Postcards from Greece #12 & #13 (Thessaloniki)


‘I don’t know if I will ever learn how to fly, but I am sure I will never crawl’

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estava escrito numa parede na rua Egiptou, na zona de Ladadika. Foi um rapaz de um bar, em frente ao grafiti e às palavras que me traduziu do grego. Aliás foi ele que me chamou a atenção para o grafiti, depois de eu ter fotografado a fachada de um bar vizinho e de reparar que ele fazia pose.Tirei-lhe uma fotografia e depois ele disse-me que devia tirarà parede e traduziu do grego para o inglês ‘não sei se alguma vez aprenderei como voar, mas de certeza que nunca rastejarei’. Gostei da frase. Bastante. Embora o rastejar me tenha recordado os meus ‘amigos’ rastejantes que alegadamente me picaram o pescoço e (descobri depois) uma orelha, o queixo e as pernas.

 
Ontem, o dia a seguir a ser picada na casa da Evripidou, 9, acordei no meio de uma cama limpinha, de um hotel limpinho. Liguei à Maria a contar as novidades. Disse-lhe que se conhecesse um dermatologista que me indicasse. Não só conhecia, como a médica me atendeu ontem mesmo ao fim da tarde. Era amiga dela. Também me arranjou uma lavandaria onde o dono, Tasos me garantiu, que dará cabo de toda a bicharada que eventualmente possa estar na roupa. Antes da consulta passeei pela frente marítima nova, completamente arranjada e onde o ar parece menos denso, mais fresco e limpo. Apanhei aqui em frente ao hotel, o autocarro 27 que me deixou mesmo em frente do Museu Arqueológico. Depois, foram apenas uns passos até encontrar a bela estátua de Alexandre, o Grande, linda em contraluz, recortada contra o Egeu ou o Golfo Termaico ou Golfo de Salónica. Mais à frente, outra escultura muito comovente da resistência grega durante a II Guerra Mundial. Um bocadinho mais à frente, a espantosa escultura de Zongolopoulos, ‘Umbrellas’, um conjunto de dezenas de guardas-chuva transparentes que reflectem a luz e a transformam.
 
Aliao lado muitos museus, além do Arqueológico: o da Rádio, o Bizantino e o museu Macedónio de Arte Contemporânea. Não visitei nenhum, desta vez. Aliás, com o pretexto ue ficarei aqui bastante tempo, ando a fazer tudo mal, a visitar a cidade não por zonas, mas basicamente indo diretamente ver isto ou aquilo. Está-se mesmo a ver que no fim ficarão partes e coisas por ver, se entretanto a estratégia não mudar.
 
Mas desta vez tinha desculpa, estava preocupada com as picadas e com o resto a elas associado. A Christina, a dermatologista, recebe-me às 18h em ponto. Diz-me que as picadas não lhe parecem de percevejo, mas de outro bicharoco qualquer que pode estar alojado no sofá da casa. Diz-me também que só as roupas usadas dentro da casa deverão ser lavadas a muito quente. As outras e as bagagens bastará pulverizá-las com um produto tipo biokill. Diz-me que as picadas podem resultar em borbulhas que apareçam ao longo de alguns dias e se não demasiadas, para não me preocupar. Receita-me uma pomada co cortisona e diz que não há razão nenhuma para anti-histamínicos.
 
Saio de lá bastante mais confortada, também porque a Roula apareceu. Levou-me depois à farmácia e a sua casa. Depois jantámos num sítio que ela adora: o Negroponte, em Ladadika, que também eu fiquei a adorar. A comida é sublime. Fiquei com vontade de ver Ladadika de dia. E hoje assim fiz, depois de ter pulverizado tudo, posto a pomada e dormido muito tempo.
 
Apanhei o autocarro para Egnatia, Praça de Aristóteles. Vi a pequena Igreja, a estátua de Eleftherios Venizelos, o pai da Grécia moderna, por assim dizer, e depois, ali mesmo ao lado os banhos turcos, um bocadinho degradados, mas em reconstrução. Depois fui pela Tsimiski até Ladadika, passando pelo mercado Modiano, que estava fechado mas onde havia uma banca de flores, incluindo cravos e girassóis e pela bonita igreja de Agiou Mina. Em Ladadika, as praças com fontes redondas e água em repuxos, as ruas estreitas, os gatos, os restaurantes, os cafés, os grafiti e as lojas simpáticas reconciliaram-me com a existência e com a cidade, até mesmo (mas por muito pouco tempo) com os percevejos ou bicharada do mesmo género.

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