Um casamento fatal

Na assembleia geral realizada sexta-feira passada em Bona, o chefe da Bayer garantiu aos accionistas que “a aquisição da Monsanto se adequa perfeitamente à estratégia da empresa” e irá contribuir para o seu sucesso a longo prazo. O negócio, que a Bayer prevê fechar até ao fim do ano (obtido que está já o OK de Donald Trump, em troca da promessa de investimentos de milhares de milhões e de postos de trabalho nos EUA) e que só depende de luz verde de autoridades reguladoras em 30 países e da Comissária europeia da Concorrência, vai criar um quase monopólio sobre os mercados globais de sementes e produtos químicos agrícolas.

A hipócrita argumentação da Bayer para ocultar a lógica da avidez de lucro e de poder soa assim: Como poderemos, em 2050, alimentar 10 mil milhões de pessoas sem prejudicar o meio ambiente? Tendo em conta as mudanças climáticas e o limite de terra cultivável, é importante aumentar a produção de alimentos usando menos recursos, para assim satisfazer a crescente necessidade de alimentos. A Bayer está convencida de que, para isso, a promoção activa de abordagens inovadoras na agricultura é essencial.

Patranhas de lobo em pele de cordeiro. O sector agrícola já hoje se caracteriza por uma forte concentração: 75% do mercado global de sementes é controlado por apenas 10 empresas, outras tantas dominam 95% do mercado global de pesticidas. Com a megafusão, vai emergir uma corporação que, a nível mundial, dominará 30% do mercado de sementes e 24% do de pesticidas. A Baysanto determinará em grande parte o que comemos, como cultivamos os alimentos e os medicamentos que tomamos. [Read more…]

Vacinas e fascismo social

O CDS acaba de apresentar na Assembleia da República um projecto de resolução que visa impedir o acesso ao Ensino, desde o pré-escolar à Universidade, a todos os cidadãos que não comprovarem “ter a vacinação recomendada pelo Programa Nacional de Vacinação em dia”. Os vinte casos de Sarampo com que se espalhou o medo, esse sim, epidémico, foram as Pancadas de Moliére.

Aguarda-se que a próxima iniciativa legislativa seja a de propor que a DGS faça a recolha de amostras de ADN de toda a população, com carácter obrigatório e compulsório, identificando aqueles que carregam nos seus genes os sinais de doença hereditária, impondo-lhes a esterilização imediata, sob ameaça de castração. Ficará praticamente assegurada a imunidade de grupo a doenças como a Hipertensão Arterial, a Doença de Alzheimer, a Diabetes, vário tipos de Cancro, a Obesidade, a Trissomia 21, a Fibrose Cística, a Hemofilia ou a Hemocromatose, entre outros males. Bem-vindos ao Fascismo Social.

O drama venezuelano

A ideia nem era má. Tirar (um bocadinho) aos ricos para dar aos pobres, construir casas para sem-abrigo, escolarizar os bairros de lata. Só que não chegava. Chávez chegou ao poder pela via democrática, foi reeleito duas vezes, a última das quais com números esmagadores, mas nunca teve hipótese nenhuma contra o sistema. O sistema que não gostou de ver a oligarquia venezuelana tomada de assalto por nacionalizações e reformas agrárias. O sistema que não queria mais pólos potencialmente perturbadores para a pax americana. O sistema que tinha (e tem) um império mediático, falível mas extremamente poderoso, que usou para minar a opinião pública. Que desempenhou um papel-chave num golpe de Estado falhado em 2002, patrocinado por Washington, onde à data fazia a lei George W. Bush, esse grande democrata que nunca oprimiu ninguém. Tudo isto, e o muito mais que poderia ser referido, não pode ser ignorado. Tal como não pode servir de justificação para tudo.

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A evidência científica

Dez longos meses de “evidência científica”.

Planando sobre Marte

Jan Fröjdman compilou em vídeo, ao longo de três meses, um conjunto de imagens da sonda HiRISE, em órbita de Marte. Um trabalho notável.

É sim senhor, Dr. Passos Coelho

O líder do PSD fez a habitual visita à Ovibeja, terra de perigosos comunistas, e aproveitou os seus cinco minutos de imprensa para dizer ao país que o mérito pela descida do desemprego é das reformas laborais implementadas pelo seu executivo. E desta vez, honra lhe seja feita, o Dr. Passos Coelho até tem alguma razão. Só em não-piegas que naqueles anos abandonaram o país, o governo liderado por Passos Coelho conseguiu a proeza de reduzir significativamente os números dos centros de emprego. Dos centros de emprego e da população jovem, fértil, activa e licenciada, alegadamente a melhor preparada de sempre. Tem toda a razão, o senhor deputado. Ainda no outro dia, o seu colega Carlos Abreu Amorim fez questão de recuperar esse grande feito. Saudades daqueles tempos de boa engenharia.

Foto: Nuno Ferreira Santos@Público

 

Vacinas: direito à segurança e à informação

A comunicação social, tal como as próprias instituições do Estado, entre as quais o Ministério da Saúde e a DGS, têm prestado um mau serviço ao país e à sua população na polémica questão das Vacinas. Através da manipulação de factos, ocultação da verdade e sonegação de informação vital ao esclarecimento de todos, foram lançados a confusão e o medo na opinião pública, com o propósito de iniciar uma discussão sobre a obrigatoriedade compulsória das vacinas e facilitar a sua implementação. Não é a primeira vez que tal acontece, estando ainda na memória de muitos o gigantesco logro que foi a falsa epidemia de Gripe A, uma campanha inventada que custou milhões de euros ao país, em vacinas que ninguém tomou.

Robert de Niro

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