Coisas inauditas e nunca antes vistas


Quando um ministro vai ao Facebook de um amigo, João Gonçalves, o qual foi assessor no anterior governo, já agora, entrar em diálogo com outra pessoa sobre a sua malfadada entrevista ao DN e TSF. [link actualizado]

João Gonçalves
Não vou dizer nada porque me considero seu amigo. Mas também não é a mim que compete dizer o que quer que seja.

José Alberto Azeredo Lopes
Pode comentar, meu caro João Gonçalves. E criticar como entender. Esperando porém que (mas só se lhe apetecer) vá ler o que afirmei e em que contexto o afirmei. Assim se percebendo que, ao contrário (muito ao contrário) daquilo a que o título induz, não tomo a hipótese como séria. Um abraço, az

Pedro Moura
Ó senhor ministro, fui ouvir e foi pior a emenda que o soneto! Então os inventários da tropa estão todos mal, é isso? Querem lá ver que afinal podemos andar a ser roubados todos os dias que ninguém sabe de nada?

José Alberto Azeredo Lopes
Pedro Moura , a elaboração dos inventários, através de sistemas de gestão mais eficientes, tem realmente que ser melhorada, e vai ser melhorada. Isso explica, por exemplo, que inicialmente não tivesse sido fácil identificar a parte do material desaparecido que estava obsoleto. É esse um dos aspectos a melhorar que resulta do relatório de auditoria da IGDN. Um abraço, az

Pedro Moura
Senhor Ministro, desculpe, mas isso é apenas parte do problema. O ponto principal do problema é saber que material (bom ou mau, em condições de uso ou obsoleto, é indiferente para o que pretendo) e em que quantidades é que está em cada paiol. Se não se sabe o que é que lá está e quanto é que lá está, então podemos andar a ser roubados (de qualquer tipo de material) todos os dias que nunca iremos dar conta…
Deste ponto vem outro, independentemente de estar obsoleto ou não, o material é perigoso nas mãos erradas. E isso não devia ser desvalorizado como foi. E isso tem que trazer responsabilidades (vulgarmente designadas por “rolar cabeças”) – ninguém pode perder material sob a sua responsabilidade e continuar como se nada fosse.
Terceiro problema, senhor ministro, e não o quero incomodar mais, os inventários da tropa são ou não de confiança? Nem falo da parte do material obsoleto, falo apenas das quantidades (X de granadas, Y de armas assim, Z de armas assado). Os inventários da tropa são ou não de confiança? E se não forem, quem é que é responsável por isso? Quem é que tem que se chegar à frente?
Muito Obrigado pela sua atenção.

José Alberto Azeredo Lopes
Pedro Moura , obrigado pelo seu comentário. Se reparar, na própria entrevista eu afirmo a gravidade do desaparecimento de material militar, seja ele obsoleto ou não. Mas concordará que sempre será menos mau que ele seja obsoleto do que o contrário. Foi esse o sentido da divulgação dessa informação, quando foi conhecida. Quanto à responsabilidade, o Exército instaurou já processos disciplinares, e aguarda-se a evolução da investigação criminal. Quanto aos inventários do material militar, há é que melhorar a forma de os elaborar. Aliás, sobre a sua fiabilidade, mesmo neste caso há documentos que comprovam, sem margem para dúvida, por que motivo aquele material obsoleto específico estava, em concreto, naquele paiol (e há quanto tempo). Um abraço, az

Pedro Moura
Então, Senhor Ministro, se tem esses documentos, o senhor não pode dizer: “depois há finalmente a questão do sistema de gestão de informação que nos permita saber o que é que está onde, quando, etc., para se evitar que depois se possa discutir se houve ou não furto. No limite, pode não ter havido furto nenhum. Como não temos prova visual nem testemunhal, nem confissão, por absurdo podemos admitir que o material já não existisse e que tivesse sido anunciado…” (http://www.dn.pt/portugal/interior/azeredo-lopes-nao-sei-se-alguem-entrou-em-tancos-no-limite-pode-nao-ter-havido-furto-8759607.html )
Se disser, é porque desconfia que os inventários da tropa estão mal, e tem de chamar os responsáveis “à pedra”, como se costuma dizer. Porque, com inventários incorrectos, por absurdo, podemos estar a ser roubados todos os dias e não damos conta. A discussão dos sistemas de gestão é outra história, que um dia se poderá falar sobre ela, mas que, neste momento não é para aqui chamada. E obsoleto ou não, material de guerra é sempre material de guerra, para mim que não percebo nada de armas.
Muito Obrigado por toda a sua atenção, senhor Ministro.

José Alberto Azeredo Lopes
Podemos admitir, POR ABSURDO. É isso que digo. Desculpe as maiúsculas, mas essa é a parte capital do que transcreve. Se retirar esta parte, até pode fazer o título da peça. Se não retirar…não pode.

Pedro Moura
Senhor Ministro, não tem que pedir desculpa. Como não há grandes hipóteses de salientar palavras nas redes sociais, não me choca que o tenha feito. Com esse “por absurdo”, posso subentender que pode haver a possibilidade de as coisas poderem ser mais sérias do que aquilo que parecem. Não me tinha ocorrido essa possibilidade. E então, nesse caso, é melhor deixar os processos chegarem ao fim, a ver quais são as conclusões a que se chegarão.
Senhor Ministro, peço-lhe só um favor. Não deixe a culpa morrer solteira. Nem que tenha de andar a escavar por todos os lados.
Muito Obrigado pela sua atenção, Senhor Ministro. Um abraço.

João Gonçalves
Fico satisfeito por, neste mural, um membro do Governo ter vindo ‘debater’ – e simultaneamente aclarar – uma sua entrevista, sem preconceitos. Um abraço ao ministro e outro ao seu interlocutor.

Comments

  1. JgMenos says:

    Como se o ministro não soubesse que ABSURDOS acontecem regularmente, e que esse absurdo em particular é uma altíssima probabilidade enunciada desde o primeiro momento.
    Só não a assumem porque haveria de morder muita gente!

    • ZE LOPES says:

      Realmente há probabilidades muito perigosas! A morder são piores que rotweillers! Pelo menos é que me disseram. E não duvido, já que V. Exa. parece falar por experiência própria!

  2. A minha percepção diz que foram os glutões que deram sumiço às armas e munições.

  3. Ferpin says:

    Acho que o ministro não esteve mal nesse assunto, ao contrário dos media.
    Mal este assunto veio à tona, um amigo que lida com essas questões pôs-me logo a hipótese de os inventários serem incorrectos, dizendo que nos exercícios, o material gasto é muitas vezes mais do que o das requisições
    Aliás, disse logo, no gozo, que se calhar ia haver um fecho para inventariação e o tipo que é responsavel desde o mês passado não quer assumir responsabilidade do que está errado há anos. Daí o “roubo”.

    • JgMenos says:

      ‘ o material gasto é muitas vezes mais do que o das requisições’

      Essa também é das inteligentes: se a requisição é o que justifica que o material saia de armazém…

      • ZE LOPES says:

        Claro! Só há uma maneira de controlar o uso do material: é que só se possa dar um tiro depois de preencher uma requisição. Se forem mais de três, já se justifica um despacho do comandante.Mesmo em caso de guerra! A guerra não pode servir de desculpa para o desperdício!

  4. Ferpin,
    A sua argumentação é plausível e porventura próxima da verdade.
    Neste assunto surpreende-me apenas o facto de ter sido divulgado o “roubo”. Mesmo numa situação dessas defendo que as FA deveriam manter sigilo. Faziam a investigação e iam no encalço das armas como se de uma operação militar se tratasse.
    Os militares (na reserva) têm apresentado o mesmo ponto de vista.
    Com ironia referi que foram os glutões e dar sumiço às armas.
    Curioso por saber a quem aproveita todo este circo do alegado roubo, não roubo.
    Vamos aguardar pelo resultado da investigação…!!!!!

  5. A. O. says:

    “Coisas inauditas e nunca antes vistas”..?
    O quê: “entrar em diálogo”… e esclarecer..? “Inauditas e nunca antes vistas”, por isso?
    Não deverá ser (tambem) essa a “serventia” da presença das entidade pública nas “redes sociais”?
    Eu, pessoalmente, julgo que SIM!

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