Olhemos para os resultados

Desde que a crise financeira nos bateu com toda a sua força, a partir de 2010, a maioria dos cidadãos viu os seus rendimentos diminuírem, tanto cá, como na generalidade dos países. Foram cortados salários, pensões e reformas, os impostos aumentaram em catadupa e os serviços públicos viram a sua operacionalidade reduzia. Assim o exigiu a política seguida, chamada de austeridade, através da qual se pagou a dívida privada do sistema financeiro em ruínas e os juros galopantes da dívida pública.

A austeridade funciona? Certamente que sim, dependendo dos objectivos, pelo que olhemos para os resultados.

Mais de 80% da riqueza criada no mundo em 2017 foi parar às mãos dos mais ricos que representam 1% da população mundial, refere um relatório da organização não-governamental Oxfam, divulgado no domingo. (…)

O estudo calculou que a riqueza dos multimilionários aumentou 13% ao ano em média desde 2010, seis vezes mais do que os aumentos dos salários pagos aos trabalhadores (2% ao ano).

Para a organização não-governamental, o crescimento sem precedentes do número de bilionários não é um sinal de uma economia próspera, mas um sintoma de um sistema extremamente problemático, já que mais de metade da população mundial tem um rendimento diário entre 2 e 10 dólares (entre 1,6 euros e 8,1 euros).

“Enquanto o 1% mais rico ficou com 27% do crescimento do rendimento global entre 1980 e 2016, a metade mais pobre do mundo ficou com 13%”, refere o relatório [Público, 22 de Janeiro de 2018]

Dado que o dinheiro não se evapora, só ficará surpreendido com este resultado quem não quiser ver. A austeridade funcionou muito bem como forma de concentrar a riqueza num grupo muito restrito.

Referências:

 

Comments


  1. exacto. e quando se exige “crescimento” como forma de resolver os problemas da sociedade sabemos que esse crescimento se destina ao mesmo: ao bolso do 0,1% que tem um esquema montado que garante sempre esse desfecho.

  2. joão lopes says:

    os resultados estão de acordo com o que os neoliberais sempre ambicionaram,pelo que vergonha é ter fome e não roubar,proponho a roubo de carros de alta cilindrada a neoliberais neotontos,por exemplo.

  3. JgMenos says:

    Seguro o efeito de estimular o elevado sentimento de indignação esquerdalha.
    Logo imaginam essa minoria sentada em cima de tesouros reluzentes e entregues à luxúria.
    Acrescentam a riqueza em 13% ao ano? Bons gestores, a riqueza bem entregue.
    Outros há que não acrescentam nada.


    • Muito bem. Nunca desilude.

    • ZE LOPES says:

      Ai que alegria ser esmifrado por “bons gestores”! Desses que nos vão levando o rendimento “arredondando” portagens e títluos de transporte (sempre oara cima, é claro!), aumentando os combustíveis e a eletricidade, já para não falar da água privatizada, dos estacionamentos privatizados, da saúde privatizada, dos correios privatizados…É pena que V. Exa. veja tanto mamão aí pelas ruas e não dê por estes…Deve ser um problema ofalmológico na vista esquerda…

      “A riqueza bem entregue”. Sim, porque Catroga acrescentou muita eletricidadezinha à EDP…e agora Amado vai acrescentar muito mais (pelo menos mais que proporcional ao incómodo causado por elefantes, conforme a conhecida canção…). E Mexia, nem se fala: é um líder nato a comandar barragens e a dar ordens à ventania! Bem merece!

      “Outros há que não acrescentam nada”. Ao contrário de V. Exa, que ninguém bate a acrescentar estupidez direitrolha.

      • Ana A. says:

        🙂
        Louvo-lhe a paciência!

      • Carlos Almeida says:

        Boas

        Não sei porque se dão ao trabalho de responder ao Sr Igmenos.
        O homem tem aquela cassete de direita, mas é tão inofensivo para a esquerda como o Arnaldo de Matos e o Durão Barroso (quando militante do MRPP) foram para a direita.
        Eu já lhe respondi de modo demasiado ordinário, mas ponto final. Como se diz no Alto Douro: não há mais pão para malucos.
        Há gente aí bem mais perigosa e esses não mostram as cartas directamente

    • Enquanto o Menos bolça, os amigos embolsam! says:

      Enquanto os amigos do Menos vão em(bolsa)ando mais uns cobres à conta da miséria alheia, o Menos vai bolçando o seu azedume, não fosse o rapaz mais um daqueles arrendatários do Passismo.
      Para seu desespero, a realidade encarrega-se de o contraiar. Por exemplo, o desemprego voltou a baixar em Dezembro.
      Temos de lhe arranjar uma super nanny para o ajudar a integrar-se no grupo dos apoiantes de Rui Rio.


  4. Obviamente, tal como manda o sistema que tudo determina – a nós, cidadãos, aos estados, às instituições, a política das nações – o sistema financeiro. Este, determinando as regras de funcionamento dos estados e nações, mais do que saudável – qual parasita sempre esfomeado – precisa de se sentir confortável; mesmo que para tal tenha de arrasar com alguns dos seus hospedeiros, como são tidos e tratados, por aquele sistema, os estados e as suas nações. Por isso, em caso de desmando que o mesmo sistema – pela sua natureza (a gula que o define) – sempre irá provocar, precisa de mais gente a quem possa retirar – a treta de mais crescimento populacional – e, não havendo, fará implementar formas de tirar mais, aos que ainda poderão dar – as ditas políticas de austeridade. As quais mais não visam que manter o monstro a funcionar e, do ponto de vista dos seus mentores, que sempre convencerão os políticos das suas razões, com a grande preocupação de o recuperar. Mas, não é que com esta conversa, até acabam por convencer os próprios espoliados (sugados), o cidadão, em geral?! Daí vem o tal enunciado sobre “a necessidade de termos um sistema financeiro saudável”. No fundo, dizem-nos que para sermos saudáveis, precisamos de recuperar e suportar o monstro! Já está, o cidadão foi apanhado! O sistema, agora, recuperado – à custa de todos os outros -, mais gordo, mais convencido e com mais gula, mais exigente se tornou. Vai continuar a requerer mais hospedeiros, que é como quem diz mais gente, porque sabe que mesmo que a miséria seja geral, são muitos e por pouco que individualmente contribuam, o resultado final para o monstro será muito bom – como se vê pela concentração da riqueza nas mãos de uns poucos. Mas não esquecer que, entretanto, mesmo que mantendo-se essencialmente tudo na mesma, convém dar a ideia que assim não será; pelo menos até o hospedeiro acordar. Depois? Depois, logo se verá! O sistema financeiro, porquanto parasita e de cariz predador, com as suas regras, graças aos políticos, está cá para durar.


  5. ……..mas o monstro viscoso do capitalismo liberal está num beco sem saída e irá rebentar por si mesmo.
    …eu acredito que sim, mesmo que já cá não esteja para ver 🙁

    http://resistir.info/patnaik/patnaik_24out17.html


    • Bela Lusa. Aberta a Caixa de Pandora, depois de todos os males terem escapado/ No fim fica-nos a Esperança de alguma coisa ser mudado.
      Quanto a peça é ruim, para garantir que o morto bem morto possa estar/A cabeça do seu corpo é preciso separar/Não vá o bicho ruim, JiMinus, ressuscitar e a todos voltar a atormentar.


    • Corrigindo »» “…capitalismo NEO liberal…”

      .Bento Caeirus, …a Bela Lusa referia-se ao monstro neo – liberal, e não ao monstrinho Jg-de-Menos,….. o que vai dar ao mesmo, certo ? : )

      ( a ler o artigo do economista ref. no link apontado )


      • Nem mais! Daí a referência, na primeira parte, ao monstro do capitalismo neoliberal; e, na segunda, ao viscoso.
        Contudo, por macaco velho e caloso, estou desconfiado que o JiMinus não é quem parece. Faz-me lembrar os tempos do agente provocador, muito utilizado durante o PREC pelo MRPP, MES, UDP e PCP para sabotarem as iniciativas uns dos outros. Provavelmente, trata-se de algum arrependido de qualquer uma destas forças: talvez, mesmo, tenha acompanhado o percurso do controlador do MRPP e grande educador da classe operária, Durão Barroso.


        • Isabela :
          ” tentar descodificar o ápice e o pasmo” dessa figura estranha …… ou figurão ?!

          ZE LOPES says:

          18/01/2018 às 21:37
          O termo correto é “figuralho”!
          ::::::::
          … é isso, Bento Caeiro, esse de quem afirma
          “JiMinus não é quem parece. Faz-me lembrar os tempos do agente provocador, muito utilizado durante o PREC pelo MRPP, MES, UDP e PCP para sabotarem as iniciativas uns dos outros. Provavelmente, trata-se de algum arrependido de qualquer uma destas forças ”
          : ) é isso, figuralho !

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