenófoba, violenta e intolerante vive dias de êxtase, rezando pelo regresso da escravatura e da segregação, os neoliberais rejubilam com a chegada desta espécie de messias do totalitarismo do lucro. Menos estado, direitos civis, saúde e educação, mais violência, impunidade, terrorismo financeiro e ausência de regras. Excepto a do mais forte, a favorita dos liberais que se batem pela liberdade de oprimir e subjugar.

Imagem via Yale Climate Connections

Comments

  1. joão lopes says:

    ora,não é este hombre um tipo dos negocios,com muita experiencia profissional(a falir casinos em atlantic city),com muita experiencia de vida,um mouro de trabalho,como sugerido por exemplo,pelo Jose Rentes de Carvalho,num artigo no CM? se este é o prototipo do hombre de negocios,então o mundo esta definitivamente quilhado,ou seja estamos todos lixados…

  2. JgMenos says:

    Tudo boas razões para a esquerdalhada indígena manter os ódios a Merkel e festejar o Brexit!

  3. Paulo Marques says:

    Estes capitalistas matam mais pessoas que os terroristas, mas ninguém liga porque a propaganda assenta melhor com os nossos valores.

  4. A exploração do gás de xistos em solo americano já destruiu um grande aquífero. E isso não é propagado até porque eles querem fazer os estragos em outros países. O Brasil é um deles.
    É! É a “lei do mercado” que está no poder. Até na manipulação dos povos.

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