Socialismo no século XXI

A doutrina socialista apregoa igualdade, mas o resultado palpável obtido sempre que algum país leva à prática as ideias de Marx, acaba por ser a miséria generalizada, excepção feita aos iluminados camaradas dirigentes que conduzem o rebanho se sacrificam liderando as massas.
A Venezuela é hoje um triste e lamentável exemplo do resultado a que conduzem o desrespeito pelas liberdades, pela propriedade e iniciativa privada. Não faltam por esse mundo fora invejosos aspirando a meter as mãos nos bolsos de quem produz, em nome do Estado social e outros disparates do género. A bizarria começou com Chavez, mas agravou-se com Maduro, que incapaz de encarar o fracasso da sua política, recorre a delirantes desculpas inventando inimigos e teorias da conspiração, esquecendo o essencial, que o seu regime socialista nada produz à excepção do petróleo, uma riqueza natural que nada tem a ver com política. Ainda assim, nem ao combustível a população consegue aceder.

Portugal não escapa às acusações do pândego bolivariano, que esqueceu no entanto um pequeno pormenor, se quer distribuir pernil pela sua população para comprar votos, tem que produzir ou comprar no exterior, mas para isso precisa pagar, porque os outros não têm que pagar o socialismo em casa alheia e já sabemos que o socialismo termina sempre que acaba o dinheiro nos bolsos de quem trabalha e produz.
É avisado observar com atenção a Venezuela e lembrar aos incautos qual seria o resultado se alguma esquerda folclórica e bem falante que por aí anda conseguisse transformar Portugal num laboratório e levar à prática os seus intentos irresponsáveis. Destruir sempre foi mais fácil que construir…
Obviamente que o resultado das eleições na Venezuela diz respeito em primeiro lugar aos venezuelanos, mas caso persistam no erro e não se livrem rapidamente de Maduro e toda a tralha bolivariana, aquele povo ainda acabará aspirando ao nível de desenvolvimento do mais atrasado país de África, continente que praticamente já se libertou totalmente da ideologia mais pérfida que a Humanidade algum dia experimentou…

Comments

  1. Paulo Marques says:

    Toda a gente sabe que a reforma agrária venezuelana e o confisco dos meios de produção para os trabalhadores foram um desastre – isto é, se tivessem acontecido, claro.
    Já o capitalismo de andarmos a pagar os lucros da banca alemã à 30 anos tem trazido uma enorme prosperidade e uma enorme certeza que os nossos filhos estarão muito melhor – desde que vão para Bruxelas.

    • JgMenos says:

      A esquerdalhada nunca vai tão longe quanto manda a doutrina, que isso de aturar o proletariado é um incómodo excessivo.
      Limitam-se a torna-los ingovernáveis ou inúteis, e chamam a isso política patriótica e de esquerda.

  2. Fernando says:

    Gostava que o António opina-se sobre a “reforma fiscal” do bilionário, “trabalhador” e, claro, capitalista Trump.

    O António deve ser mesmo muito distraído, diz o António que a Venezuela é a prova que o Estado Social é um fracasso, curioso, então porque é que a tão social Escandinávia, essa Venezuela nórdica como toda a gente sabe, aparece há décadas como tendo dos mais elevados índices de desenvolvimento?
    Se calhar isto se deve ao facto de a Escandinávia não ter seguido o modelo de “desenvolvimento” de Milton Friedman, nem ser alvo de embargos comercias e nem ter sido arrasada pelas bombas “democráticas” dos USA.

    • JgMenos says:

      Confundir Estado Social com Estado Socialista é mais uma das tretas esquerdalhas, e no final nunca ambicionam o último mas sempre encontram meios de f… o primeiro.

      • ZE LOPES says:

        Mais uma especialidade de V. Exa: apontar as confusões…dos outros!

      • Paulo Marques says:

        Pois claro, por isso é que sempre que há liberalização, dos EUA e do RU até à Suécia, passando aqui pelo burgo, só dá a merda esperada pela privatização de monopólios.


    • Fernando, queira desculpar, “Gostava que o António opina-se …”
      ou : gostava que o António opinasse ? ai, ai !!

  3. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Caro António Almeida.
    Compreendo o seu post, mas misturar conceitos é um exercício que me não parece, intelectualmente, honesto.
    Misturar Maduro com socialismo – seja ele qual for – é o mesmo que chamar a Xi Jinping um líder comunista. Ora acontece que Maduro é um ser que tal como Chavéz e muitos outros políticos, sofre de uma doença que se chama populismo. Se quiser, mal comparado, é o que faz hoje Marcelo com a Televisão e Imprensa que centra toda a vida política na sua pessoa e tudo ofusca, governo e oposição. Maduro pretende fazer o mesmo na Venezuela, para fazer passar mensagens, mas não tem o dom nem os meios de Marcelo. Provavelmente, se tivesse sido comentador …
    Não comparo personagens, compreenda. Comparo conceitos, algo que o meu amigo não faz e tudo mistura.
    Partir de um personagem como Maduro para justificar o que o fracasso do socialismo, é equivalente a partir de um personagem como Xi Jinping e justificar o sucesso do comunismo no último bastião “comunista”.
    O problema, quanto a mim, é outro.
    Hoje já não há lugar a facções políticas tal como nós as designámos até ao fim do século 20.
    Dizia Nuno Rodrigues dos Santos, Presidente da Comissão Política Nacional do PSD ao tempo de Mota Pinto, que e cito …” Continuaremos a situar-nos na área do Centro Esquerda” (fim de citação). E esta hem?
    Entretanto o PS re-coloriu a sua bandeira e colocou a “bíblia” socialista na gaveta (palavras de Mário Soares).
    Depois assistimos a personagens como Freitas do Amaral e Basílio Horta a jurarem fidelidade ao PS e finalmente, encontramos os comunistas e o Bloco de Esquerda a contarem euros e a falarem da economia capitalista com uma fluência que faz salivar um qualquer capitalista.
    E o fenómeno não é só português. Em França encontra muito comunista arrependido e socialista a votar à direita…
    No mundo, encontramos uma Europa dita democrática a trabalhar com corruptos manifestamente fascistas como Órban, Poroshenko ou mesmo um governo polaco que recebe intimações, mas continua a actuar como fora da lei.
    Hoje Xi Jinping domina a economia capitalista da mesma forma,
    ou mesmo melhor, que muitos elementos da equipa de Trump. Também chama a Xi Jinping comunista?
    E se se pegasse no “socialismo” chinês para dar alvíssaras ao socialismo pelas enormes modificações operadas ? (falo do que conheço, acredite).
    Independentemente da cor política, o efeito de camaleão apropriou-se do político tal como a Inquisição se apropriou das almas da maior parte da população aquando da sua existência e crimes. Eram todos apoiantes do Sistema?
    O mundo virou à direita como há 50 anos havia virado à esquerda. E o efeito do camaleão na política é fundamental porque representa … a sobrevivência.
    Não tenho dúvidas que o capitalismo, no meio de uma falsa democracia ganhou esta última batalha, mas não ganhou a guerra, pois as imperfeições do socialismo, também as encontra no regime capitalista.
    Penso que assistimos à história em movimento e na contínua adaptação do Homem a novas filosofias. As resistências como a Venezuela, são ridículas, também por falta de consistência, de coerência e sobretudo de verdade.
    Comparar isto com o socialismo …

    • Paulo Marques says:

      Isto de os socialistas mandarem na Venezuela só se for para rir, ainda por cima com todo o apoio do capital estrangeiro para que nada mude para controlarem o petróleo. O erro foi mesmo que nada mudou enquanto podia.

      • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

        Caro Paulo Marques.
        As pessoas acreditam-se no que lhes dá jeito, o que explica a existência de Correios da Manhã e afins. Têm clientes que face às notícias, actuam como caixa de ressonância e se calam não proporcionando qualquer desmentido quando se descobre a falsidade das mesmas notícias.
        Não ponho as mãos no fogo por nenhum Maduro deste mundo, mas é evidente que desde o momento que a Venezuela não entregou o petróleo aos americanos, tudo vale. E, no caso venezuelano a situação agudiza-se porque Maduro é um péssimo político, mentiroso e populista
        As pessoas agarram-se a tudo o que dá jeito para atacar o “outro lado”. É a defesa do ataque, no fundo o que faz Trump para “endrominar” os espíritos fracos ocidentais. Deixe-o repetir mais uma meia dúzia de vezes a canção do triângulo do mal e vai ver a música de acompanhamento dos Correios da manhã deste lado.
        O problema meu caro, é que a maioria das pessoas já não pensa pela sua própria cabeça. Dá trabalho e por isso o que está a dar são os McDonalds e os Burger King. É que a história dos Digest (Reader’s) já vem do fim da segunda guerra … E teve mais aderentes que a Maria.
        Bom ano Novo.


    • Aprendemos consigo, caro Ernesto M.V.Ribeiro.
      Obrigada por nos informar e ajudar a reflectir.

      • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

        Bom dia cara Isabela.
        Não quero ter a pretensão de ensinar matérias tão delicadas, apenas deixar a minha opinião. Tenho a felicidade de conhecer e trabalhar em todo o mundo o que me permite separar, em qualquer pais ou regime, os governantes dos governados. E a minha experiência de muitos anos diz-me que os governados, independentemente dos seus hábitos culturais, pouco divergem no que toca à sensibilidade e esperança.
        Infelizmente, os políticos são todos iguais e um muro – que mesmo Trump, um especialista na matéria,nunca imaginará – os separam do comum popular. E assim as assimetrias não terão tendência a acentuar-se.
        Mas ainda assim tenho para mim que em termos de percurso histórico, sinto que o tempo e o Homem se têm encarregado de alisar os altos e baixos.
        Fique bem e um Feliz Ano Novo

  4. ganda nóia says:

    quando os liberalóides vêm com os argumentos “coreia do norte” e “venezuela” sabemos que não têm argumento nenhum que lhes valha. misturam a belprazer ao sabor da própria ignorância vários conceitos. o mesmo se aplica a fachos como o jgmenos. tanto uns como outro, delirantes, amantes das fake news e por aí fora.

    e mesmo com todos os disparates e ilegalidades que maduro já fez / cometeu, sem boicotes criminosos aquele povo estaria certamente melhor.

    e perguntem, já agora, como vive o “20% de baixo” dos EUA. na mais pura miséria a todos os níveis.

  5. Rui Naldinho says:

    Comparar o socialismo Venezuelano com o pretenso socialismo democrático Europeu, não cola.
    Provavelmente essa sua analogia, cola mais com o proto socialista capitalista MPLA, da República de Angola. País onde a miséria e as desigualdades grassam a olhos vistos.
    Acresce que Socialismo Venezuelano cria tantos miseráveis e indigentes como o Capitalismo bananista dos seus vizinhos, e de quase toda a América do Sul e Central. A ex URSS, hoje Rússia, acabou por aderir ao capitalismo e não me parece estar muito melhor do que outrora.
    Por exemplo, a República Popular da China evoluiu um pouco, mas continua ainda amarrada ao Estado, naquilo que são os sectores vitais da sua economia. Talvez por isso mesmo se torne a breve trecho na maior economia mundial.
    Essa história do “país estar melhor, mas as pessoas não”, só cola para laranjinha degustar. O país sou eu e os milhões como eu, que vivem do seu salário, das suas parcas economias ou pequenos negócios, muito vulneráveis às crises, e não de uma casta iluminada assente nalguns sectores chave da economia, a qual nos governa em função dos seus interesses.


    • “A ex URSS, hoje Rússia, acabou por aderir ao capitalismo e não me parece estar muito melhor do que outrora.”

      Caro Rui, tem certeza? É que nem querem ouvir falar nesses tempos, o que explica muita coisa sobre alguns governos desses países…

      • Rui Naldinho says:

        Numa “democracia” rotativista em que Dimitri Medvedev alterna com Vladimir Putin, onde qualquer opositor é pura e simplesmente ilegalizado, chamar-se a isto democracia soa a bizarro.
        Por outro lado a maioria esmagadora da Rússia vive ainda na pobreza. E o desenvolvimento industrial continua muito ligado ao aparelho estatal.
        Contrariamente a China é um país exportador, e tal como a Alemanha tem uma forte componente industrial privada assente em pequenas e médias empresas, a trabalhar para as grandes empresas mundiais. Não é por acaso que a Apple lá vai fazer coisas, mesmo sendo a Apple?
        Os Angolanos não gostam do colonialismo, mas daí a serem felizes com o MPLA, vai uma grande diferença.

        • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

          Caro Rui Naldinho.
          Trabalho, também, na Rússia e não posso deixar passar estes comentários que o prezado Rui aqui coloca.
          Sobre o rotativismo, estou de acordo consigo, mas espanta-me que veja a Rússia por um prisma que não consegue ver em Portugal ( e para mim, Portugal preocupa-me muito mais que a Rússia, porque independentemente de ter muitos amigos Russos, eu sou português).
          Então o que tem a dizer do rotativismo português. Isto é uma democracia, porque não fala russo?
          Portugal tem vindo a ser despedaçado por dois grupos políticos que jogam um com o outro. E nestes grupos, há personagens que, a coberto da palavra democracia fazem exactamente o que Putin e Medvedev fazem na Rússia.
          Aliás, isto não é um problema da Rússia ou de Portugal.É um problema mundial de oligarquias que dominam as classes pagantes, tal como acontecia na Idade Média com os senhores feudais, com a diferença que temos acesso a bens que na altura não existiam e, para os existentes, os acessos eram condicionados. Hoje, na sociedade dita democrática, até a escravatura existe, regulada e vista com outros óculos.

          Conheço bem a Rússia e a sua afirmação …” a maioria esmagadora da Rússia vive ainda na pobreza…” é falsa, simplesmente falsa. Que há problemas e corrupção há sim senhor. Que há pessoas a viver abaixo do limiar de pobreza: Há sim senhor. Nos EUA há mais de 20 milhões de pessoas nestas condições, mas já percebi que para os portugueses a pobreza americana é abençoada e qualquer outra, principalmente a russa (ainda há quem fale em URSS o que quer dizer que a herança salazarenta é, de facto, muito poderosa) é miserável.
          A China é um fenómeno assente em contradições de todo o tipo. Também por lá passo algum tempo da minha vida e posso dizer-lhe que as contradições e as assimetrias me chocam profundamente. Provavelmente no México ou no Brasil, encontrará um clima semelhante com a diferença que não expõem de modo tão directo as suas conquistas e investimentos.
          Não foi por uma razão qualquer que as conclusões do 19º Congresso do Comité do PC Chinês apontam o bem estar dos cidadãos como centro das prioridades.
          É bom não esquecermos que os ditos privados se servem da China para realizar milhões. Ainda que as aparências nos indiquem um progresso, na verdade, aquela gente (privados) não dá nada a ninguém. Esta é a grande filosofia capitalista e não há capitalismo bom e mau. Há capitalismo que dá ou para fazer dinheiro, ou deixar cair.
          E concluo: para quem anda lá por fora como eu, apesar de tudo, vivemos num paraíso. Bom ano novo.

          • Rui Naldinho says:

            Caro Ernesto. Bom ano novo para si também.
            Sim, cá também há rotativismo, porque os portugueses assim escolheram durante anos. Com o aparecimento da Geringonça, houve apesar de tudo algumas mudanças. Não é por acaso que a direita mais do que sonhar em ganhar qualquer eleição, já sonha com uma maioria absoluta do PS.
            Mas ainda assim o nosso rotativismo nunca impediu ninguém de se candidatar. Por cá não se eliminam adversários políticos como se faz na Rússia.
            Quanto a resto, eu estou de acordo consigo.


        • Caro Rui
          Tenho sempre muito apreço pelos seus comentários, porque regra geral são bem fundamentados, concorde-se ou não com as teses. Hoje no entanto tenho que lhe apontar um erro, o de olhar para outras sociedades à luz do olhar europeu. É assim quando fala dos EUA, de Angola, Rússia ou China, deixa críticas próprias do homem europeu, que de resto também sou. Os africanos, Angola incluída, não gostam de paternalismo colonialista, nem esperam que os governos lhe resolvam problemas, que são gigantescos e inimagináveis para quem vive na Europa. Se repetissem as eleições em Angola provavelmente o MPLA hoje aumentava a votação, porque existe um capital de esperança depositado em João Lourenço, que o próprio talvez nem esperasse, desejasse e muito dificilmente conseguirá estar à altura. Será um caso a acompanhar para 2018. Nunca fui à China, mas trabalho muito com chineses e tenho amigos, pelo que posso afirmar sem grande hesitação que não se interessam por política, mas por ganharem dinheiro para si e família. Vivem para o trabalho e são regra geral felizes.

          • Rui Naldinho says:

            Admito perfeitamente que em Angola João Lourenço ganhasse as eleições com maior margem, tal como cá, o PS neste momento também as ganharia, depos de ter ficado atrás da PàF. Não era com o meu voto, garanto-lhe, mas que as sondagens assim o indicam, lá isso é verdade.
            É a expectativa, António. Mas os problemas permanecem. Estão lá. Tal como cá.
            Agora António, o capitalismo Chinês nada tem a ver com o Russo. Nem sequer com o Americano. A China tem um capitalismo super controlado pelo Estado. E se numa primeira fase aquilo já estava a descambar para as Máfias, paea un liberalismo descontrolado, agora tem vindo a entrar nos eixos.
            Meu caro, na China aquilo que é determinante ou está nas mãos do Estado, ou está sujeito à regulação do poder político.

          • Rui Naldinho says:

            Já agora, para terminar, uma vez que a conversa já vai longa, e não sei nos voltaremos a “cruzar” nesta nossa tertúlia de bitaites, um bom Ano de 2018 para si e todos os Aventadores. O mesmo para os comentadores que por aqui passam.
            Acima de tudo muita saúde. Sem saúde não há paz de espírito e amor que nos valha.
            Abraço


          • Igualmente caro Rui, um excelente 2018.

  6. atento às cenas says:

    para entender a venezuela de agora precisa saber primeiro como era a venezuela de antes. poupava muita asneira para os próximos posts


  7. Por pouco adormecia a ler…

    Socialismo é aplicado às Famílias Donas do Sistema Monetário e seus Capatazes Amigos e Próximos!

    Capitalismo é aplicado às Manadas de escravos boçais!

    TUDO ESTÁ FANTÁSTICO!

  8. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Caro Rui.
    Penso que toca num ponto fundamental na sua comunicação que transcrevo com sua licença : ” … cá também há rotativismo, porque os portugueses assim escolheram durante anos …” .
    Leio, subjacente a estas palavras, uma crítica que me parece fundamentada pelo que conheço, no problema da educação ou, se preferir na questão anti-carneirada, seja ela da cor política que for.
    E tem toda a razão. Defendo que a maior parte dos votantes, entre duas eleições em que vota sempre nos mesmos, vai para o Facebook dizer mal dos que elegeu… Esta é a filosofia de uma grande parte dos votantes, enquanto a outra parte se abstém ou vai a banhos para o Algarve.
    Ora, ao que sei, na Rússia também escolhem … ainda que à maneira deles.
    A cultura russa não tem nada a ver com a nossa. Não é melhor nem pior. É simplesmente diferente e nós europeus cada vez parecemos mais americanos a pensar: só a cultura deles (ou a nossa) é que é boa..
    Já pensou se os Russos, ao dia de hoje sabem viver noutro regime? Na Rússia há cerca de 50 Repúblicas e cerca de metade são autónomas. Saíram de um regime totalitário com os Czares para outro regime totalitário que conservava metade do seu orçamento à guerra e à investigação espacial com fins inconfessados.
    É um imenso País, muitas vezes centenário com regras diferentes, usos e costumes diferentes que não comungam a formação de um País como os EUA, recente e onde, para diminuir as etnias, provocaram o holocausto índio no século XIX. Logo os EUA são um país muito mais consistente em termos de população e de hábitos.
    E ainda assim em termos políticos é o que vemos, com uma oligarquia desconhecida que maneja os presidentes como marionetas…
    Considero que há muitas formas de impedir alguém de se candidatar e eliminar adversários políticos.
    É evidente que o que diz sobre a Rússia é verídico.
    Contudo, neste cantinho à beira mar plantado também temos exemplos de eliminações, sendo para mim o exemplo mais claro, o caso Sócrates, personagem que me não merece o mínimo de confiança ou de credibilidade, mas ainda assim, um político que foi eliminado pelo poder dos media e de outros sectores políticos numa luta que, para mim, não tem contornos claros. Depois de um ano de prisão sem culpa formada, continuamos a assistir ao arrastar da acusação.É Portugal um Estado de direito? Obviamente que não.
    E repito, estou perfeitamente à vontade para falar de Sócrates. Mas a injustiça da sua situação, independentemente de se ser um potencial criminoso é gritante.
    Mas há outros casos como o de Paulo Morais e muitos outros que os media – a que eu chamo o Quinto poder – não dá relevância para ter tempo de cobrir as actividades do nosso presidente. Aqui é o “mais vale cair em graça que ser engraçado”. Continuo a pensar que somos muito críticos de certos países (melhor, de facções), por há uma clara onda de intoxicação intelectual e as pessoas não gostam de pensar porque dá trabalho…
    Não é obviamente o seu caso, mas é o caso de uma boa maioria dos portugueses. E por isso é que alternamos sempre com os mesmos poderes que, no fundo, nos roubam a torto e a direito.
    Para terminar, não tenho a sua ideia sobre a Geringonça.
    Esperemos o futuro. Começam a ouvir-se os ecos das investidas bancárias sem regulação e cada vez é maior o número de insolvências familiares. Temo que não tenhamos aprendido nada, mas isso, só o futuro dirá. Para mim, a Geringonça não me trouxe nada de novo e tenho os meus recibos de vencimento para mostrar e os recibos das contas que pago…
    Se ao menos os pobres tiverem ganho, já é bom, desde que sustentável.
    Abraço.

    • Paulo Marques says:

      “Começam a ouvir-se os ecos das investidas bancárias sem regulação e cada vez é maior o número de insolvências familiares. ”

      Isso não é nada comparado com os planos da Comissão e do BCE.

      “Se ao menos os pobres tiverem ganho, já é bom, desde que sustentável.”

      Ganharam rendimento, mas continuaram a perder soberania para mais lhes ser retirado quando a teoria económica estourar outra vez – nada é sustentável, porque é construido em cima de lixo ideológico. Quando nem as pontes alemãs são fiáveis nem os alemães ganham bem e votam em fasços, algo vai seriamente mal.


    • Caro Ernesto Ribeiro, nesta sua afirmação, aqui terei que lhe dizer : olhe que não, olhe que não :
      “. Depois de um ano de prisão sem culpa formada, continuamos a assistir ao arrastar da acusação.É Portugal um Estado de direito? Obviamente que não.
      E repito, estou perfeitamente à vontade para falar de Sócrates. Mas a injustiça da sua situação, independentemente de se ser um potencial criminoso é gritante.”

      …digo-o só por uma questão de rigor judicial .

      • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

        Bom dia cara Isabela.
        Faz muito bem em contrapor a sua ideia porque permite o debate são 🙂
        É para essas coisas que existe (ou deveria existir o Aventar).
        Olho a Justiça do meu patamar de ignorância judicial – no que respeita aos conceitos puros, entenda – e, neste contexto, admito que o rigor possa escapar de quando em vez, pelo que agradeço qualquer correcção.
        Contudo olho-a também como um habituado às lides políticas e às maroscas oportunistas (queira ler, política) e sobretudo, faço comparações.
        A Justiça, a partir de agora pode fazer o que quiser, pois tem tudo para que dela desconfiemos. Diga-me um cidadão, um único, que tivesse sido submetido a prisão sem culpa formada durante um ano e que fosse a seguir posto em liberdade e mais de uma ano depois, nada sai.
        A lei permite prender sem culpa formada um suspeito, isso é verdade, mas tê-lo um ano sem acusação e libertá-lo a seguir, é arrastar a acusação, claramente uma prisão política.
        Se quiser, compare com Oliveira e Costa acusado de corrupção, tráfico de influências e lavagem de dinheiro e com a sua pulseira dourada ou com um Ricardo Salgado… nas mesmas circunstâncias
        O que distingue um estado sem regras de um Estado de Direito, é a aplicação da Justiça sem olhar às pessoas. E aqui, convenhamos, este estado não está limpo e nunca se limpará dessa nódoa.
        De resto, creia, sou dos que se não acredita na inocência do figurão Sócrates. Mas há regras ou, se quiser, limites. Era a isso que eu me referia.
        Cumprimentos.

    • Carlos Almeida says:

      Boa noite Ernesto e Bom ano 2018

      Relativamente ao ex Primeiro Ministro Sócrates, e também estou à vontade porque o considero (embora sem provas é claro) como um “artista” profissional, principalmente pelo seu percurso politico da JSD/PPD para o PS,
      Um garoto que na sua aldeia natal, tem formação e militância num partido e depois mais tarde muda para outro, não é normal, pelo menos em ambientes rurais (Vilar de Maçada- Alijó- Alto Douro.
      De qualquer maneira independentemente do que tenha feito ou não, a dita Justiça “isenta e separada do poder politico” é uma valente treta. Foi e continua a ser mais que evidente a pressão sobre a “Justiça” efectuada pelos pasquins políticos controlados pela direita, como o CM, o SOL (da Isabel dos Santos), na campanha difamatória, que de resto continua agora com o Sol, i Jornal, Observador e outra informação de sargeta.
      Mas como diz e muito bem sobre a perseguição política a Socrates: “a injustiça da sua situação, independentemente de se ser um potencial criminoso é gritante”
      Não gosto do Sócrates a quem sempre chamei PPD cor de rosa, mas a perseguição politica dos senhores Doutores Juízes controlados pelas “ratazanas” foi por demais evidente.
      E isto é uma pequena amostra do que os senhores liberais e “democratas” são capazes de fazer quando lhes der jeito, desde que controlem os pasquins informativos. E controlam. Quem lê esse “lixo” acredita em tudo

      • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

        Bom dia.
        Concordo em absoluto com a sua análise.
        Cumprimentos


      • Caro Ernesto, não possuo bagagem de conhecimento na área do judicial suficiente para debater com conteúdo esta questão, apenas mantenho relações amigas com gente bem formada dessa área por breves trocas de ideias, sei que na opinião pública se criam facilmente sem verdadeiro conhecimento de causa opiniões levianas e erradas sobre o funcionamento da Justiça, aonde há o bom, o muito bom mas também o menos bom se não por vezes e em menor escala o mau acontece, sei que quem está por dentro, da gente honesta e bem formada que conheço, negaria ofendida mas com razões reais afirmações suas negativas contra magistrados e contra o funcionamento da justiça. Os problemas com que se debatem para poderem levar a cabo os processos e toda a complexidade desde a investigação à obtenção da prova judicial credível e consistente, até ao desenrolar de casos que se interligam, o tempo quase infinito e condições de trabalho que com desespero necessitariam para desempenharem a sua missão em condições decentes com brio e recompensa profissional que a maior parte deles detém e merece, enfim ! podemos afirmar que “dentro do convento só sabe bem o que se lá passa quem está lá dentro ” . Pode crer.
        Acho injusto e incorrecto e revolta-me que se embarque levianamente num maldizer de crítica rasteira e básica sem verdadeiro conhecimento de causa, tipo jornalistas do Eixo do Mal et alii, á Justiça no seu todo e até com falta de respeito a Magistrados que me habituei desde sempre a tratar com o respeito e consideração que á partida nos devem merecer .
        E neste caso socratino específico, precisamente porque é específico em dimensão e gravidade e muito, mas muitíssimo, abrangente que nem nós nunca saberemos tudo, acho INJUSTO e erradíssimo as afirmações contra a Justiça que se fazem baseadas em opiniões pessoais e nos media.
        Cuidado !
        Foi esse o sentido do apelo que lhe lancei quase em sussurro,
        caro Ernesto Ribeiro.
        …e ficamos por aqui.

        • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

          Cara Isabela.
          Quero deixar claro duas coisas: primeiro estou, ao seu nível no que toca a conhecimentos judiciais, mas não deixo de discutir o tema, dentro do meu papel de cidadão e ouvir quem sabe da matéria para formular as minhas conclusões.
          Eu não desrespeitei os magistrados. O que eu disse e digo é que a Justiça não funciona e qualquer cidadão minimamente informado reconhecerá isso. Há casos e casos, há personalidades e personalidades.

          Portanto não aceito que me diga que eventualmente estou a por em causa a honestidade de quem quer que seja.
          Não estou dentro do “convento” como lhe chama, mas não deixo de ter uma opinião sobre o que vejo e analiso.
          O que me diz – e eu corroboro – é que há falta de meios. Mas a verdade é que não vejo nenhum Juiz alertar para esse problema, nem a Ordem. Não os vejo apelar para quem de direito – neste caso ao Presidente da República – para repor condições de trabalho aceitáveis. Pelo menos, não me parece que os eventuais apelos, se existem, cheguem à opinião pública o que deveria acontecer porque, ao dia de hoje, muita gente põe em causa o modo como a Justiça funciona.
          Ou seja, parece estar tudo bem, quando o que vemos é que há assimetrias dolorosas ….
          Da minha parte, acredite, não há qualquer influência da opinião pública sobre as minhas afirmações. Elas são o que são e saem do meu modo de pensar e ver as coisas.

          O caso Socratino, como lhe chama, tem de facto as suas particularidades. Mas lembro que quem tem uma balança na mão e uma venda nos olhos é a Justiça e quem a executa. E com toda a honestidade, parece-me que a venda caiu e que o fiel da balança está oxidado. Não sendo jurista, tenho sérias dúvidas sobre a legalidade de uma prisão preventiva de um ano sem culpa formada, uma saída sem culpa formada, num processo que se arrasta indefinidamente. E, tendo eu como tenho uma opinião muito negativa sobre o personagem em causa, seja qual for a conclusão do processo, há uma terrível nódoa na Justiça.
          E quem o diz não é o cidadão Ernesto Martins Vaz Ribeiro.
          São dezenas de juristas que conheço e ouço.


          • Caro Ernesto,
            eu não afirmei em relação a si nada textualmente como sugere aqui : ” não aceito que me diga que eventualmente estou a por em causa a honestidade de quem quer que seja.”

            Acho é que assim se exerce cidadania de livre assuntar. É saudável cada um escutar e admitir as possíveis razões do outro, procurando estar seriamente informado, admitindo estar errado ou mal ou bem informado mas sempre com a intenção dessa cidadania participativa acontecer pelo lado positivo. E lançar alertas. Entre todos.
            …já agora, aguardemos para que se conheça exactamente o porquê e o como dessa
            “terrível nódoa da Justiça” que tão categórico afirma !

            Por agora ficamos assim mesmo, já chega, obrigada e desculpe qualquer coisinha.


          • .Afinal, caro Ernesto, …só mais esta achega, se pretende ou/ e aprecia e admite realmente informação fidedigna.
            …e repito, aguardemos para que se conheça exactamente o porquê e o como dessa sua suposta
            “terrível nódoa da Justiça” que tão categórico afirma !

            Chegou-me agora esta de “um frade” bem de dentro desse tal convento :

            ..”….podia esse cidadão tão sabedor ser informado que um preso preventivo não tem “culpa formada”. Essa, têm os condenados (depois do julgamento, claro). Um preso preventivo tem contra si a existência de fortes indícios da pratica de crime e perigos que importa acautelar (de fuga, de perturbação da prova, de continuação da pratica criminosa…). Se os indícios enfraquecem no decurso da investigação (às vezes acontece nos crimes sexuais..), ou se deixa de se verificar um destes perigos, a medida de coacção de prisão preventiva tem de ser alterada para outra menos gravosa (foi o que aconteceu no caso do Sócrates, sendo que a prisão preventiva, confirmado em montes de recursos, tinha a suportá-la, essencialmente, o perigo de perturbação da prova, que era real, e que terá deixado de se verificar quando a prova que ele podia destruir ou inquinar foi recolhida).
            Portanto, as coisas são juridicamente explicáveis e têm lógica para quem queira perceber.

            Quanto à acusação, as pessoas têm ideia que demorou muito. Não sabem com certeza sobre a dimensão da coisa… E também que havia montes de coisas pedidas a outros Estados que demoraram imenso tempo a chegar e que, depois disso, ainda tiveram de ser tratadas. Nomeadamente da Suíça, que é difícil para entregar informação bancária…
            Mas há pessoas que não querem saber nada disto… Uns são ignorantes. Outros sabem muito bem o que andam a fazer…

            Ps. : aquela do preso político é mesmo anedota… Ofende qualquer pessoa que de facto o tenha sido.
            Pouca vergonha! ”
            ******
            E punto, caro Ernesto, achei que devia enviar-lhe .
            O resto é consigo.

  9. Carlos Almeida says:

    Boas

    Falando em Angola.
    Chegou-me ás mãos o discurso de despedida de José Eduardo dos Santos, que reproduzo abaixo. Estranho ainda não aparecer nada nos pasquins de direita, mas se o que abaixo reproduzo for verdade é mesmo surpreendente e os descobridores da treta, estão a pensar no que vão dizer:
    Discurso do JES, abaixo:
    —————————————————————————–
    Caros camaradas, chegou a hora de dizer adeus depois de muitos anos de serviço obrigatório a pátria amada. Tentei deixar o poder várias vezes no passado mas a responsabilidade era grande e temia que a unidade nacional e a paz fosse posta em causa. Sacrifiquei a minha juventude e a minha saúde em nome da Pátria, hoje sou amado e odiado por muitos.
    Sou amado por aqueles que conheceram os meus feitos como humanista, nacionalista e patriota. Odiado por aqueles que julgam pelos bens materiais daqueles que me são próximo como consequência da minha nobre intenção de se fazer uma classe Média-alta Angolana através da criação primitiva de capital não ter resultado. Não resultou pela traição deliberada daqueles a quem confiei os fundos de todos nós para investirem em Angola, para o bem de todos, ter sido exportado para Europa e outras partes do mundo. Hoje me sinto traído tal como vocês!!! Peço as minhas sinceras desculpas ao povo amado de Angola.
    Hoje decidi deixar, em definitivo, a vida política activa por reconhecer que existe uma geração de líderes capazes de dar sequência a obra iniciado por Neto, Holden e Savimbi, isto para não recuar no tempo de Ekuikui, Mandume, Nzinga , Ngola e tantos outros. Tenho a plena certeza de que João Lourenço, Samakuva, Chivukuvuku e mesmo Ngonda tenham aprendido muito ao longo dos tempos e com as nossas inúmeras desavenças.
    Estes líderes podem e devem dar sequência a senda do desenvolvimento a que nos comprometemos. As desavenças de Neto, Holden , Nito e Savimbi custou a vida a muitos Angolanos e ainda tem custado muitas outras através das suas consequências, pois o nosso País ainda é subdesenvolvido aonde a energia, água potável e educação para citar alguns, constitui problemas.
    Caros camaradas e compatriotas, é praticamente impossível liderar um País em paz e não ser autor moral de várias atrocidades, quanto mais um líder que liderou um país que enfrentou a mais sangrenta guerra em África apoiada segunda guerra mundial.
    Caros compatriotas, não estou completamente satisfeito por não estar a deixar um País com todos os cidadãos felizes mas sinto-me honrado pelo facto de reconhecer que fui capaz de deixar Angola e o Partido nas mãos de um Líder extremamente capaz e que me surpreende a cada dia com ações dignas de um discípulo amado e admirado; Coragem camarada João Lourenço! Sempre admirei a sua coragem e determinação de me substituir.
    Não o deixei fazer antes porque achei que não era o momento certo. Estarei ao seu dispor quando for absolutamente necessário. Acho que chegou a hora de um descanso merecido deste velho que venceu o Apartheid, libertou a Namibia e deixou Angola em paz e unida.

  10. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Cara Isabela:

    Permita-me que comece com uma frase minha com que iniciou a penúltima comunicação que me dirigiu:
    “ (…)” não aceito que me diga que eventualmente estou a por em causa a honestidade de quem quer que seja. (…)”

    Esta frase vem no seguimento de uma outra que me havia dirigido e que diz:
    “(…)sobre o funcionamento da Justiça, aonde há o bom, o muito bom mas também o menos bom se não por vezes e em menor escala o mau acontece, sei que quem está por dentro, da gente honesta e bem formada que conheço, negaria ofendida mas com razões reais afirmações suas negativas contra magistrados e contra o funcionamento da justiça (…)”.

    Como lhe disse atrás, esta última frase é sua e parece claro que só poderia ter a resposta que lhe enviei.

    Mais à frente, leio uma outra frase onde é citado:
    “(…) esse cidadão tão sabedor (…)”

    Ora, eu não sei a quem se refere o “monge” nessa frase que me envia. Mas salta, à partida, uma arrogância ou pelo menos uma enorme falta de pedagogia fundamental para que um diálogo – ainda que as pessoas estejam em desacordo – possa ser construtivo. De algum modo essa frase é indiciadora da filosofia do dito “monge”
    Tenho já uma farta idade, experiência e acontece que sou especialista em certas matérias que administro há muitos e muitos anos. Ensinou-me a vida que o ser-se especialista também nos deveria conceder o dever de ser humildes, formadores e pedagogos, o que me não parece constituir matéria tal frase. Mas enfim…

    De resto toca várias vezes na falta de informação das pessoas ou mesmo nos meios que se utilizam para a aquisição dessa informação.
    Não vou discutir de onde me chegam as informações que tenho ou como as processo, mas acima de tudo, não tenho a presunção de ter uma informação única e modelar como a que leio na sua frase :
    “ (…)só mais esta achega, se pretende ou/ e aprecia e admite realmente informação fidedigna (…)”
    E com toda a sinceridade, só tenho a agradecer essa informação que retenho, embora tenha muitos amigos Juristas que têm uma opinião sobre o caso Sócrates bem diferente daquela que defende. Isto, é uma constatação que quer dizer que no grande “Convento” que se chama Justiça, os “monges” se devem regular por Regras diferentes. Isto, quanto a mim, não tem mal nenhum, pois nada é perfeito e o importante é que das diferenças de opinião ou de interpretação, surja algo que seja capaz de esclarecer os conhecedores do absoluto e os outros mais ignorantes.

    Pois agora saio do “Convento” e venho para a minha janela ver a Justiça da forma como ela se apresenta, aos olhos de leigo, mas que tem sensibilidade para fazer uma coisa que se chama comparação.

    E aqui debato-me, a propósito do tal (permita-me parafraseá-la uma vez mais:
    “ (…)a prisão preventiva, confirmado em montes de recursos, tinha a suportá-la, essencialmente, o perigo de perturbação da prova que era real, e que terá deixado de se verificar quando a prova que ele podia destruir ou inquinar foi recolhida (…)”.

    para concluir que no caso de qualquer dos banqueiros cujo julgamento se prepara, esse perigo era mais controlado com pulseira electrónica.
    Sem pretender ser juiz ou advogado, admito que não entendo sendo este e apenas este facto que salta à vista das pessoas que não são especialistas.

    Para terminar lembro as suas frases, às quais não respondo porque pretendo manter um nível de tratamento correcto, tais como:
    “(…) Portanto, as coisas são juridicamente explicáveis e têm lógica para quem queira perceber (…)”

    Ou:

    “ (…)Quanto à acusação, as pessoas têm ideia que demorou muito. Não sabem com certeza sobre a dimensão da coisa … Mas há pessoas que não querem saber nada disto… Uns são ignorantes. Outros sabem muito bem o que andam a fazer (…)

    E sobretudo a sua última escrita sob forma de PS::

    “ (…) aquela do preso político é mesmo anedota… Ofende qualquer pessoa que de facto o tenha sido. Pouca vergonha! (…)”

    Onde reconheço claramente a filosofia do monge que fala do alto da cátedra, dirigindo-se ao
    “(…) cidadão tão sabedor (…)” …

    E pronto, imagine só que eu, um cidadão que não suporta Sócrates passo de repente a ser um delator da sua desgraça …
    Não lhe digo como despedida, “Desculpe qualquer coisinha”, mas sim um até breve, espero eu num qualquer outro comentário do Aventar.
    Até lá, fique bem.

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