À Esquerda, é corrupção. À Direita, é empreendedorismo.

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Encontrado n’Uma Página Numa Rede Social

Um dia após a morte de Mário Soares, o grupo Cofina dá uma mãozinha às pessoas que adoram partilhar as histórias mais escatológicas acerca daquele que hoje é reconhecido como o pai da democracia portuguesa. Na revista, é alegado o seguinte: “Soares quis montar um império da comunicação social. O sonho ruiu, num escândalo de alegada corrupção que ainda hoje está por explicar.” Depois, para sustentar este conceito, a revista Sábado junta factos confirmados com boatos nunca verificados e tece uma narrativa genérica o suficiente para permitir todo o tipo de suposições.

Para quem odeia Mário Soares, isto é perfeito. Sem provar rigorosamente o que quer que seja, a Sábado deixa um clima de suspeição no ar e repete a palavra “corrupção” três vezes ao longo do artigo, permitindo que qualquer opositor da Esquerda use o texto para confirmar o seu enviesamento ideológico.
Esta forma de fazer jornalismo, que deliberadamente pisca o olho às teorias da conspiração, é perigosa. Ela alimenta o clima de pós-verdade (leia-se, “de mentiras”) que está a corroer o jornalismo sério e objectivo. Ela cria hordes de ignorantes que adoram queimar bruxas na fogueira e para quem o conceito de presunção de inocência é uma extravagância criada para proteger corruptos.

Porém, não é esse o motivo que nos leva a escrever acerca do assunto. O que nos chamou a atenção neste artigo é a espectacular dualidade de critérios no tratamento que a comunicação social portuguesa dá à Esquerda e à Direita em Portugal.
Reparem, a revista Sábado pertence à Cofina Media SA, um dos grupos mais influentes da nossa comunicação social e que, através do Correio da Manhã, regularmente alimenta o ódio e o preconceito contra a Esquerda. Ainda em 2011, o Governo de Passos & Portas, através de Miguel Relvas, procurou privatizar a RTP, entregando-a à Ongoing e, precisamente, à Cofina.

A outra empresa que domina as notícias em Portugal é o grupo Impresa, criado por um dos fundadores do PSD, Francisco Pinto Balsemão, e que caracteriza a sua acção pelo destaque (leia-se, “pela promoção”) dado aos dirigentes do PSD. Neste preciso momento, enquanto escrevemos isto, Marques Mendes dá a sua homilia dominical aos espectadores.

Posto isto, falemos de dualidade de critérios. Em Portugal, os grupos Cofina e Impresa são vistos como grandes empresas, que dão trabalho a milhares de pessoas e determinam o tipo de conteúdos que os portugueses vêem, lêem e ouvem. Francisco Pinto Balsemão, para todos os efeitos, é um dos fundadores da nossa democracia e um dos maiores empresários do país. Porém, quando alguém ligado ao PS tentou criar um grupo exactamente com as mesmas características, isso rapidamente foi classificado como corrupção.
Ou seja, num país onde a comunicação social é dominada por um dos fundadores do PSD e por um grupo opositor da Esquerda, os jornalistas promovem a ideia de que um grupo criado por pessoas do PS consistiria numa tentativa de controlar a informação.

À Esquerda, é corrupção. À Direita, é empreendedorismo.

Este é, provavelmente, o caso mais sintomático de como o preconceito e a dualidade de critérios estão enraizados na interpretação que muitos jornalistas fazem da nossa realidade.

Orgulhosamente empreendedores.

Ganhar para perder

Balsemão quer uma renda pelos seus conteúdos. E se o Google só indexar o Expresso se este pagar?

“Eu acuso Balsemão”

Com a devida vénia publico aqui um texto da autoria do Paulo Querido, a quem agradeço a autorização de reprodução, cujo conteúdo subscrevo, palavrinha por palavrinha, João de Sousa

“Eu acuso Balsemão de se alhear do problema da pilhagem nos jornais, que agem como se fossem donos dos acontecimentos.

Eu acuso Balsemão de se alhear do problema da pirataria nos jornais, que pilham as fotografias e os videos das pessoas na net.

Eu acuso Balsemão de se alhear da realidade: as pessoas morrem, deixando os jornais sem audiências.

Eu acuso Francisco Pinto Balsemão de parecer “alheio” aos problemas “graves” desta forma de gerir incapazmente um grupo de Comunicação Social que devia procurar fazer a transição de paradigmas em vez de abusar dos legisladores, o que não lhe trará um cêntimo de benefício.

Nos últimos tempos, Balsemão tem sido o principal artífice da falsa acusação de que os motores de pesquisa se apropriam dos conteúdos. Os conteúdos a que Balsemão se refere não estão protegidos ou sequer sinalizados de que não devem ser indexados pelos motores de pesquisa. Pelo contrário, estão OPTIMIZADOS para serem indexados. Ou Balsemão ignora, ou Balsemão está a ser hipócrita. Ou directo ao metal: o que Balsemão quer, sei eu. [Read more…]

E que tal o Google não indexar a Impresa?

Balsemão defende lei que obrigue Google a pagar conteúdos.

Quando a premissa é falsa, quero lá saber do programa do governo

Programa do ainda “actual Governo“:

O Grupo RTP deverá ser reestruturado de maneira a obter-se a uma forte contenção de custos operacionais já em 2012 criando, assim, condições tanto para a redução significativa do esforço financeiro dos contribuintes quanto para o processo de privatização.

Sendo mentira, a parte da “redução significativa do esforço financeiro dos contribuintes“, ficaria por aqui, deixemos agora o Marques Mendes que descapitalizou a RTP acabando com a taxa de radiodifusão ou a taxa/EDP que foi inventada na curta estadia de Durão Barroso em S. Bento, tudo às ordens do tio Balsemão que agora se descobre enquanto aprendiz de feiticeiro, nem estou virado para discutir o caso privatização da RTP propriamente dito, uma toleirada de Agosto inventada à pressa para tapar o absoluto e definitivo falhanço das metas orçamentais. Mas ao procurar no tal programa de governo não pude deixar de ler um parágrafo anterior:

As mudanças em curso (v.g. a Televisão Digital Terrestre, que deverá cobrir todo o País em 2012, e as novas gerações de banda larga) exigem especial cuidado de forma a garantir que não há cidadãos excluídos particularmente por razões económicas, pelo que o Estado compromete-se combater qualquer tipo de exclusão, actuando de forma rigorosa na esfera legislativa e reguladora.

Perante factos, nem vale a pena gastar argumentos. Esta gente é tão rasca que ainda acordo com saudades do exilado parisiense um dia destes. E aí, não respondo pelos meus actos.

Fonte do gráfico.

Isto dava um filme americano

De série C, é claro:

Balsemão processa a Ongoing

A base da teoria da conspiração foi-se…

Em artigo de opinião sobre a intenção de o Governo privatizar algumas empresas, nomeadamente a RTP, o CEO da Ongoing afirma que “há privados que, não sabendo gerir as suas empresas, querem que seja o Estado a assegurar-lhes a sobrevivência”. Nuno Vasconcelos esclarece que “a Ongoing não vai à privatização da RTP – porque a televisão da Ongoing é a SIC”.

in Diário de Notícias – 06-09-2011

 

Pois é, a teoria dos corredores das más-línguas era tão simples e simplista como isto: O Nuno Vasconcelos da Ongoing queria um canal de televisão. O Ministro Miguel Relvas queria privatizar a RTP. Estavam feitos um com o outro.  É muito português falar do que se não sabe…

A Ongoing já está na televisão e quer, quando muito, ser maioritária na empresa que é, também, sua: a Impresa. Sendo a Ongoing uma das principais accionistas da Impresa, a privatização da RTP é um pau de dois bicos. A privatização da RTP terá como consequência natural (é o mercado) uma desvalorização do valor da Impresa e da Media Capital. Sobretudo, tendo em conta as audiências dos últimos 12 meses, sofre a Impresa.

Sendo Nuno Vasconcelos accionista da Impresa, se fosse à privatização da RTP teria de vender a sua quota e ninguém gosta de vender em perda…Mais, é mais fácil e barato recuperar a SIC para níveis de audiência do passado do que colocar a RTP financeiramente viável.

Obviamente, para quem conhece o mercado e as personagens em causa (Impresa/Balsemão vs Ongoing/Vasconcelos) a tentação de acreditar que a Ongoing quer a RTP até podia colher: Balsemão e Vasconcelos não se vão entender e seria mais simples a este último vender a sua participação (22,8%) e partir para a aventura RTP. Errado.

Enquanto as virgens (ofendidas ou suicidas) andam entretidas a tentar fazer a cama a Miguel Relvas com a desculpa, falsa, da guerra Ongoing-Impresa, temos dois players internacionais e um nacional interessados, esses sim, na privatização da RTP a rir às escondidas.

Pelo andar da carruagem e com tanta gente a continuar a desempenhar o papel de idiota útil, sobretudo certa esquerda e imprensa, temo que chegou a hora das hienas. Como sempre, no fim elas vão continuar a rir e os idiotas vão chorar e muito…

A Ler:

NÃO SEI se é da idade ou da falta de habilidade dos seus atentos e venerandos funcionários, mas Francisco Pinto Balsemão anda a “perder a mão” no que diz respeito a campanhas movidas contra quem possa ameaçar os seus interesses…