Lobo

[Rita Matos Gomes]

Tinha 17 anos a primeira vez que encontrou um.

De início, nem sabia que aquele era um osso de lobo, foi seu pai quem depois lhe disse.

Lembrava-se bem desse dia. Tinha levado o rebanho para um sítio diferente, por detrás do outeiro grande, porque o Estio ia muito seco e o pasto rareava.

Depois de subir a ladeira, foi quando viu o fojo do lobo. Sentou-se na sua borda a descansar enquanto os seus olhos vagueavam pelo local. Não conseguiu evitar um arrepio, na imaginação da cena que tantas vezes aí se teria repetido. [Read more…]

Postcards from Greece #15 (Thessaloniki)

Hoje ouvi os sinos da igreja de São Demétrio

aqui mesmo, da sala, ali do outro lado da janela. Eram quase 6 da tarde, devia ser a hora da missa. Um dia destes vou assistir a uma missa ortodoxa. Assisti uma vez, creio que em Bucareste, a um bocadinho de uma. Mas com a igreja de São Demétrio aqui mesmo à mão, seria um pecado não assistir a uma inteira. Nos postais da Roménia, especialmente daqueles escritos de Cluj e de Bucareste, falo da estranha dança que os fiéis ortodoxos fazem diante de deus e dos santos (ou ídolos, como lhes quiserem chamar). Aqui também a fazem. Tal como também se benzem as pessoas cada vez que passam por uma igreja. Benzem-se com gestos largos e com a mão esquerda.
 
Salónica está cheia de igrejas e igrejinhas. Há praticamente uma em cada esquina. Os quase 800 000 habitantes da cidade têm, assim, se quiserem, muitos espaços onde ir dançar diante de deus. Como escrevi no postal de ontem, o padroeiro da cidade é justamente São Demétrio, o mesmo em honra do qual se ergueu esta igreja aqui defronte da janela, de que hoje ouvi tocar os sinos eram quase seis da tarde. Foi um toque solene e curto.

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Dmitri Hvorostovsky (1962-2017)

In FAR med

Vamos lá ver se percebi bem. A maioria das farmacêuticas está em Lisboa. Há algumas no distrito de Coimbra. E a escolha da candidatura para a futura localização da Agência Europeia do Medicamento foi o Porto. Falhada a candidatura, Costa arranjou um rebuçado e quer mudar o Infarmed para o Porto. É isto, não é?

Embora rejeitando que a medida se trate de uma compensação pela perda da EMA, o ministro Adalberto Campos Fernandes acabou por admitir que se tratava do “reconhecimento pelo enorme trabalho feito pela região norte”. Esta ideia é, aliás, partilhada pelo coordenador de área da Saúde do grupo parlamentar socialista, António Sales: “É óbvio que não se pode ignorar que com a candidatura à EMA, foram criados projectos e expectativas. É uma questão de agora ser optimizado todo o investimento que se fez neste outro projecto com dimensão e escala”, sublinhou. [DN]

Portanto, vamos satisfazer “expectativas”. Era simpático atender a razões que não fossem do jogo político e outras que poderemos desconhecer. Vamos esperar por esses projectos para melhor se perceberem as motivações.

Por fim, no CDS apoia-se a medida, “é claro” e o PSD “saúda” a decisão. Grandes cínicos, que andaram a vender a ideia de menos Estado, para agora se colocarem do lado do Estado que resolveu actuar em toda a sua prepotência, sem sequer primeiro falar com os diversos protagonistas.

Clientelas e imbecis

Fotografia: Pedro Granadeiro/Lusa

Segundo António Leitão Amaro, o deputado do PSD que há uns dias afirmou na SIC-N que o governo Passos/Portas havia proibido a legionella, o governo “É governado pelas pressões de interesses particulares“.

Fico logo a pensar com os meus botões: quem é que andará a mamar na teta dos nossos impostos, com o alto patrocínio do Costa? Até que me cai a ficha e percebo que o deputado laranja se refere a megalomanias como a reposição de salários, o descongelamento de carreiras ou a redução de impostos para as classes mais desfavorecidas, esses ninhos de carros de alta cilindrada, evasão fiscal e férias nas Caimão. [Read more…]

Postcards from Greece #14 (Thessaloniki)

Gazing at a World Heritage

mais exatamente esta igreja, chamada de São Demétrio que se avista da minha nova casa, de todas as janelas. Na verdade o que se vê são as traseiras da enorme igreja, mas ainda assim é digno de se ver. As janelas dão para a uma praceta grande o meio da qual se ergue, então, esta igreja que é parte dos sítios classificados como Património Mundial da Humanidade.
 
A igreja que chegou aos nossos dias decorreu da reconstrução feita no século VI. A primeira igreja existente neste local foi construída no século IV, mas sucessivos incêndios foram impondo também sucessivas remodelações e alargamentos. Já a visitei por dentro e é igualmente bonita. Até acendi umas velinhas, acho que contei num outro postal, que lhe acrescentaram beleza. Pelo menos, momentaneamente, à minha vida acrescentaram, tal como acrescenta esta vista.

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