Os bancos são uma parceria público-privada

Segundo parece, existe um arco da governação. Por vezes, chamam-lhe bloco central, que é uma maneira de dizer que a direita parece descaída, mesmo que nunca saia do sítio em que sempre esteve, um sítio em que se defendem privilégios e se atacam direitos. Com a interrupção dos primeiros tempos da revolução, aproveitando maiorias absolutas para dominar a democracia, a direita esteve muito pouco tempo fora do poder, mesmo que continue a fingir um complexo de calimero, queixando-se, por exemplo, de uma inexistente hegemonia da esquerda numa imprensa cujos donos têm nomes como Balsemão ou Luís Delgado.

O chamado arco da governação, desde que Mário Soares meteu o socialismo na gaveta, tem-se dedicado, graças a uma alternância que só o é na distribuição de tachos, a meter a mão nos cofres públicos para ajudar os amigos e/ou os patrões, numa parceria público-privada que, mesmo sem o ser na letra, sempre o foi no espírito. Basta ver que o discurso dos governos sempre pôs à frente de tudo as empresas, os empresários, o empreendedorismo, deixando os cidadãos ou a administração pública para os discursos dos feriados e nunca para o exercício governativo.

Sá-Carneiro, Mário Soares, Cavaco Silva, Guterres, Durão Barroso, Santana Lopes, Sócrates, Passos Coelho e António Costa, entre outros, com mais ou menos cosmética, pegam nas receitas do Estado e entregam-nas, servilmente, aos interesses privados, entre os quais se incluem os banqueiros. Sempre que o dinheiro acaba, culpam o peso da administração pública e chegam a bolçar mentiras sobre os que vivem da ajuda do Estado. Sempre que o dinheiro acaba, falam na necessidade de fazer “reformas estruturais”, um dos eufemismos que esconde o despedimento de trabalhadores ou a diminuição de salários ou o aumento de impostos.

Ao contrário do funcionário público ou do pensionista, parasitas ameaçados pelas “reformas estruturais”, o banqueiro é apresentado como um ser superior, pronto a ensinar tudo a todos, praticante do espírito empresarial, cume da evolução humana.

Pelos vistos, vai ser necessário dar dinheiro ao Novo Banco, que era a parte boa do Banco Espírito Santo. Descobriram por lá um prejuízo que, em princípio, e de acordo com a selecção natural defendida pelos liberalóides da governação, deveria conduzir, no mínimo, à ruína dos responsáveis. Em vez disso, servirá para aprofundar a ruína dos que não têm responsabilidade.

Na minha qualidade de professor congelado há vários anos, devido a estes e a muitos outros desmandos e depois de andar a contribuir para o pagamento de dívidas privadas assumidas por sucessivos governos, gostaria de deixar aqui um sentido “bardamerda”, que é das expressões mais suaves de que me consigo lembrar. Ai que horror, um professor a dizer palavrões em vez de dar o exemplo, como é que este país há-de ir para a frente! Pois: bardamerda!

Comments

  1. Carlos Almeida says:

    Boa noite

    Então não foi para isto que o Ramalho Eanes, com o apoio do Mario Soares, bando dos 9 e restantes “democratas” do PS e PPD, fez o golpe de 25 de Novembro de 1975 ?

    Os bandidos que tinham ido e levado o dinheiro para o Brasil, voltaram e o Mario Soares deu-lhe mais dinheiro para recomeçarem de novo cá. Mas o que levaram para o Brasil, lá ficou

    Ai vocês queriam sol na eira e chuva no nabal ?

    Depois ficamos admirados que 200 agregados de altas posses paguem apenas 0.5% ou seja 5/1000 de IRS

    Noticia já um pouco antiga, bem escondida num dos canais de TV para o pessoal da Media/alta, o SIC-Noticias, do Balsemão.

    Em 2015/12/09, o ex. Director das finanças decidiu divulgar aos Portugueses algo de muito grave!

    Porque não o fez antes??? Mas vejam a noticia no YouTube no link abaixo

    José Azevedo Pereira, antigo director-geral do fisco, confirmou que os políticos fazem as leis com os buracos necessários para os multimilionários não pagarem impostos.

    Porque é que os canais de Informação de sargeta, como o CMTV e a TVI, não fazem manchete destas noticias.?

    Porque é que esta informação foi transmitida na SIC Noticias já em 9 de Dezembro de 2015, não no Laranja canal, isto é na SIC de canal aberto ?

    A frase que chama mais à atenção é: “há mais de 900 agregados em Portugal que têm 5 milhoes de património e 25 milhões de rendimento ou mais, que não estão completamente identificados e o volume de tributação que estão sujeitos é muito menor do que deveria ser”

  2. Bento Caeiro says:

    “José Azevedo Pereira, antigo director-geral do fisco, confirmou que os políticos fazem as leis com os buracos necessários para os multimilionários não pagarem impostos.”

    Amigo Carlos, não só para não pagarem impostos, também para obterem o maior proveito que as leis lhes proporcionam, inclusive para contornarem e fugirem às malhas da justiça. Aqui, no entanto, com o grande contributo dos magistrados com as suas livres (ou será descaradas?) interpretações, doutas e divinas convicções – à margem e, por vezes, contra a lei -, a que se junta esse instrumento, tão grato a tanta ‘boa gente’, a que dão o nome de jurisprudência. Por esta forma, as leis rapidamente passam de troncos a árvores frondosas, com a capacidade de albergar tanto pássaro e passarão que só conseguimos lobregar pela quantidade de merda que se vai acumulando junto ao tronco.
    E, quanto mais necessário for alterar a lei e adequá-la às situações, mais frondosa se tornará a árvore pelos pareceres e outras intervenções, sem que se mexa de direito na lei – tal como deveria ser feito; contudo, aqui, a grande culpa cabe ao legislador que se demite do processo após a feitura da lei.

  3. DONOS DO SISTEMA MONETÁRIO e ESTADOS: Instantâneos do caos!

    strong>Maravilhoso…

    Compreendendo a realidade que o desenho reflecte ficamos com a noção daquilo que realmente somos!

    A manobra da NOVA FRAUDE – conhecida pelos escravos boçais como “NOVO BANCO” – é dos esquemas contabilísticos mais bem feitos dos últimos tempos… Estão a alocar contabilisticamente vários milhares de milhões de euros para as “imparidades”, desta forma no final apresentam prejuízo e como estão ainda com o cordão umbilical ligado à carteira da MANADA BOÇAL tuga, o capital é injectado via ESTADO para “equilibrar” o balanço… O accionista privado está assim a criar as reservas futuras para quando em breve o ESTADO lhe vender a preço simbólico o resto do capital accionista começar a usar a reserva naquilo que bem entender, reduzindo imediatamente o nível das imparidades registadas nas contas virtuais!

    É de se lhes tirar o chapéu! Bravo terroristas financeiros, BRAVO!
    E até posso exclamar BES BES BES*!

    *(BIS BIS BIS!) 😆 (FY,Z)

    • ZE LOPES says:

      Aqui está o verdadeiro Génio! Acaba de descobrir, num só post, a fórmula da água oxigenada, a da pólvora negra, quem escreveu “Os Lusíadas”, os passos do Vira do Minho e a técnica do “cabrito” do Ricardinho!

      E ainda emija depois de balir!

      Não há palavras!

  4. Paulo Marques says:

    “Os bancos são uma parceria público-privada”

    Por definição de moeda fiduciária. O problema é a privatização dos lucros e a socialização das perdas.

  5. Carlos Almeida says:

    Boas novamente

    Poderá ser aparentemente offtopic, mas este escândalo do ou dos “bata pretas” terem perdoado as coimas à Celtejo, que poluiu e matou a vida existente no Rio Tejo:

    Em noticias da RTP

    https://www.rtp.pt/noticias/pais/poluicao-tejo-multa-a-celtejo-foi-reduzida_v1066964

    Como é que se vão sentir os pobres pescadores cujo governo de vida depende do Rio Tejo estar vivo e não um esgoto a céu aberto ?

    E quando como já aconteceu, tiverem que ir roubar qualquer coisa num supermercado para levar comida para casa, serem apanhados e o “bata preta” os mandar prender.
    Depois admiram-se que esses desesperados alimentem as fileiras dos neonazis ou outros criminosos !

    Eu não acho que seja offtopic, porque as quadrilhas de:

    Politicos desonestos
    Banqueiros gananciosos
    Bata Pretas corruptos

    estão ligadas entre si

    • E aiiiiiiiiiiiiiinda!... says:

      Jornal(ix)eiros adestrados!

    • Bento Caeiro says:

      Só confirma o que acima disse sobre a aplicação das leis e sobre os magistrados:
      “as leis rapidamente passam de troncos a árvores frondosas, com a capacidade de albergar tanto pássaro e passarão que só conseguimos lobregar pela quantidade de merda que se vai acumulando junto ao tronco”;
      Não esquecendo o pormenor da autoridade competente começar por aplicar uma multa ridícula de 12.500 Euros, os quais, no final, são mesmo perdoados pela divina convicção do iluminado de serviço, que decidiu dar uma palavrinha durinha à menina Celtejo. Segundo consta nestes termos: A MENINA PORTE-SE BEM E NÃO TORNE A IR BRINCAR LANÇANDO UMAS BOLINHAS DE SABÃO SOBRE O TEJO! AI AI AI AI. OLHE QUE ESSES AMANTES DE RIOS NÃO SÃO COMO NÓS E NÃO TÊM O NOSSO SENTIDO DE HUMOR ! AI AI AI AI, MENINA CELTEJO, PORTE-SE BEM! TÁ?

      • In Goebbels We Trust! says:

        Ao que parece, a redução da multa e sua conversão em admoestação, terão sido relativas a um outro processo que não o das recentes descargas acima dos limites licenciados.

        O grupo Cofina veio, via 𝐬𝐞𝐮 Correio da Manha (tenho acentos no teclado, sim), publicar nota de defesa da 𝐬𝐮𝐚 Celtejo que refere isso mesmo.

        Ainda que houvesse manipulação propositada na forma como se noticiou a redução e conversão da multa, o que me salta à vista na nota de defesa é o parágrafo que parece não só descrever a actuação da Comerdicação Social em geral, mas a exímia esgrima que o pasquim da Cofina evidencia, em particular.

        “Na base destas notícias estão afirmações, seletivamente[sic] incompletas e descontextualizadas, que, sem o devido enquadramento, sem factos concretos, sem provas, sem nenhum elemento que o justifique, incentivam julgamentos na praça pública, primários, superficiais, clamorosamente injustos e, por isso, inaceitáveis num Estado de direito”

        Até soa a 𝘤𝘰𝘱𝘺/𝘱𝘢𝘴𝘵𝘦 do Manual de Estilo que dão aos estagiários lá na “””redacção””” (muitas aspas, sim) do 𝐬𝐞𝐮 pasquim!

        Mas divago muito sobre o que Pullitzer tão bem resumiu e cuja aplicação prática tanto jeitinho vai dando aos nossos – disto tudo – 𝘋𝘰𝘯𝘰𝘴:

        “Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”… – E já lá vai tempo que assim anda a nossa imprensa, aliás os resultados estão cada vez mais à vista nas caixas de comentários desta internet toda, para não dizer nas ruas e mesmo em conversas de café.

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