A urgência de encarcerar Armando Vara

Sem título

Fotografia: Luís Barra@Visão

Armando Vara foi constituído arguido, no âmbito do processo Face Oculta, em Outubro de 2009. Em Fevereiro de 2011, foi acusado de três crimes de tráfico de influência pelo Ministério Público. Em Setembro de 2014 foi condenado a 5 anos de prisão efectiva pelo tribunal de primeira instância. Recorreu para a Relação e perdeu o recurso. Recorreu para o Supremo e o recurso não foi admitido. Recorreu para o Constitucional que, em Julho deste ano, recusou o último recurso.

Esgotados todos os recursos possíveis, cinco meses se passaram e Armando Vara continua em liberdade. Não que tal seja motivo de grande admiração, ou não estivéssemos nós no mesmo país onde a justiça se recusa a prender os gatunos que saquearam os bancos desde o seu interior, permitindo-lhes a mesma vida de luxo que sempre tiveram, e os políticos corruptos que conduziram negócios danosos para o país, ainda que altamente lucrativos para os seus bolsos e dos seus futuros empregadores, mas, e corrijam-me se estiver errado, Armando Vara não tem escapatória legal possível. Foi condenado, não pode recorrer e tem uma sentença para cumprir.

Contudo, Vara continua em liberdade. Passou o Natal em casa, prepara-se agora para passar o réveillon entre os seus, e, a continuar assim, corre o risco de chegar à Páscoa no conforto do lar, conforto esse que não será alheio aos 25 mil euros que recebeu de Manuel Godinho, como contrapartida pelos serviços prestados ao sucateiro mais famoso de Portugal.

Este caso, para além da vergonha e da enorme humilhação que representa para o Estado de Direito e para a justiça portuguesa, é lenha da melhor qualidade para a fogueira que arde nas redes sociais, cujas chamas sobem cada vez mais alto e abrem caminho para a demagogia manipulativa da extrema-direita, que poderá ainda não ter expressão no nosso país, mas que continua à espreita para detonar a democracia e impor um modelo de repressão, censura e ataque às liberdades fundamentais. E que não deve ser ignorada. Porque no dia em que tiver a sua oportunidade, se esse dia chegar, poderá ser tarde demais para a democracia. Motivo pelo qual é urgente que Armando Vara, bem como todos os criminosos que parasitam a vida pública, das câmaras municipais até às mais altas instâncias do poder, seja imediatamente encarcerado. Porque quanto mais este desígnio se cumprir, mais o discurso da extrema-direita se esvaziará. E sem casos destes para chantagear emocionalmente os portugueses, pouco ou nada lhes resta.

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    Muito bem observado.
    Vara tem de ir para o chilindró, e depressa que se faz tarde. Tal como Duarte Lima, outro caso que me parece também esgotado em termos de recursos e expedientes.
    Ambos representam a ascenção do rapaz da aldeia, “a trabalhos menores”, normalmente associados ao caciquismo, coincidência serem ambos transmontanos, essa terra que deu figuras tão ilustres, como Miguel Torga, Nadir Afonso ou Guerra Junqueiro, entre muitos outros/as.
    Ouvi dizer que depois da quadra natalícia, vão ter de mudar de residência, “por imposição judicial”.

  2. Anonimus says:

    Vou começar a (re)ler o Triunfo dos Porcos.
    Em Portugal, como a realidade supera a ficção, temos o Triunfo do Vara.


  3. Um bom 2019 para todos

  4. Julio Rolo Santos says:

    É inquestionável que armando vara há muito que ja devia estar preso. A justiça e a política não querem que assim seja. A única forma de os pressionar-mos (justiça e políticos) é librarmo-nos deles.

    • Rui Naldinho says:

      “A única forma de os pressionar-mos (justiça e políticos) é librarmo-nos deles.”

      A única forma de nos livrarmos deles, é acima de tudo, não fazer condenações ao gosto das nossas conveniências políticas, clubisticas, ou afinidades várias de cada grupo de pressão. Um criminoso é sempre um criminoso. Só pode ser condenado e cumprir a pena, seja ele/a do partido A, B ou C, do clube encarnado, azul ou verde, amigo do Bispo, do Presidente da Câmara, do PM ou do PR.
      O problema em Portugal, é só querer condenar-se os do lado oposto.

      • Julio Rolo Santos says:

        Quando faço um comentário de acusação não distingo os autores pelas suas cores clubisticas ou políticas, apenas pelo que são e pelo que fazem. Paulo Portas é de direita e não o poupo relativamente às trafulhices dos submarinos em que nos meteu. Sócrates é de esquerda e não o poupo relativamente aos esquemas subejamente conhecidos. São destes trafulhas que fazem um país tao desigual como o nosso. É necessário não calar.

  5. Pedro Prata says:

    Neste país a justiça tem dois pesos e duas medidas.
    Os poderosos de recurso em recurso vão adiando o cumprimento das penad e jamais irão para a prisão.
    Os que pertencem à franja da sociedade sem recursos e sem poder económico têm qye cumprir as penas e são encarcerados de imediato
    Os malfeitores deste país nunca irão para a cadeia.

  6. Carlos Gonçalves says:

    Pois … Nós precisamos de nos portar bem – um bocadinho melhor, vá…-, porque senão vêm os maus da direita e fazem coisas feias.

  7. Carlos Morgado says:

    E de lamentar mas as altas instâncias portuguesas continuam podres corruptas e cheias de vícios o país está doente e precisa de recuperação urgente para um país mais próspero competitivo e igualdade e justiça igual para todos pois PORTUGAL tem grandes potencialidades em todas as áreas somos uma grande NACAO

  8. Carlos Almeida says:

    Independentemente se possível, de ideologias e politicas, era bom que os senhores da “bata preta” fizessem o cumprimento da lei. Mas não fazem.
    O Vara, o Dias Loureiro, o Sr Silva de Boliqueim, o Paulo Portas, o José Socas e outros bandidos, há muito que deveriam estar de cana.

  9. Luís Lavoura says:

    O João Mendes é um populista de esquerda. Tal como os populistas de direita, exige cadeia para todos os alegados corruptos, sem porém saber bem porque a exige.

    • ZE LOPES says:

      Sem me querer substituir ao João Mendes, que tal este argumento?:

      “Foi condenado por várias instâncias judiciais após julgamento onde, presume-se, lhe foram asseguradas todas as garantias de defesa”. Donde, não se compreender a demora em tornar efetiva a sentença.

      No entanto, eu não concordo com o encarceramento puro e simples, mas isso é uma questão relacionada com as leis, que teriam de ser objeto de alterações. Nos crimes económicos que não envolvam prejuízos individuais e, muito menos, crimes contra as pessoas, a solução, quanto a mim, era “ir-lhe aos bens”. Se se lhes perdeu o rasto, então, deveria ser-lhe dada a possibilidade de os resgatar e entregar ao Estado contra o fim do encarceramento. E o que faltasse seria descontado no futuro, sempre que apresentasse rendimentos


    • Percebeu o comentário do Zé Lopes, ou precisa que lhe faça um desenho, caro fascista?

  10. Jose says:

    Grande admiração!!!! A justiça vai criando estatística ao condenar rapidamente e sem grande necessidade de prova os pequenos que vai encontrando pelo caminho. Pode assim justificar o seu desempenho..

  11. Luiz Cunha Gonçalves says:

    Aquilo q Vcs denominam de extrema direita, não é mais do que a indignação de tds os portugueses, q perante tanta corrupção e desvios de td a ordem,-apelam a uma justiça digna de confiança e de um governo digno de respeito, q defenda os interesses do País acima dos interesses da “máfia” daqueles que dentro do poder se governam a si próprios à custa de tds nós… Se isto é exttema direita .. Viva a extrema direita e tds os q a defendam…

  12. ZE LOPES says:

    La n extrem-dir ensin a escrev ou é so mot, cole amare e porrad?