Fazendo um desenho para explicar


Onde é que fica o Canadá?

A Sr.ª Cristina Miranda resolveu tecer umas quantas considerações tituladas “Porque Arde Tanto Portugal?“.  Não sendo pessoa de deixar o assunto pela rama, assim me parece, encontrou um conjunto de explicações para este nacional desígnio dantesco.

Tal como acontece nos testes de escolha múltipla respondidos aleatoriamente, algumas opções estarão certas, outras estarão erradas. Entre as respostas, parece-me ler um dedo acusador ao Estado, negligente, se bem que esta tese não explique como é que as matas nacionais da orla costeira têm ardido menos, comparando com cenário nacional. Nem explica, também, como é que Mação voltou a arder, mesmo quando o Estado fez tudo bem, segundo dizem.

Querem ver que o clima influencia os incêndios?! O que nos leva ao caso do Canadá, evocado pela autora. “No Canadá, um país com grande mancha florestal densa, não arde como nós. Como é possível?”, escreve a Sr.ª Miranda, afirmando logo de seguida que “a resposta é simples”, sem que, no entanto, se evoque um conceito chamado “latitude” e o respectivo efeito, a par de outros factores, no clima e, em particular, na humidade e nas temperaturas de uma região. Como estamos cá para ajudar, deixamos aquele desenho ali acima e mais umas infografias.

Temperatura no Canadá a 31/07/2017. De registar as regiões escaldantes com uns amenos 25ºC a 30ºC.

 

Humidade no Canadá a 31/07/2017. Um claro panorama de seca húmida.

 

Perigo de incêndio no Canadá a 31/07/2017. Falta ali na escala o Portugal Dantesco, para as temperaturas superiores a 35ºC e as baixas humidades relativas.

Mapas: Canadian Wildland Fire Information System

E, já agora, onde ardeu Portugal em 2015 e em outras datas.

Área ardida em Portugal em 2015. Fonte: PORDATA

Talvez valesse a pena ler o que escreveu Jorge Paiva, agora e há dez anos. Ou então, podemos sempre ficar pelas trivialidades. No fundo, já sabermos que o Estado é a causa dos problemas e que nada arderia se tudo fosse privado. Ah!, esperem, Portugal “regista a maior percentagem, a nível mundial, de área florestal no regime de propriedade privada”, onde “cerca de 97% da área florestal nacional é pertença de centenas de milhares de famílias, de comunidades rural e também de empresas, com destaque para o sector da pasta e do papel”.

Posse das áreas florestais (fonte: FAO), via “Acréscimo

Para terminar, talvez não fosse má ideia verificar a eventual existência de uma correlação entre a distribuição das espécies de monocultura, eucalipto incluído, as áreas ardidas, o tamanho das propriedades e a densidade populacional. Aproveitamos para adiantar trabalho, aqui deixando duas fontes.

Distribuição do género Eucalyptos em Portugal Continental, via Minho Digital

 

Distribuição de espécies florestais (Portugal continental) via Museu do Papel

Aqui fica a sugestão para as estudiosas e estudiosos do assunto. Ou então, faz-se uma lei e está o problema resolvido.

Comments

  1. Boa posta!

  2. JgMenos says:

    Então o ardido não é eucalipto? Espantoso!
    E a nova lei declara-o inimigo público nº1? Espantoso!
    E na lei velha as Câmaras podem mandar limpar floresta e cobrar dos proprietários, e não o fazem? Espantoso!
    E há novos boys para a defesa civil em vésperas de incêndios? Tão normal no baile da boyada!

  3. J.Pinto says:

    É impressão minha ou o antepenúltimo mapa (Pordata) não é muito coerente com os dois últimos?

    Ou seja, a correlação entre a área ardida e a ocupação de eucaliptos não é assim tão grande conforme muitos nos querem fazer cres?

  4. J.Pinto says:

    É impressão minha ou o antepenúltimo mapa (Pordata) não é muito coerente com os dois últimos?

    Ou seja, a correlação entre a área ardida e a ocupação de eucaliptos não é assim tão grande conforme muitos nos querem fazer crer?

  5. O mapa “Distribuição do género Eucalyptos em Portugal Continental, via Minho Digital” não me inspira confiança. Conheço bem o distrito de Coimbra e sei que a mancha de eucaliptal é muito superior àquilo.

  6. J.Pinto says:

    Eu também conheço bastante bem o alto Minho (e o Minho todo) e não me parece que haja assim tantos eucaliptos como aparece no mapa.

    • Pois… não deve estar lá muito certo. O segundo mapa talvez esteja um pouco melhor (Distribuição de espécies florestais (Portugal continental) via Museu do Papel). Se bem que *actualmente* a zona da Figueira da Foz deveria estar mais amarela. Talvez não tenha dados recentes.

  7. Pedro says:

    Isto é muuuuito complicado. Os eucaliptos ardem ou não ardem mais do que os sobreiros? É muuuito complicado. E arderá mais facilmente do que o betão?… Meus caros, o país é pequeno, em três dias vê-se tudo. Que tal tirarem um tempito para irem verificar quais as áreas mais ardidas e se têm ou não mais eucalipto do que os outros?

    • António Barreto says:

      Não ardem, nem ardem á mesma velocidade. faça um pequeno exemplo se para isso tiver oportunidade. Num recuparador de calor ou numa salamandra, coloque uma pequena rama de um e de outro. Acresecento um outro pormenor, ainda relacionado com tão uteis equipamentos no inverno. Se existir um problema com um deles, em que seja necessário acionar a garantia, a primeira coisa que o fabricante vai verificar é o tipo de lenha que foi utilizado.Se foi eucalipto…lá se vai a garantia, porque? por um dos motivos que torna os incendios em manchas de eucalipto avassaladores, liberta uma maior quantidade de calor para a mesma quantodade de madeira.

      • Albino says:

        Não isso não é verdade. A garantia não depende do PCI ou do PCS da madeira usada.
        Depois outra mentira é a de que o Eucalipto dá mais calor. Se assim fosse a madeira de Eucalipto seria mais cara que a outra. Ora verifica-se exactamente o contrario.
        Por isso António Barreto reveja la´os seus conhecimentos, que estão simplesmente errados.
        Já agora o PCI do eucalipto seco(humidade <4% ) é de cerca de 20000Kj/Kg enquanto que o PCI do Pinheiro nas mesmas condições é de 20500 Kj/Kg, contrariando completamente a sua "teoria".

        Albano

  8. Até a minha pintelheira ardia se eu lhe pegasse o fogo.

  9. Albino says:

    Não sejam cordeirinhos.
    Aqui o “postador” não vos está a dizer quantas vezes cabe a area de Portugal que na zona vermelha, onde o perigo de incêndio é “Extremo” no dia 31 .
    Não sejam cordeiros pensem pelas vossas cabecitas , a comparação da Miranda está correcta, nós somos muito maus nesta coisa dos incêndios.
    Aqui o Cordeiro merece um premio de consolação mas só para a trabalheira que teve a reunir toda esta informação ( também não tem mais nada para fazer) . Infelizmente o tiro saiu ao lado, mas nada está perdido , basta “esquecer-se” de dizer que nessa area vermelha existe mais floresta que em 8 Portugais, e prova que além de tempo para se entreter com estas coisas, é “muitasperto” e que a Miranda não percebe nada. Alias coisa que à partida já estava provada, pois todos nós sabemos (menos a Cristina) que lidamos lindamente com esta questão dos incêndios. Este ano, até agora, só morreram 64 pessoas. Imaginem que não eramos maus na coisa , quantos já teriam morrido e quantos mais hectares teriam ardido.

    Albino

    • O que o caro anónimo, que assina Albino, afirma é que a zona vermelha no mapa “Perigo de incêndio no Canadá a 31/07/2017” tem risco de incêndio “Extremo”, sem que, no entanto, refira que essa é, sensivelmente, a mesma zona que no mapa “Temperatura no Canadá a 31/07/2017” corresponde a uma temperatura de 25ºC a 30ºC. E em Portugal, quando temos risco de incêndio marcado como “Extremo”, quais são as temperaturas associadas? E qual é a humidade do solo e do ar em cada país para esses riscos? Pois é, comparar alhos com bugalhos dá nestas coisas.

      Os dados e referências usados no post estão visíveis. Ninguém é impedido de fazer a sua leitura.

      Se o caro anónimo, que assina Albino, tivesse o cuidado de ler o post sem filtros, veria que não se tecem considerações sobre os portugueses serem bons ou maus a combater incêndios.

      Uma nota quanto ao restante comentário. Tece considerações pessoais sobre o “postador”, como fazem os que matam o mensageiro quando a mensagem desagrada. Típico de certa forma de discutir. Adiante, não gastarei mais tempo nisso.

    • Agora as cenas giras.

      O anónimo, que assina Albino na parte do nome do comentador, assina no fim de dois comentários neste post com nomes diferentes, um como Albino e outro como Albano. Um problema de identidade ou dislexia, só pode.

      Mas mais engraçado é que, no espaço de cerca de 40 minutos aparece com dois IP diferentes e cada qual associado a localizações distando milhares de quilómetros. Já para não falar que ali noutro post, num do António Almeida, aparece ainda com outro IP.

      Gente sábia é assim. Também tem o dom da ubiquidade. Isso ou gosta dos servicinhos de coisas como Hide My Ass, o que nos levaria a questionar a razão de se dar ao trabalho de esconder a sua pegada. Certamente que haverá outra razão que o pobre “postador” não está a ver. Só pode. Alguém que dá lições de elevação não se mete em trolling nem, muito menos, em coisas de perfis falsos tipo Abrantes ou Sebastiões.

      • Albano says:

        e não é que o Cordero até sabe ver os ip`s, ganda cabeça f*da-se.
        Ele quer saber quem os comentadores são, conhecer um ip pro Cordero é como estar cara a cara, ele é assim, um ip é mais identificativo que um BI. Na ex-URSS também praticavam esta política de “coragem” até para plebiscito. Eram todos muita corajosos, aquilo é que era bom.
        Faz comentários sobre alguém esconder a pegada mas perde tempo a “estudar” as pegadas. Claro que a malta da esquerda tem este tique da perseguição. Quando o opinador não é da mesma cor é necessário ser identificado.
        Questiona-se sabiamente para que ser´+a que alguém esconderá a sua pegada , depois de andar a investigar essa pegada. Ó morcão a situação não é auto-explicativa ? Tens algum défice cognitivo é . Evidentemente que é para tu não saberes quem sou. è dificil de deduzir ?
        Agora sobre os teus argumentos falaciosos lá amanhaste uma desculpa esfarrapada, está fixe.

        Agora vou ficar à espera da ladainha do “dar a cara”, “ser homem” etc, etc… mas não esquecer que pode tratar-se de uma mulher, que como todo o igualitário sabe “coragem” apenas se exige ao homem.
        Ou da ladainha do Trollice como se o argumento apresentado não tivesse tido o efeito de arrancar uma explicação esfarrapada.

        P.S. já me esquecia , não se ofenda com os fuck´s e etc , é vernaculo mas tem a sua piada, os seus alunos também os usam, não sejamos tão puritanos…

        • Bem apanhado!! anda a investigar os outros!!! e ainda têm moral para criticar o camoes ou o abrantes !! isto é gente cheia de “interesses” e recursos. Pena que lhes fuja o pé e se denunciem tanto.

          • Meu deus, vem aí a STASI, o KGB e a CIA juntos LOL
            Se investigar é reparar que o IP que vem no mail de notificação dos comentários vai variando e constatar que está associado proxies, percebe-se como é que neste país nada se descobre.

            0% de contra-argumentação é o que eu vejo. O resto são lérias.

  10. Paulo Só says:

    Já agora poderiam pedir a uma Universidade que estudasse essa questão, e comparasse a dispersão habitacional, a propriedade e cuidados com a floresta, os métodos de prevenção e de combate. Eu acho que se aprende muito com os outros, sobretudo se têm resultados melhores. Não é em dez minutos que se chega a um conclusão, são questões bastante complexas.

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