Lagarta na comida é um problema menor

Nos últimos dias, tem circulado um vídeo de uma lagarta a movimentar-se no interior de um prato de comida numa cantina escolar. Não quero, de maneira nenhuma, desvalorizar  a falta de cuidado ou de higiene dos responsáveis pela confecção de uma refeição, mas devo dizer que o mesmo já me aconteceu – e a muitos outros – há muitos anos nas cantinas por onde passei. Não é uma situação agradável, mas, apesar de tudo, é fácil de resolver, entre protestos e a remoção do bichinho.

Nos dias que correm, diria que é muito mais fácil descobrir lagartas numa refeição escolar, tendo em conta que os pratos estão desérticos. No meu tempo, a abundância exigia um olho clínico ou a experiência de um David Attenborough e não me admiraria que muita lagarta tivesse passado pelo meu aparelho digestivo. Mais: tendo em conta a qualidade de comida imposta aos alunos, a existência de lagartas no prato acaba por ser uma alternativa nutritiva, perdoe-se-me a rima. Já não deve faltar muito para haver um protesto de jovens esfomeados que não tiveram direito a lagarta, levantamento de rancho, bandejas pelo ar, o caos na escola. [Read more…]

Tem toda a razão, Dra. Maria Luís Albuquerque

Agora que não tem barretes para enfiar na cabeça dos portugueses, estilo devolução pré-eleitoral da sobretaxa, ou bancos para varrer para debaixo do tapete, para simular uma saída limpa que, no fim de contas, mais não foi do que outro barrete, Maria Luís Albuquerque foi entrevistada pelo Público e fez questão de recordar a plebe que o país precisa de uma alternativa. Mais ou menos como a senhora deputada, que quando não está no parlamento a levantar a mão conforme lhe manda o partido, está ao serviço dos abutres da Arrow Global.

Mas desta vez, extraordinariamente, estou com a Dra. Maria Luís. O país precisa de uma alternativa, capaz de fazer oposição responsável ao governo minoritário de António Costa. Pena que o seu partido esteja tão ocupado com discursos catastrofistas, sanções e resgates imaginários, diabos e aritméticas da treta, sempre à espreita da próxima tragédia para dela capitalizar. Fosse liderado por gente mais responsável e o cenário talvez fosse diferente. Entregue a figuras tão distintas como Hugo Soares, Marco António Costa ou a própria Maria Luís, não podemos esperar muito. Excepto gargalhadas.

Podcasts – “Poder Público”

A descrição do podcast é dos próprios autores. “Protagonistas, histórias e decisões. No Poder Público, Inês Ameixa e Ruben Martins contam o outro lado da política. Todas as semanas, trazem diferentes protagonistas, histórias que merecem ser contadas e decisões que mudam a vida das pessoas.” (RSS do podcast; sítio do jornal).

Neste episódio, os autores falam com os autores dos sites hemiciclo.pt e fogos.pt, “dois projectos que vieram ajudar na relação entre população e serviços públicos.”

Henrique Granadeiro

Passeou-se pelos salões políticos do fascismo, fez a transição pacífica para a democracia, durante a qual somou nomeações social-democratas e socialistas, foi embaixador, chefe da Casa Civil de Ramalho Eanes, gestor, conselheiro, administrador e CEO de empresas públicas e privadas, e era um dos homens fortes da PT, quando aquela que já foi uma das maiores empresas nacionais decidiu torrar 900 milhões de euros na Rioforte.

Hoje é arguido na Operação Marquês, lado a lado com gente tão recomendável como José Sócrates ou Ricardo Salgado, acusado de crimes de corrupção passiva, branqueamento de capitais e fraude fiscal. Acusado de ser um mero capacho, ao serviço do Dono Disto Tudo, de quem terá recebido milhões para gerir a PT em função dos apetites do Grupo Espírito Santo, arrastando-a para a ruína.

Parte desse dinheiro terá sido usado na compra de um apartamento em Lisboa, cuja história, relatada pelo Expresso, daria um belo argumento para o grande ecrã. Tudo bons rapazes.

Concerto para Clarinete em Lá maior, K 622, de Wolfgang Amadeus Mozart

Aprecie-se esta música dos deuses e, em especial, o requinte do adágio, ao minuto 13.

Ipapers

A história secreta dos esquemas offshore da Apple, por Simon Bowers, do ICIJ