“À séria”

João Miguel Tavares faz parte do grupo dos que dizem “à séria”, tendo saído a pérola enquanto dissertava sobre os professores. Podia ser pior, como, por exemplo, se estivesse a dizer alguma coisa de jeito. Parafraseando um ditado, assim só se estraga uma fala.

(ao minuto 31)

Diálogo imaginário com Rodrigo Moita de Deus

Rodrigo Moita de Deus, tal como David Dinis, José Manuel Fernandes e Catarina Carvalho, puxou dos seus galões de “especialista” em Educação e, entre televisão e blogue, veio explicar tudo a todos. Como é habitual no mundo da comunicação social, não dominar um assunto é o primeiro passo para emitir opiniões sobre esse mesmo assunto. Rodrigo Moita de Deus preenche os requisitos.

Assim, resolvi simular um diálogo com o simpático ignorante, resumindo as declarações do programa O Último apaga a luz e aproveitando um texto do 31 da Armada.

 

 

Rodrigo: O PCP soltou Mário Nogueira da jaula em que estava fechado e disse “Ataca, Mário!”

Eu: Ó Rodrigo, tanto chá que o menino bebeu e vai tratar assim um adversário político? É feio, não é? Lá no fundo, o menino sabe que sim. É claro que o menino, para além de deselegante, quer deixar claro que pensa que isto é tudo uma questão partidária e que os professores, no fundo, são uns joguetes nas mãos dos comunas.

Rodrigo: A greve de professores prejudicou milhares de alunos.

Eu: Duas greves de um dia incomodam, com certeza, e o menino sabe que é um exagero falar em prejuízo, mas sempre gostaria que explicasse como é que se faz uma greve sem incomodar ou mesmo prejudicar. Talvez os professores devessem fazer greves só a partir da meia-noite.

Rodrigo: Pois, mas os professores são uma corporação que domina o sistema de ensino.

Eu: Ui, ó menino! A quantidade de gente que já disse isso! Há uns anos, uns amigos seus escreveram um livro e disseram o mesmo, tentando propagar o mito urbano de que os professores, ou os sindicatos dos professores, mandam no ministério da Educação. Deve ser por isso que os professores, tal como muitos outros, tiveram carreiras congeladas e salários cortados. Deve ser graças a esse poder que os muitos avisos acerca de questões curriculares e administrativas são completamente desprezados, como, por exemplo, o aumento do número de alunos por turma ou a criação de mega-agrupamentos ou a municipalização (deveria dizer-se caciquização) das escolas. [Read more…]

A agência europeia do medicamento

O episódio da Agência Europeia do Medicamento fica a marcar a história triste do Porto e a daqueles que, tendo responsabilidades governativas, ou outras, na cidade ou mesmo no país, não hesitam em brincar com a credulidade das pessoas, com o dinheiro público e com a dignidade de Portugal, em nome de um golpe rasteiro de eleitoralismo.

Uma vergonha cujos custos deveriam sair do bolso de quem andou claramente a gozar com coisas sérias.

Bairrismos

A propósito de uns tweets de uma colunista do Observador que não vou “linkar” para lhe não dar mais audiência (e este mundo está fartinho de indivíduos com público a mais para o talento que possuem, a começar por “euzinho” apesar do portentoso Aventar não ser, propriamente, “The Huffington Post”) sobre um alegado machismo e racismo exacerbados das gentes do Porto, parece-me justo tentar explicar a perspectiva de um “gajo” do Porto (que pode ou não ser a predominante por aqui).

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Um incompetente que lê o Aventar é um incompetente informado

O “antes” (19/11/2017) e o “depois” (20/11/2017) da página oficial da C.M. de Vila Nova de Gaia (Clique para aumentar)

Num texto aqui publicado ontem, 19 de Novembro, sob o título “Gaia cai dois lugares no ranking nacional das exportações”, dava-se nota da dificuldade que o executivo da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia tem em fazer contas simples, confundindo valores de uma disparidade monumental, relevando incompetência e ignorância sobre a estrutura económica do concelho cujos destinos políticos comanda.

Ainda assim, dá-se o caso de a autarquia gaiense ter um alarme ligado ao Aventar e a incompetência ter sido prontamente disfarçada e o erro corrigido. Infelizmente, o ridículo não se apaga, nem a inépcia se cura com alarmes. E não tem que agradecer.

O que diz uma criança sobre o número de alunos por turma!

A reportagem sobre o Dia Universal dos Direitos da Criança, no Público de hoje, lê-se com agrado, também (ou especialmente) quando os adultos, professores incluídos, são criticados.

De qualquer modo, cá por coisas, vale a pena ler e reler a opinião de um aluno do Primeiro Ciclo (Escola Primária) acerca do número de alunos por turma:

Há professores nas escolas que têm muitos alunos e não conseguem tomar bem conta de todos. Então podia-se dar um máximo de alunos a cada sala, 18 ou 20, para ser mais fácil. A minha professora tem 23 alunos. Assim não consegue dar tantas matérias. Perde muito tempo a atender a todos. A sala do lado tem 18 [alunos] e já estão um pouco mais avançados do que nós. Às vezes conseguimos acompanhá-los, mas estamos sempre um bocadinho mais atrás.

Imagine-se o atrevimento! O atrevimento, claro, de todos os “especialistas” que desvalorizam a questão do número de alunos por turma! Ainda há dias, com a leviandade dos ignorantes e com a raiva dos patrões que odeiam salários e outros privilégios, Rodrigo Moita de Deus julgava explicar que em Portugal há um professor para cada onze alunos, como se essas contas dissessem alguma coisa sobre o número de alunos por turma. De qualquer modo, para Rodrigo tudo estará bem, desde que se roube tempo e salários aos professores, porque é assim que o mundo deve ser, mesmo que isso possa ser lesivo também dos direitos da criança.

O diabo subiu à Terra sob a forma de juros da dívida

Fizemos orelhas moucas aos profetas que nos tentaram alertar. 365 dias de pragas sancionatórias depois, o tal resgate deve estar mesmo aí à porta e não haverá nada que nos livre do triste e inevitável destino dos nos transformarmos na Venezuela europeia. Corram, corram para os supermercados!

In other news: na passada semana, a República Luso-Soviética da Geringonça emitiu 1100 milhões de euros em bilhetes do Tesouro Português a 12 meses, a uma taxa de juro de -0,349%, e 400 milhões a 6 meses, à taxa de -0,400%. Em teoria, X investidores pagaram para nos emprestar dinheiro. Em teoria, que aquilo que se passa nos mercados é crime organizado, e o criminoso, em particular aquele que prima pela organização, nunca fica a perder.  [Read more…]