O Pão

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Ícone indisputado do Cristianismo e corpo simbólico da sua doutrina, o Pão contém as características que fazem dele não um simples alimento, mas a representação da própria vida e do esforço da sua perpetuação, realidades que marcam toda a História da Humanidade.

O Pão constitui um último patamar da nutrição do corpo, o grau primário, mais singelo e indeclinável da sua sobrevivência orgânica. Diz-se “a pão e água” quando se quer significar os elementos básicos, simultaneamente primeiros e últimos, do sustento de um organismo que plana sobre a fronteira entre mundos, sobre a linha da falência e da morte.

Disse o Cristo, “tomai e comei, este é o meu corpo”, quando decidiu estabelecer sobre a sacralidade do grão que tombou na terra a primeira assembleia de Companheiros – precisamente aqueles que partilham o Pão – que viria a ter como desígnio a transmissão da Palavra. Do Pão da Palavra Pedra. Do Pão nosso de cada dia.

Depois veio o dia em que o preço do Pão material atingiu o patamar da brutalidade e os patrões dos padeiros – eternizados no século, antes do almoço, por Pinheiro de Azevedo – decidiram aumentar não o peso do Trigo ou do Centeio em cada molete, mas vinte por cento o preço da carcaça. Vinte por Cento.

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O direito dos comboios à greve (parte II)

Efectivamente, depois da parte I, eis a parte II.

Uma erva daninha com forma humana

Manifestante contra o glifosato. Foto: Reuters

Ora pronto, acabou a dança, via livre para dar continuidade à destruição da biodiversidade vegetal e animal, à contaminação dos lençóis freáticos, à redução da fertilidade natural do solo, à agricultura intensiva e ao ataque à saúde pública: O Comité de Recurso da União Europeia (UE) deu ontem “opinião positiva” à proposta de renovação por cinco anos do uso do glifosato, com uma maioria qualificada de 18 Estados-membros a favor e a abstenção de Portugal.

Era de esperar? Sim, era de esperar que os lobbiistas pudessem ontem fazer estalar a rolha das garrafas de espumante brindadas pelos chefes. Mas ainda assim… como ocorreu esse prodígio, se ainda há cerca de duas semanas não tinha sido possível conseguir uma maioria favorável para aprovação do prolongamento da licença???   [Read more…]

Vergonha

A Mariana Mortágua fez ontem um intervenção no parlamento de muito boa qualidade. Todos os partidos têm uma retórica sobre as rendas das elétricas. O BE fez uma proposta concreta sobre uma taxa sobre as rendas excessivas. Foi aprovada pelo Governo e depois (aparentemente) removida. Maria Mortágua mostrou a sua indignação e foi muito dura com o Primeiro-Ministro.

Como eu, a generalidade dos portugueses registaram 3 coisas:

1) Ninguém, no PS e no Governo, desmentiu a deputada Mariana Mortágua sobre o acordo que ela afirmou ter existido;

2) Ninguém se indignou sobre o efeito que um lobby fortíssimo da EDP teve sobre uma decisão que estava já acordada;

3) O PSD e o CDS também estiveram totalmente calados.

Quando alguém não percebe por que razão as empresas pagam a ex-políticos, que na generalidade nada sabem fazer, para se sentarem em conselhos de administração dessas empresas, pagos a peso de ouro, agora devem perceber. Estão lá para fazerem este trabalho que agora fizeram.

Querida direita: viver de desgraças não chega

Foto: Alberto Frias@Expresso

Depois dos incêndios e dos sucessivos falhanços em torno da tragédia em que se transformaram, depois de Tancos, da legionella e do jantar no Panteão, para não falar nas sanções-fantasma, no hipotético resgate e no Diabo, que está sempre à espreita, e já depois de iniciado o braço-de-ferro com os professores, após outros que opuseram enfermeiros, patrões e o lobby amarelo dos colégios privados, cujos defensores tendem para a defesa radical do estado mínimo, excepto quando chega a hora de pagar os estudos dos filhos da elite, cujo dinheiro está temporariamente indisponível numa aplicação super-honesta e transparente no Panamá, o máximo que a Cristas e o que resta do passismo conseguiram subtrair ao governo minoritário de António Costa foi 1 mísero ponto percentual. Um. [Read more…]

Inhos

Conhecendo, como conhecemos todos, o amor dos portugueses pelos diminutivos, julgava que já nenhum poderia surpreender-me. Uma ingenuidade pouco justificável na minha idade, devo reconhecer. Bastou cruzar-me na rua com uma simpática vizinha a quem vou perguntando pela saúde familiar para que ela me confessasse que anda preocupada com uma das filhas, a fumadora, porque não há maneira de deixar o vício, apesar de já ter tido um “AVCzinho”. Atentai, leitores, na delicadeza desta construção: um AVCzinho. [Read more…]

Postcards from Greece #20 (Metéora)

Suspended between the earth and the sky

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ou, simplesmente, no meio do céu. Eis o que quer dizer Metéora, uma área formada por rochas gigantes e nuas, uma paisagem com mais de 60 milhões de anos por acção do vento e da chuva e de diversos fenómenos geológicos e, talvez seja apropriado, pelo desejo de algum deus. Uma paisagem que deve ser única no mundo. Nunca vi nada assim e creio ser difícil que volte a ver alguma coisa assim. Metéora fica na Grécia central, 237 km a sul de Salónica, quando a planície de Tessália acaba e, provavelmente, o céu começa. A área serviu de refúgio contra os invasores, serviu de lugar de oração a muitos ermitas, nas cavernas e fissuras das rochas. A partir de meados do século XIV foi construída a maior parte dos 24 mosteiros que existem até hoje, embora alguns em ruínas. Hoje apenas 6 dos mosteiros são habitados, 4 por monges e 2 por freiras*.
 

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