In Delgado they trust

Luís Delgado pegou em 10, 2 milhões e comprou vários objectos que Francisco Pinto Balsemão tinha em sua posse, nomeadamente revistas como Visão e Caras.

Delgado, que tem feito carreira como defensor das ideias mais indefensáveis da direita mundial, é dono de uma empresa com a irónica designação Trust in News. A primeira palavra pode, também, significar “confiança”. Luís Delgado é, sem dúvida, um homem de confiança, bastando lembrar o facto de ter defendido, como muitos outros, a bondade da guerra do Iraque.

Assim como podemos fingir que não sabemos quem financia o blogue Observador, podemos também fingir que Luís Delgado não é membro integrante de uma estratégia de domínio da imprensa, num grupo que se adivinha cheio de sinergias, sendo que se chega ao ponto de Mafalda Anjos, a actual directora da Visão, passar a ser também publisher dos 12 títulos detidos pelo patrão.

Estamos num país livre e vivemos num mercado igualmente livre. Haja dinheiro e tudo poderá ser comprado, nada contra. Mas é importante não termos ilusões acerca do facto de a imprensa estar nas mãos de gente que – justiça lhe seja feita – tem uma agenda muito clara.

Relembre-se, a propósito, um belíssimo texto de Eduardo Prado Coelho acerca do CEO da Trust in News. O cronista só falha na aparente previsão de que Luís Delgado poderia sair de cena. Não acontecerá: é um homem demasiado útil no programa de controlo da imprensa, esse poder cada vez mais delgado.

Comments

  1. Ricardo Silva says:

    O PCP, de longe o partido mais abastado da nossa democracia, e por uma diferença colossal, pode também começar a investir na comunicação social. E claro, tudo para o bem duma correcta informação das massas. O Avante não consegue claramente cumprir essa missão.

    • Rui Naldinho says:

      Há sempre um Rui SIlva ou um Ricardo Silva “capaz de produzir um comentário inimaginável, que nos leva ao delírio”, tal a sua fé na irracionalidade humana. Mentes brilhantes, dirão alguns.
      Ora, o Avante, por ser um jornal partidário, nunca poderá cumprir objectivos que não o de “ensaboar as cachimónias” dos seus próprios militantes. É mais ou menos como ver a Benfica TV, a Sporting TV ou o Porto Canal para se perceber de quem foi a culpa do penalty não assinalado, ou do fora de jogo que ficou por marcar. Uma espécie de Tele Aficion. Por aí nada a dizer. Também temos o Povo Livre, Acção Socialista e o Esquerda Net.
      Por outro lado o PCP é um partido capaz de fazer inveja a muito boa gente, em especial aos fundamentalistas cristãos e liberais, que ousam enraivecer-se por verem neles um forte concorrente na luta por um mundo melhor para os pobrezinhos e mais desfavorecidos. Mas aqui com clara desvantagem para o PCP, que não consegue colocar na Banca, nas empresas de Energia, nas Telecomunicações e noutras PSI20, os seus patriarcas e sumo sacerdotes. Contrariamente os seus detratores, todos eles capazes de criarem jornais ditos de referência, pagos com dinheiro dos contribuintes para os amedrontarem com o Diabo e o Inferno caso não votem bem nas próximas eleições ou façam greves, sentem-se impotentes para ombrearem com o PCP na mobilização de massas.
      Acresce que o PCP já foi acusado de no passado ser financiado pela ex URSS e pelo seu PCUS. Estes desintegraram-se, mas o PCP continuou. A seguir foi a RPdaChina. Mas a China virou capitalista e o PCP continuou. Veio depois a Venezuela de Chaves. A Venezuela faliu e o PCP continuou.
      Porra pró PCP! Nunca mais acaba! Pelo menos enquanto houver desempregados, explorados, indigentes, desamparados…

    • António Fernando Nabais says:

      Ó Ricardo, quando puder, comente.

  2. Rui Naldinho says:

    Luís Delgado, José Manuel Fernandes, David Dinis, Pedro Santos Guerreiro, todos eles são personagens demasiado úteis para o “programa de controlo da imprensa, esse poder cada vez mais delgado”, mas que as elites económicas ousam sustentar ad eternum, com custos elevados, na esperança da conversão dos infieis.
    Infelizmente para todos, cada vez mais as redes sociais têm sido chamadas com a sua irracionalidade e falta de rigor, a substituirem-se aos órgãos de comunicação social, em especial por aquilo que a imprensa não nos consegue dar hoje, credibilidade, fontes fidedignas, contraditório, isenção.
    A Visão sempre foi uma revista com uma linha editorial mais à esquerda do que o Expresso. Com esta compra imagino o pino que a revista irá fazer.


  3. 10,2 M€? São as suas poupanças? Senão, donde vêm?

  4. joão lopes says:

    era uma vez,um tal de Socrates,que queria controlar a comunicação social,diziam o Luis Delgado,a Helena Matos,o João miguel tavares,o Jose manuel fernandes,entre outros ….


    • Mas não queria, João Lopes. Era tudo mentira! Uma grande, grande cabala contra um homem impoluto.

      • joão lopes says:

        oiça,a Matos tem 49 livros da capa vermelha,com tudo,literalmente tudo o que o homem faz ou deixa de fazer,quer maior paixão do que esta?


  5. Puxa, onde é que o gajo foi buscar a massa? Mas ele não é um assalariado como eu e outros milhões de pessoas?
    Sinto-me desfavorecido no meio de tanto gajo endinheirado. Não tenho inveja, não. Bom proveito…

  6. ZE LOPES says:

    “Delgado pagou (…)”? Não creio! Cá pra mim Delgado está aqui a prazo. É o que se pode chamar um diretor Intestino!

Trackbacks


  1. […] Segundo parece, existe um arco da governação. Por vezes, chamam-lhe bloco central, que é uma maneira de dizer que a direita parece descaída, mesmo que nunca saia do sítio em que sempre esteve, um sítio em que se defendem privilégios e se atacam direitos. Com a interrupção dos primeiros tempos da revolução, aproveitando maiorias absolutas para dominar a democracia, a direita esteve muito pouco tempo fora do poder, mesmo que continue a fingir um complexo de calimero, queixando-se, por exemplo, de uma inexistente hegemonia da esquerda numa imprensa cujos donos têm nomes como Balsemão ou Luís Delgado. […]

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