Robles, hienas e abutres

Foram de árduo trabalho, estes últimos dias em que as hienas e os abutres saíram à rua para tentar convencer os portugueses que o caso Robles coloca o Bloco de Esquerda no mesmo patamar dos antros de contradições, desonestidade, tráfico de influência e corrupção em que se transformaram, há décadas, os partidos do chamado “arco da governação”, apesar de ainda lá resistirem algumas pessoas de bem.

Foi hercúleo, o esforço empregue pela imprensa arregimentada à direita – que é quase toda, apesar da trampa lusitana que se esforça por aldrabar as ovelhas do contrário – pelos painéis de comentadores televisivos, onde o CDS-PP parece ter a dimensão do PSD e do PS, e pelos opinadores virtuais independentes com cartão de militante, que alternam, quais alternadeiras, entre contas pessoais e perfis falsos de patifaria eleitoral.

Durante os dias quentes da polémica, Ricardo Robles disputou espaço mediático com Cristiano Ronaldo. Sim, chegamos a esse ponto. O sistema não podia perder a oportunidade de tentar destruir o Bloco de Esquerda. Foi o que foi. E só foi porque Robles assim o quis. O agora ex-vereador bloquista, que fez campanha com o foco na oposição à especulação imobiliária, era afinal um especulador imobiliário. Uma vergonha. Uma facada no partido que representa. Um dos piores momentos de sempre do Bloco de Esquerda, talvez o pior. Mas, ainda assim, a anos-luz da canalhice a que nos habituou a fina-flor da elite que vem comandando o bloco central, táxi incluído. Continuar a ler “Robles, hienas e abutres”

Vistos Gold: a elite que flutua acima dos comuns mortais que vão presos por roubar mercearias em supermercados

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Fotografia: Mário Cruz/Lusa

Durante as alegações finais do julgamento de António Figueiredo, antigo presidente do Instituto dos Registos e Notariado, preso desde 2014 no âmbito do caso Vistos Gold e acusado dos crimes de corrupção passiva, peculato, branqueamento de capitais e tráfico de influência, o conhecido advogado Rogério Alves, citado pelo jornal Público, alegou que Figueiredo não devia sequer ser condenado por tráfico de influência na medida em que era “incapaz de dizer que não” aos pedidos que recebia, viessem eles de onde viessem. Continuar a ler “Vistos Gold: a elite que flutua acima dos comuns mortais que vão presos por roubar mercearias em supermercados”

Ditosa pátria que tais ladrões tem

Helena Roseta contou um caso ocorrido com Miguel Relvas que tresanda a tráfico de influência. E, pasme-se, é uma farisaica arquitecta que gosta do protagonismo.

Já Domingos Nóvoa, quando denunciado por Sá Fernandes, virou a acusação contra o acusador. Percebe-se por estas reacções, sem pejo em defender um ministro mentiroso e corrupto, o que  aconteceu nos tribunais. Em Portugal corrupção é mera cunha, fazem todos, deixa-se andar, aponta-se o dedo a quem denuncia, e daqui a meia-hora estão a dizer mal da Grécia, essa sim, a pátria das poucas vergonhas.

E o Ministério Público, dorme aonde?