Pulseiras electrónicas nos funcionários da CM de Braga

Não que Ricardo Rio alguma vez me tenha enganado. A personagem, toda ela conservadorismo sisudo, pouco dada à grande maçada que é a social-democracia, essa reclusa de uma qualquer gaveta coberta de teias de aranha, algures numa cave escura  da São Caetano à Lapa, sempre foi por demais evidente. Mas uma coisa é o que eu acho dele. Outra, bem diferente, é vir o senhor dizer, em plena Assembleia Municipal de Braga, que, se pudesse, colocaria pulseiras electrónicas a alguns funcionários da CM de Braga.

Lá está: por vezes, no calor da politiquice, foge-lhes a boca para a verdade. Comunicações escritas por assessores, discursos escritos por caciques ou outras encenações têm sempre os seus cordões sanitários para garantir alguma segurança. Largar certos cavalheiros no calor do combate político, sem rede os artifícios para disfarçar as limitações que se tornam evidentes, coloca quase sempre a nu o que de pior esta classe de profissionais da política tem.

No caso de Ricardo Rio, trata-se de um autarca eleito, num país democrático, que aparentemente acha normal aplicar uma medida de coacção, cuja função é controlar criminosos, nuns quantos trabalhadores que, alegadamente, se atrasam a picar o ponto. Felizmente, ainda vivemos num Estado de Direito. Mas sempre serve para ficarmos mais esclarecidos e avisados sobre aqueles que nos governam.

Comments

  1. JgMenos says:

    «Em alguns, se calhar punha»
    Pois ele há madraços na CMB?
    Funcionários públicos calaceiros?

    Estou chocado!!!!
    Só quem não seja um verdadeiro social-democrata é que pode pensar tal coisa!

    • José Peralta says:

      Ó “menos” !

      Percebeste muito bem o teor do texto de João Mendes !

      A crítica é EXPLÍCITAMENTE, dirigida a um tal cacique ricardo rio que, na tradição do cónego melo, do nuno melo, do bispo de braga de outros tradicionais figurões bracarenses, ainda pensa que têm “phoderes” feudais, até talvez o direito “de pernada”…

      “Se pudesse colocaria…” diz ele, alimentando a secreta esperança de, “um dia”, vir a poder ! E a seguir, talvez “a mordaça”, para que só tipos como tu, sacristães da mesma missa, pudessem expressar, livremente, as patacoadas com que aqui me divertes !

      É que destas “boas intenções” estão Braga e outras localidades pelo país, cheias de caciques façanhudos e sotainas prostitutas !

      O que “eles” querem, sabes tu e sei eu MUITO BEM, ó “menos” !

    • ZE LOPES says:

      “Estou chocado!!!!”

      Permita-me humildemende que o cite. Gostei, mas gostei mesmo, da sua espontânea, mas deveras eloquente, expressão de amofinamento, qual expressiva exteriorização, contida mas, expressivamente incontida ao mesmo tempo, simultâneamente, produto da mais sincera preocupação com o rumo, quiçá erróneo, da Humanidade, especialmente da fração, talvez ínfima, mas significativa, que pica o ponto na Câmara Municipal de Braga e dá de frosques para pequenos-almoços, almoços, lanches, jantares e ceias de moscatel com banana.

      O meu grato e penhorado agradecimento a V. Exa. por tão desapossada sabedoria que a todos noas abriga.Juntos não nos privamos de cantar a plenos co…perdão, pulmões, o conhecido Hino:

      “Já Pátria não temos! Que Deus nos valha, ó Menos!

  2. Luís Lavoura says:

    uns quantos trabalhadores que, alegadamente, se atrasam a picar o ponto

    O problema não são somente esses atrasos. Para os controlar não seriam necessárias pulseiras eletrónicas. O problema principal são os funcionários que, após picarem o ponto, saem das instalações e vão fazer outras coisas durante o tempo em que teoricamente estariam a trabalhar.

    • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

      Caro Luís Lavoura:
      Mas a Assembleia da República e os seus deputados não fazem o mesmo?
      E o exemplo, não vem sempre de cima? 🙂
      Quais pulseiras electrónicas, quais caraças.
      Processos disciplinares e um código de conduta que se aplique sem tibiezas por gente proba, é o que é preciso.
      O problema, é a a gente proba, estamos de acordo … 🙂


  3. A bandalheira pública sempre se assanha com quem lhes queira limitar a balda.

    • ZE LOPES says:

      “A bandalheira privadolha sempre se assanha com quem lhes queira limitar o privilégio”.

      Em frente! “Contabilistas para quê? Faça as contas mesmo você!”.

    • Paulo Marques says:

      Curioso, diria o mesmo do Cruz e dos seus clientes.

  4. Luís says:

    Pulseira electrónica nos “trabalhadores” da CMB é tempo e dinheiro perdido.
    Esses nem algemados ao local de trabalho fariam algo de útil.
    Pois se a maioria foi lá colocada pelo Mesquita, não para trabalhar, mas para pagar favores eleitorais aos caciques das Freguesias e Juntas que encheram a Câmara de familiares parasitas.
    Só para exemplo, (mas posso citar mais), refiro que aqui há uns anos a Policia Municipal tinha o maior e absurdo grau de absentismo do país.
    Havia mais policias em casa do que no activo e os que estavam no activo mais pareciam, e parecem, que estavam mais no passivo.

    • JgMenos says:

      Mais um que não é social-democrata!

      • ZE LOPES says:

        Comentário despretensiosamente singelamente simples, mas repleta e carregadamente pleno de cheio de ironia. Dá imensa vontade de rir mas, porque hoje é sábado, devemos esperar pelo dia de amanhã, que o saudoso Salazar determinou ser dia de descanso, mas só depois da santa missa.Nessa altura, ordeiramente, gargalharei.

  5. Zé Pestana says:

    É aplicar essa pulseira aos digníssimos presidentes de câmara para nós sabermos as negociatas que fazem por debaixo da mesa em proveito próprio.

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