Making America Whatever Again

Roy Moore é um político norte-americano que está a ser acusado de coerção sexual sobre miúdas dos 14 aos 17 anos, quando ele andava na casa dos 30 anos. Moore declarou não ter feito nada de errado e que Deus o julgará, o que lhe daria jeito, dado que não sofreria as consequências. Já o seu assessor de imprensa, perante os factos incriminadores, não negou os actos de Roy Moore, tendo, como defesa, alegado que este não fizera nada sem o consentimento das mães das miúdas. Pelos vistos, esta posição não chocou os vitorianos conservadores, sempre prontos para a defesa da decência e dos altos valores.

A denúncia destes escândalos deu-se durante a eleição, no estado Alabama, para um lugar que vagara no Senado norte-americano devido à nomeação, feita por Trump, do senador Jeff Sessions (do seu partido, claro) para Procurador-Geral dos EUA. Ex-juiz, de pistola à cintura e chapéu à cowboy, Moore era o candidato favorito neste estado profundamente republicano – e de Trump, também, que veio publicamente defender a candidatura do escroque, com o fortíssimo argumento “ele negou tudo totalmente”. Lá pelos states deve ser prática comum os criminosos chegarem ao tribunal e declarem-se culpados.

A campanha foi aguerrida, mas deu a vitória, por uma unha negra, ao outro candidato, o democrata Doug Jones. Naturalmente que alguém cheio de fairplay como Moore se preparava para não aceitar o resultado, tentando recorrer aos tribunais, para que o Homem lhe desse o que Deus lhe negara. Parece que a vontade divina, para um radical evangelista, não deve ser absoluta.

Foi preciso o chefe local do seu partido, e até Trump, lhe cortar as vazas para que o assunto ficasse quase encerrado. Parece que o sujeito não está habituado a receber um não, algo que lhe deve ter ficado do tempo em que andava a trás de miúdas.

Com este revés republicano, os democratas começam a sonhar com uma reviravolta para as próximas eleições do Senado. Vamos ouvir falar de muito escândalo sexual, seguramente. Mas talvez se enganem. Um povo que elege uma besta como Trump é capaz de tudo. Até de dar tiros nos próprios pés, já que tiros nos outros, nessa terra onde há mais armas do que livros lidos, dão eles com fartura. Eventualmente.

Comments

  1. Luís Lavoura says:

    Lá pelos states deve ser prática comum os criminosos chegarem ao tribunal e declarem-se culpados.

    É, de facto. A maior parte das acusações nem sequer vai a tribunal, dado que se fazem acordos em que os acusados se declaram culpados e recebem uma sentença mais leve por isso.

    • Ernesto says:

      Declaram-se culpados em tribunal, mas a maior parte dos casos não chega a tribunal?! Fiquei confuso..

  2. joão lopes says:

    a America voltou para a idade das trevas e praticamente a unica coisa que sabe fazer é vender armas e provocar guerras.Muito bem feito para trumpistas lusos e bestas como o ze fernandes e outros white trash s nacionalistas cá do burgo.

    • Fernando says:

      Na idade das trevas andam os EUA há muito.
      Obama fez o que pode para desenvolver o “Big Brother” e deixou os EUA envolvidos em mais conflitos que o seu antecessor.
      O Trampa simplesmente é um descarado e escâncara o mal que já vinha de trás.


  3. Não deixa de ser irónico (e um deprimente sinal dos tempos) que um candidato com posições políticas trogloditas em matéria de controlo de armas, direitos das mulheres e das minorias, direitos sociais e laicismo, tenha sido derrotado por, nos anos 70, gostar de sair com “teenagers” – ou seja, literalmente, por aquilo que, nessa altura, seria um juízo moral reaccionário.

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