Sexismo selectivo

Durante 2 semanas o país não falou noutra coisa, indignado e bem, com as considerações proferidas por um Juíz do Tribunal da Relação do Porto durante a leitura de sentença. Um operário que vive com o salário mínimo é obrigado a pagar uma pensão de alimentos a uma filha, apesar dos testes de ADN confirmarem que não é progenitor, não suscita qualquer notícia nas televisões portuguesas, excepção feita ao Correio da Manhã. É assim Portugal, quando um homem é vítima, já não interessa aos talibãs do politicamente correcto…

Portugal ainda é um Estado de Direito?

Portugal é, ou deveria ser um Estado de Direito. Não cabe ao governo ou câmara municipal encerrar um estabelecimento comercial, que paga impostos, tem contratos de trabalho a cumprir, compromissos de crédito ou fornecimentos para honrar. No entanto sabemos que o governo e principalmente os partidos que o suportam na A.R. desprezam a iniciativa privada. As provas surgem quase diariamente, seja na proposta do O.E. que afectará os trabalhadores independentes, vulgo recibos verdes, seja agora neste bizarro encerramento da discoteca Urban, com base num vídeo publicado no youtube. O país tem autoridades competentes para investigar, acusar se for o caso, no final os Tribunais são o órgão de soberania a quem compete julgar e punir se existirem provas que sustentem os factos da acusação. Mas esta gente governa ao sabor dos ventos da indignação, desta vez foi um vídeo que incendiou discussão nas redes sociais… [Read more…]

Corram para os supermercados: a democracia portuguesa foi suspensa por despacho ministerial

Quando esta tarde fui ao supermercado, abastecer-me dos essenciais para a próxima semana, notei que algo estava errado. Prateleiras vazias, semblantes fechados e aterrorizados, milicias comunistas paramilitares à porta e eu a pensar com os meus botões: “querem ver que se instaurou uma ditadura, e eu, que hoje dormi até tarde e ainda não consumi a minha dose diária de informação, não sabia?”.

Apressei-me com as compras, deixando para trás tudo o que fosse aburguesado demais, não fossem os comunas levar-me para o pequeno-almoço, que eu até aparento ser mais jovem do que na verdade sou, dirigi-me imediatamente para casa, evitando, com alguma sorte, os checkpoints entretanto montados na via pública, e, lá chegado, percebi que a internet ainda não tinha sido cortada e fui à procura de informação que me esclarecesse o que se estaria a passar. [Read more…]

Ai Raul Vaz, Raul Vaz.

No programa Contraditório de ontem, na Antena 1, Raul Vaz faz o seu spin sobre a entrevista de Rui Rio que saiu hoje nesta estação de rádio. Mas, sobretudo, aproveita para valorizar Passos Coelho.

Rui Rio, se fosse eu [sic] ou se fosse Pedro Passos Coelho, não governaremos [sic] para o presente. Ou seja, governaríamos para o futuro. Isto é o que Rui Rio diz. E usa, de facto, aqui Pedro Passos Coelho de uma forma que, acho, inteligente, séria e verdadeira. Ou seja, Passos Coelho não governará [sic] para o presente. Teria em consideração, penso, também o futuro.

Há uma proposta do Bloco de Esquerda que o governo vai provavelmente comprar, que é as reformas antecipadas entre 2011 a 2015 terem um bónus. Repare-se neste anacronismo. É quase esquizofrénico. As pessoas que se reformaram entre 2011 e 2015, antecipadamente, é um acto voluntário [sic]. Sabiam as condições. (…) Isto não faz sentido nenhum. Esta retroactividade. Governar para o futuro é ter presente as dificuldades do presente e criar condições melhores para o futuro. (…) [Raul Vaz, 3/11/2017]

No entanto, Raul Vaz omite um pequeno detalhe. As regras foram mudadas a meio do jogo.

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O CETA é TABU

Foto: Paula Moreno

Suponho que quem lê o Aventar também se informará através dos meios de comunicação social mais lidos, vistos ou ouvidos em Portugal. Pois pergunto-lhe: quantas vezes, nos últimos anos ou meses, ouviu falar ou leu algo sobre o CETA, o Acordo de “livre comércio” entre a União Europeia e o Canadá?

SE viu ou leu, terá sido uma excepção, e quiçá estará a confundir com algum dos numerosos posts que escrevi aqui no blogue, por exemplo este.

Tendo em mente que o CETA vai expressamente enviesar ainda mais o centro de gravitação dos países em volta do grande capital global por meio da passagem de soberania dos mesmos para o dito, aquilo que ouviu ou leu sobre o CETA nos mídia portugueses é uma gota de água, e as mais das vezes, turva.

Pouquíssimos portugueses terão noção do grau de bloqueamento a que o CETA foi e continua a ser sujeito na comunicação social em Portugal. [Read more…]