Uma verdade inconveniente


Um homem dá por si a actualizar-se sobre o que se passa no mundo, e descobre que Ivanka Trump, a filha do presidente norte-americano cujos produtos foram ilegalmente promovidos pela alucinada conselheira Conway, com o selo e a bandeira dos Estados Unidos como pano de fundo, foi escolhida pelo pai para liderar um painel de especialistas que irá rever a posição dos EUA nos vários acordos aos quais está vinculado, nomeadamente o Acordo de Paris, no âmbito do combate às alterações climáticas.

Escusado será dizer que a filha do troglodita tem literalmente zero experiência na área que vai agora liderar. Claro que, depois da nomeação de um negacionista das alterações climáticas com ligações à indústria petrolífera para a pasta da Energia, entre outras que me fazem por vezes duvidar se tudo isto é real ou uma spin-off do House of Cards, já pouco me surpreende. O fundamentalismo neoliberal está preparado para arruinar definitivamente o ambiente, quiçá na expectativa de no futuro facturar milhões com oxigénio e derivados.

Não deixa de ser assustador, e eu estou mesmo assustado, que este lunático que se conseguiu eleger presidente da superpotência norte-americana, rodeado de xenófobos, racistas, supremacistas brancos, apologistas da violência e restante escumalha de extrema-direita, não tenha qualquer problema em assumir abertamente que se está nas tintas para o futuro do planeta. Que insulta a humanidade, a braços com uma crise ambiental sem precedentes, escolhendo a filha para influenciar decisões que a todos afectam. E ainda há quem ache que não temos motivos para estar preocupados, que este é um presidente normal, como outros que o antecederam. Não é.

Censura e manipulação da opinião pública, políticas segregacionistas, muros e discórdia, perseguição e saneamento de representantes e responsáveis públicos independentes, cedências aos caprichos de Wall Street, ao sector energético dos combustíveis fósseis e à extrema-direita racista e violenta, ligações suspeitas ao submundo da política oligárquica russa e nepotismo. Eis a era Trump, resumida em poucas palavras. Eis como um presidente democraticamente eleito conseguiu, em poucos meses, transformar a gestão da superpotência mundial numa empresa privada por si comandada, onde os lugares-chave estão nas mãos da família e de uns quantos amigos fanáticos, não muito diferentes de um qualquer oficial do Daesh, dispostos a destruir o ambiente, a paz mundial e o que resta da democracia em nome do lucro fácil e, se possível, ilimitado, ainda que tal signifique uns quantos milhões de desgraçados desalojados e sem nada para comer. O sonho neoliberal em todo o seu esplendor.

Foto via CNN

Comments

  1. JgMenos says:

    Quando ser grunho e treteiro dá votos acontecem as maiores alarvidades.
    Se é assim cá, porque não nos USA ou na Venezuela?

    • Ricardo Almeida says:

      Caro, o que Trump (e por extensão, qualquer um dos seus familiares que ande a dormir na Casa Branca) anda a fazer com o clima ultrapassa direitas e esquerdas.
      Não se trata de atacar o capitalismo, defender o comunismo ou publicar a bíblia do neoliberalismo. Ao escalar a crise climática (sim, acredito que o tempo para teorias já acabou à muito. O aquecimento global não é uma teoria sujeita a interpretação: é um facto), Trump converte-se numa ameaça a todos os seres vivos do planeta, humanos ou não, animais ou vegetais, independentemente do credo político, religioso ou da cor das peúgas.
      Já percebi que o senhor é troll profissional, o que é uma gigantesca perda de tempo se me permite a franca opinião, mas está no seu direito de criticar a esquerda, nem que esta surja com um plano para eliminar a dívida pública portuguesa em 2 meses. Um troll é sempre um troll e mesmo que o governo oferecesse um apartamento a cada português de graça, o troll iria descobrir um ponto negativo algures e explorá-lo até à exaustão.
      Mas lá está, criticar medidas que se enquandram claramente numa zona do espectro político e que afecta apenas um conjunto muito finito de pessoas não é nada de extraordinário e revelam a sua posição como troll.
      Mas este tipo de críticas bacocas, a eterna e cansada cassete de comparação à Venezuela, ou Coreia do Norte, ou Cuba, ou numa questão que transcede toda a política, apenas o revelam como idiota.

    • joão lopes says:

      USA e venezuela na mesma frase,de um observador que passou a vida a fazer propaganda ao Trump…por isso é que voces não passam de bebes chorões mimados,não sabem o que querem.ja´agora,não passas de um troll igualzinho ao bebe chorao trump.

    • José Fontes says:

      Olharapo JgMenos:
      De grunhos e grunhices percebes tu.
      És peixe na água.

  2. Tal e qual quando passetes foi eleito pelos Luso-grunhos.

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