E se a bolha rebenta?


Mais um excelente artigo de Marco Capitão Ferreira, de leitura altamente recomendada.

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    Já o li o artigo, e também recomendo a sua leitura.
    Convém não andarmos distraídos, com as fofocas entre Marcelo e Costa, ou Rui Rio e Santana.

  2. Fernando Manuel Rodrigues says:

    Não sei se há uma “bolha”. Com a crise do Imobiliário, a que se seguiu a crise económica e ao resgate financeiro, o preço das casas desceu brutalmente nos anos entre 2010 e 2015.

    Eu didira que, neste momento, se assiste a uma correcção. Apesar de tudo, e porque o acesso ao crédito não está, nem de perto nem de longe, tão facilitado como estava antes de 2013, não me parece que estejamos a assisitr a movimentos especulativos (o que há é pessoas que aproveitaram a enorme baixa para investir, e isso fez o preço das casas subir generalizadamente em 2016).

    Se compararem os preços em geral, verão que, na esmagadora maioria dos casos, ainda estão abaixo dos preços de 2013. Isso pode ver-se, nomeadamente, nos preços de mercado vs. valor de avaliação para efeitos de IMI. Em muitos casos o valor atribuído pelas Finanças (que usava parãmetros pré-crise) era superior ao valor de mercado das habitações, e só agora se está a aproximar.

  3. abracadabra says:

    Há diagnósticos de curandeiros para todos os gostos.
    É só escolher o que mais condiz com as nossas ideias preconcebidas.

    É entrar, senhorias
    a ver o que cá se lavra
    sete ratos, três enguias
    uma cabra abracadabra.

  4. Paulo Marques says:

    Acho que nem Marx estava à espera que, mais de cem anos depois, a capacidade de ter um tecto sobre a cabeça seja um dos maiores sinais de desigualdade.
    Um ano não faz uma bolha, mas se estão novamente acima das possibilidades dos locais, ainda por cima com uma banca que não existe, o resultado não pode ser bom.
    Mas esta bolha arrebentar é o menos, o pior são as financeiras, que continuam com as mesmas regras de 2007.

  5. Gabriel Orfao Goncalves says:

    É a primeira vez que aqui comento, se a memória não me atraiçoa.

    O aumento no imobiliário é de facto preocupante, face a uma saúde ainda fraca das contas públicas e privadas. É de saudar, e muito, que alguém se preocupe com estas questões, como é o caso do articulista.

    O problema que acontecerá, e a que o articulista se refere, embora pudesse ter ido mais longe, esmiuçando as entranhas da questão com mais acutilância, é o mesmíssimo problema que se registou aqui há uns anos: desde o início do século (para não recuar mais) e até 2008 (seguramente; nalguns casos até mesmo depois) o preço das casas aumentou sempre em Portugal. Inúmeras famílias endividaram-se junto da banca para comprar casa. Veio a crise e o desemprego, e a impossibilidade de pagar a dívida ao banco.

    Mas veio uma coisa muito pior: aquilo a que chamo os casos trágicos de dívida imobiliária.

    Uma coisa é uma pessoa ter-se endividado para comprar um apartamento, por ex. um T3, ter pago metade ou 2/3 do valor logo aquando da compra, e o resto ter sido dinheiro emprestado pelo banco. Neste caso ainda foi possível, a algumas famílias, na impossibilidade de continuar a pagar aquela dívida ao banco (por desemprego de um ou de dois membros da família), vender o apartamento, e, com o dinheiro dessa venda e com algum dinheiro de poupanças, ir para, por ex., um T2 baratucho e/ou numa zona mais barata (ou para um T1, se a tal a necessidade obrigasse; ou ir viver para casa de familiares, mantendo as poupanças até que melhores dias viessem). Foi duro mas não se ficou na bancarrota nem sem tecto.

    Agora os casos trágicos – e que foram muitos, mas mesmo muitos – foram aqueles em que o valor de mercado do imóvel, à data em que, para honrar compromissos, o seu proprietário o queria vender, veio a revelar-se inferior, e às vezes muito inferior à dívida que o proprietário tinha para com a instituição de crédito. Por ex., o apartamento, comprado numa altura em que valia 200 mil euros, com 90 de financiamento, vale agora, passados apenas 4 ou 5 anos (portanto: com pouco tempo de amortização de dívida) 150 mil euros. Onde é que o devedor vai arranjar dinheiro para pagar ao banco? Não vai. Vai à falência. Fica sem casa e sem dinheiro: o valor da venda da casa não chega para pagar a dívida; e o património do devedor também se revela insuficiente; o devedor contava com o emprego… que se foi. Vai o devedor à falência e vão também os bancos à falência que não conseguem cobrar os seus créditos, por esgotado o património do devedor.

    (Uma nota: escrevi por duas vezes a Passos Coelho em 2013 pedindo-lhe que, por simples decreto-lei, passasse a proibir o self-service nas estações de combustível: ter-se-iam criado alguns milhares de postos de trabalho por esse país fora, com a possibilidade de alguns desses trabalhadores serem pessoas que se encontravam desempregadas. Quem quiser que me diga o que acha de uma medida destas.)

    De momento assistimos a publicidade bancária em que voltam os financiamentos a 80% do valor do imóvel.

    Como acham que isto vai acabar?

    Estou perplexo com a atitude de muitos portugueses (vivo em Lisboa, e portanto é a esta realidade que me limito, por não poder pronunciar-me sobre o que não vejo): em vez de pouparem, fartam-se de viajar, compram carros novos, voltam a comprar apartamentos de 250, 300, 350 mil euros. Vendem-se smartphones a quase mil euros!
    Este país não tem emenda.

  6. Gabriel Orfao Goncalves says:

    Onde escrevi «Por ex., o apartamento, comprado numa altura em que valia 200 mil euros, com 90 de financiamento»

    deve-se ler «Por ex., o apartamento, comprado numa altura em que valia 200 mil euros, com 90% de financiamento», como é óbvio.

    Nunca conheci ninguém que alguma vez tivesse feito contas ao rácio “valor da dívida ao banco / valor do preço do imóvel”.

    Nunca. Nem uma. Nem uma para amostra.

    Uma pessoa compra, por ex., um apartamento no valor de 150 mil euros. Socorre-se do banco. O banco, imaginando que financia a 100% – como foi e volta agora a ser tristemente o caso, numa espiral de irresponsabilidade que acabará, seguramente, numa nova bancarrota de dois ou três bancos – paga ao vendedor o valor em causa. Se o vendedor for um empreiteiro, pega nesse dinheiro e no dinheiro dos outros apartamentos que vendeu e:
    – compra um Mercedes classe S ou um BMW série 7 ou um Audi A8 ou um Porsche qualquer
    – compra duas outrês malas Channel / Louis Vuitton / Raio que o Prada à mulher
    – põe os filhos a estudar na privada, para que sejam “doutores”
    – oferece uns vestidos à amante
    – inteira-se de quanto custa um fato na mesma loja em que o Sócrates os encomendava e pensa que mais vale dar uma entrada para o carro do filho.

    Adiante, que isto não interessa nada, embora faça parte da cultura portuguesa, tanto ou mais do que o Quim Barreiros.

    O comprador, agora devedor do banco, fica obrigado a pagar a este uma prestação mensal durante uns 30 anos.

    Pergunto: quantas pessoas já pegaram nessa prestação mensal e a multiplicaram pelos meses em dívida (no caso dos 30 anos, 360), e, apurado o valor, compararam este com o preço do apartamento? (E peço apenas para fazerem contas nominais, sem atender nem a flutuações de juros, nem aumento ou diminuição do custo de vida, nem inflação, positiva ou negativa, nada.)

    Saberão as pessoas que por um apartamento de 150 mil euros poderão ter de acabar por pagar ao banco valores tão díspares como 200 ou 300 mil euros?

    Se conhecerem alguma pessoa que já tenha contraído empréstimo para compra de habitação e tenha feito estas contas, digam-me.

    Até hoje não conheci nenhuma. Dar uma entrada generosa? Então depois como é que se ia comprar o automóvel alemão e se faz férias como os “famosos”?

    Uma vez no Jornal de Negócios fiz um comentário em que afirmava que fazer férias no estrangeiro sistematicamente e comprar carros como nós compramos (a Mercedes tem em Portugal a 2ª melhor quota de mercado na Europa; a 1ª tem-na na Alemanha) era descapitalizar irresponsavelmente o País.
    O que eu fui dizer!

    procurar no google:
    mercedes quota mercado europa portugal
    (tal como está; sem aspas)

    http://expresso.sapo.pt/economia/2017-01-09-Portugal-e-o-segundo-pais-da-Europa-com-maior-quota-de-mercado-da-Mercedes

    http://www.esquerda.net/artigo/portugal-%C3%A9-o-2%C2%BA-pa%C3%ADs-onde-mercedes-tem-maior-quota-de-mercado/30955

    «Força, Portugueses, só vos faltam as qualidades»

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