A serpente que estrebucha

Nunca gostei de Rui Rio e daquele arzinho bafiento que dele emana, pelo que estou à vontade para, aparentemente, o defender neste momento que o PSD está a viver.

Afastado há algum tempo da politiquice que habitualmente marca o dia-a-dia político-nacional, chegam-me ecos da lama onde se movem os laranjinhas. Por exemplo, ao ouvir na Antena 1 o programa Antena Aberta do passado dia 14, a certa altura pensei estar a escutar algum quadro do PSD, tal era o discurso praticado, populista e claramente tendencial a desfavor de Rio.  Afinal, era Miguel Pinheiro, Director do Observador, quem estava a falar. Acabou por me fazer sentido. Sempre soube que o Observador é um órgão de propaganda do PSD, mas agora percebo que não o é para todo o partido, mas sim para uma facção deste, aquela que chegou ao poder graças a Passos Coelho, a qual não têm relevância política para além da resultante dessas nomeações e que, com Rio, se arrisca, com elevada probabilidade, a ficar fora das próximas listas de deputados.É da vidinha, aquela coisa que paga as contas no fim do mês, que uma trupe anda a tratar. Rio meteu-se a jeito ao proclamar altos valores, mas depois juntando uma equipa cheia de telhados de vidro. No entanto, basta seguir o que escrevem três jornais, Observador, i e Sol, bem como o que dizem certos profissionais do comentarismo sem contraditório  nas televisões para se perceber que há, de facto, uma campanha para derrubar Rui Rio antes das próximas legislativas, esse momento fulcral onde o pilim pode deixar de cair na conta bancária.

Este grupo, estava o país à beira da bancarrota, estabeleceu um objectivo claro: ou havia eleições no país ou no partido. O resultado é conhecido. Na altura tratou de chegar ao poder e é isso mesmo que agora o move. Mesmo que este rumo os afaste ainda mais  do poder, se bem que que a cadeirinha no Parlamento fica mais assegurada para alguns.

Alguns partidos, se não todos, são meras máquinas de distribuição das benesses que o poder traz. Pelo caminho, há um país que não passa de um pretexto.

Comments

  1. Bruno Santos says:

    Quase que adivinho a quem te queres referir.


  2. …mesmo que esta República fuja, virá outra. Mais limpa e restaurada. Outra, onde o PSD pouco conta

  3. Bento Caeiro says:

    Com amigos destes, quem é que precisa de inimigos?
    O problema de um partido como o PSD, que se queria social-democrata é que, verdadeiramente, nunca o foi – acabando por ser o PPD de facções. Mas é pena, porque no actual contexto, seria bom existir uma oposição com princípio meio e fim; para que tudo não se passasse entre as exigências dos alegados aliados do PS a este e ao Estado, e o partideco da Cristas.

  4. antonio Lourenço Antunes says:

    Bancarrota…bancarrota ainda ha quem acredite nesta treta que para financiarem bancos. Nos impingiram…

  5. ZE LOPES says:

    Está muito bem este post!

    Quanto ao “Mirone”, acho que podia mudar de nome para “Observadelho”!

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