Má sorte ser-se Cavaco

Cavaco tem todo o direito a escrever e a dizer o que lhe apetecer e a ser deselegante e malcriada, porque vivemos num país livre e é preciso respeitar as pessoas com incapacidades. Ninguém está livre de ter um filho assim e não é menos filho se for assim. Ainda por cima, ser malcriado não impede ninguém de chegar a bastonário ou de ter ambições políticas, como já foi demonstrado por outros antes dela.

Pelos vistos, Cavaco chamou “gorda fura filas” à Presidente da Câmara de Portimão, que se considera “obesa”, termo débil e politicamente correcto. Cavaco não é mulher de meias palavras. Sendo mestre em Saúde Comunitária e Saúde Pública, terá aprendido que a melhor maneira de tratar uma pessoa com problemas de peso é chamar-lhe “gorda”, havendo teóricos que defendem a importância curativa de apodos como “vaca” ou “baleia”. No fundo, isto é enfermagem. Acrescente-se que Cavaco tem, também, uma pós-graduação em Gestão pela Católica, onde aprendeu, decerto, a sentir-se superior e a espalhar pragas bíblicas.

Já é pior ser-se desonesto, mas também isso é um direito e os tribunais poderão resolver esse assunto daqui por dez anos. Cavaco escreveu que ouviu dizer que o secretário de Estado da Descentralização e da Administração Local e a sua esposa, directora da Segurança Social de Faro, tinham sido indevidamente vacinados. Ficou a saber não era verdade e que, portanto, não se tinha verificado nada de indevido. No faroeste das redes sociais, Cavaco confessou que foi contactada pelo próprio secretário de Estado, o que a levou a acrescentar que não foi vacinado, mas que podia ter sido e que isto é tudo uma grande vigarice, porque há muito nepotismo, recorrendo a uma técnica habitual em qualquer tasca, quando um bêbado muda de insulto, por o anterior não ter resultado.

Talvez pela sua passagem pela Católica, Cavaco acredita que é possível contactar com o Além. Efectivamente, numa outra polémica, chamou elegantemente “esterco” a Daniel Oliveira tendo-lhe recomendado que mandasse cumprimentos ao pai, o já falecido Herberto Helder. Haverá, talvez, um elogio subliminar: Herberto é um dos maiores poetas portugueses, o que o eterniza e possibilita a continuação de um diálogo, já que a obra dos grandes autores é a vida para além da morte.

Cavaco é, ainda, amiga de André Ventura e, portanto, tem a obrigação de contribuir para a destruição do Sistema Nacional de Saúde. Não é raposa a tomar conta de um galinheiro, mas anda lá perto.

Comments

  1. Filipe Bastos says:

    Repetindo o óbvio, a autarca xuxa é mesmo uma gorda fura-filas. Qual a dúvida? Acha normal um político – mesmo que o seu caso clínico realmente o justificasse – assumir este privilégio descarado e alarve? O que aconteceu à mulher de César?

    O tal Sec. Estado, se li bem, processou a Cavaco. O costume: não há político neste país que não meta em tribunal quem ouse questionar o seu ‘bom nome’… sobretudo os que nunca o tiveram. É preciso ter muito respeitinho à classe pulhítica. Cuidado.

    Por fim, a Cavaco mandou cumprimentos ao pai morto do Oliveira. É de mau gosto? É. A Cavaco é uma besta? Sem dúvida. Mas nesta choldra, fosse a Cavaco todo o nosso problema. Nem tudo é mau: haja pelo menos quem chame alguns bois pelos nomes.

    • António Fernando Nabais says:

      Tem razão, Filipe, há problemas maiores. Não falemos, então, dos problemas menores. Só devemos falar dos problemas menores, quando os maiores desaparecerem ou ficarem mais pequenos do que os problemas maiores, que deixam, assim, de ser maiores. Vou só buscar a fita métrica e já volto, sim?
      E prometo que, se algum dia chegar a representar uma classe profissional inteira, todas as mulheres de quem discordar serão, na melhor das hipóteses, “putas”, e todos os homens, “bois”. Tratá-los-ei pelos nomes e darei um exemplo espectacular ao mundo, em particular, e ao país, em geral. Estou a brincar; nunca representarei uma classe profissional.

      • POIS! says:

        Pois, caro Nabais, vou ter de lhe chamar a atenção para uma pequena correção a fazer. Está equivocado ao usar a fita métrica.

        O Sr. Filipe Bastos não trabalha com escalas métricas. É mais com pesos. E nisso é muito rigoroso.

        É por isso que classificou a ditadura salazaresca de “ditadura light”, certamente porque mediu outras que descobriu mais gordinhas e com maior absorção de calorias.

        Aliás, o Sr. Bastos é um ás a pesar ditaduras, tem lá até uma balança em casa especialmente concebida para o efeito. Quando alguém aqui mencionou como ditaduras a China e a Hungria, logo se indignou: alto aí que a Hungria é muito mais “light”! (quem olhar para os ditadores não diria, mas…).

        Não admira que a teoria de Bastos de resolução de problemas também se baseie no peso. O Sr. bastos inspirou-se numa cartinha que, algures pelos anos 30-40 um antepassado seu de nacionalidade alemã (Herr Philip Basten) escreveu a um conhecido líder da época. Rezava assim:

        “Caro Adolfo

        Venho manifestar-te o meu sincero apoio. Estás a meter na ordem toda aquela malta de pulhas, chulecos e corruptos que por aí andavam! Força Adolfo, estou contigo! Mas nunca te esqueças: quando deres cabo de um comuna, a seguir arrochas logo num democrata cristão! Tens que ser isento!

        Consta-me é que depois queres instaurar uma ditadura, o que já não acho correto. Não pode ser antes uma democracia semidireta? Era melhor.

        E também há uns problemas que me chegaram aos ouvidos que acho que revelam um pouco de exagero da tua parte. Fala-se em judeus, campos de concentração, fornos e tal.

        Também notei que anda por aí muita malta com o emblema do “Estrela de Varsóvia”. Esta malta de carneiros nem à beira de uma guerra se resolve a mandar ás malvas os chulecos da bola. Lamentável!

        Depois de resolveres os problemas mais pesados, temos que pensar nestes. Mas agora força: dá lá cabo dos pulhíticos que depois a gente conversa. Tá bem?

        Olha que a inocência é coisa que não se presume! Se deres cabo de algum por engano, paciência, porque também há muitos que escapam. Não tenhas problemas de consciência por causa disso.

        Recebe um sincero abraço do teu

        Philip Basten”

        Não termino sem lhe transmitir a opinião de que você, Nabais, e perdoe-me se estou a ser injusto, tem o defeito de ser muito brando. Por isso nunca poderia representar a classe profissional inteira. Ah pois não!

        Então ficava-se por chamar “putas” e “bois” aos discordantes? Ora bolas!

        No mínimo tinha de formar-se uma Milícia Pedagógica para meter na ordem essa canalha! Os discordantes levezinhos levavam com balas de borracha no rabinho. Os mais pesadinhos com calibre 7,65! O Miguel Sousa Tavares era logo de basuca.

        Ia ver como aprendiam depressa! A pedagogia funciona, precisa é de meios!

        • POIS! says:

          Ah! Esqueci-me de uma coisa:

          É claro que o Sr. Filipe Bastos já aqui prevaricou um bocadinho em matéria de opiniões trolheiras sobre a classe docente. Deveria pôr logo o real fundinho do lombo a jeito, que era para não repetir. Em seguida tirava-se uma fotozinha às nódoas negras e faziam-se posters para colocar nos WC de centros comerciais, bombas de gasolina, etc. (ver resposta do Sr. Bastos a um comentário meu, aqui abaixo).

          Há que adotar as boas ideias. E nestas coisas de vingançazinha não pode haver monopólios.

    • POIS! says:

      Pois tá bem!

      Ficamos então a saber que, lá no manifesto das FP 27 ponto Qualquercoisa (o célebre “Manual do Terroristazinho Portátil”) a boçalidade é uma poderosa arma política.

      Ou eu me engano muito ou, daqui a uns tempos há quem aqui esteja a justificar umas execuçõezitas sumárias. Imagino que seja assim:

      “Por fim, a Osga deu um tiro na cabeça da Gorda. É de mau gosto? É. A Osga é uma besta? Sem dúvida. Mas nesta choldra, fosse o Osga todo o nosso problema. Nem tudo é mau: haja pelo menos quem avie alguns bois nomeados”

    • Filipe Bastos says:

      Pois há já algum tempo que não lhe via piada, POIS!

      Por trás da graça, a sua questão é pertinente: que fazer a estes pulhas? Sou contra a pena de morte; embora certos casos nos deixem na dúvida, crimes pulhíticos não estão entre eles. São ‘meros’ chulos e trafulhas, só merecem cadeia. E confisco.

      Já aqui disse, precisamos duma polícia política. A primeira de sempre com a função adequada: fiscalizar e perseguir políticos. As outras só perseguem cidadãos comuns. É ao contrário.

      Tudo o que fazem, tudo o que têm, tudo bem explicadinho. Lembra-se da lista VIP do Núncio? É só pegar nela e fazer ao contrário. Investigar, vigiar, malhar. E publicar.

      Publicar tudo. Cada cêntimo dessa canalha devia estar exposto na internet, na televisão, na revista Maria, na porta do WC da bomba de gasolina. Até já nos devia enjoar. O que tinham antes da política, o que lá sacam, o que mamam depois dela. E tudo que meta offshores dá direito imediato a interrogatório.

      • abaixoapadralhada says:

        Bastos

        “Já aqui disse, precisamos duma polícia política”

        Nunca me enganaste !

        Só me admira gente séria dar-te troco, quando deviam deixar-te a vomitar sozinho facho da m****

        • Filipe Bastos says:

          Às vezes fico na dúvida: será mesmo um troll, ou alguém pode ser assim tão estúpido?
          Se fala a sério, como é que consegue atar os sapatos ou usar o computador?

          • abaixoapadralhada says:

            Fascistoide Bastos

            “ou alguém pode ser assim tão estúpido?”

            O tique da inteligência concentrada, nos direitolas.

            Só caiu para o teu lado, todos os outros são estúpidos.

            Curiosamente, o Sa Lazarento de estimação deste Blogue, também conhecido por JgMenos, também tem esse tique. Estão bem um para o outro.
            Mas ele ao menos não esconde ao que vem

      • Paulo Marques says:

        E, como no caso, quando for mentira e a pessoa já tiver linchada?
        Não correu muito bem lá para os lados de França em 1789, nem o Filipe da altura manteve a cabeça.

      • POIS! says:

        Ah! Achou piada? Pois!

        Registo as suas dúvidas quanto á pena de morte. É sempre comovente uma pessoa confessar as suas fraquezas existenciais.

        Quanto ao resto, veja lá que, há 200 anos, houve uns parvalhões que escreveram o seguinte:

        “Toda a pena deve ser proporcionada ao delito; e nenhuma passará da pessoa do delinquente. Fica abolida a tortura, a confiscação de bens, a infâmia, os açoites, o baraço e pregão, a marca de ferro quente e todas a demais penas cruéis e infamantes”.

        Tá a ver os gajos? E ainda chamaram àquilo Constituição! Os biltres!

  2. Professor B says:

    Ó Nabais, não lhes dê cavaco…

  3. Abstencionista says:

    Bom dia Xô,

    Estou varado com o resultado dos supositórios que estás a inserir na bilha pois, apesar de continuares chanfrado como um portão de um cemitério, consegues dizer algo de menos atoleimado.
    Mas estás desactualizado pois “já há quem esteja a justificar umas execuçõezitas sumárias”.
    Informa-te e vais ver que um candidato a carrasco publicou um manual onde se louva a arte de matar fascistas e um roteiro para raptar um juíz.
    E aquela amiga da Catarina que queria incendiar casas e meter amoniaco no olho do cú dos votantes do fascista Ventura?
    Vá lá, vá…tira as palas, estuda e continua a inserir.

    Bjs

    • abaixoapadralhada says:

      Abstente-te de dizer asneiras, lixo

      • Abstencionista says:

        Querido mata frades,

        Não tens educação nenhuma.
        Já pareces o teu alter ego Xô Pois.
        Parece que nasceste numa casa sem luz nem água corrente como a malcriada da Matias.

        Bjs

        • abaixoapadralhada says:

          Abstencionista

          “Estou varado com o resultado dos supositórios que estás a inserir na bilha pois, apesar de continuares chanfrado como um portão de um cemitério, consegues dizer algo de menos atoleimado.”

          E eu é que não tenho educação nenhuma.

          Mas tu, cada tiro cada melro

          “Parece que nasceste numa casa sem luz nem água corrente

          O que é que tens contra as pessoas que nasceram numa casa sem luz e agua corrente. Diz bem quem tu és.

          Abstente de dizer asneira, esterco

    • António Fernando Nabais says:

      Ó abstencionista da escola de enfermagem cavacal

      Confesso que adorei a sua obsessão com o meu gosto em ser sodomizado, nessa imagem tão original do supositório. É bonito ver pessoas que se preocupam com o cu alheio. Obrigado, coisa boa.
      Adorei igualmente o argumento – tão adulto – “quem diz é quem é” – ai, a Cavaco foi desagradável? E a Catarina? E os comunas? Faltaram aí a Venezuela e a Coreia do Norte.
      Não se abstenha nunca de comentar, porque adoro comentários que não interessam – são os que mais me interessam.

      Beijinhos

      • Abstencionista says:

        Diz-me lá ó Nabal, o que é que eu e os aventares temos a ver com as tuas preferências sexuais?
        Aquilo que fazes na cama com homens, mulheres, bi, tri, quadri, só a ti te diz respeito.
        Que nunca te doa, é o que eu te desejo.
        Mas não é por isso que és mais esperto que o resto da tua rua.
        Se queres ginasticar a tua inteligência recomendo-te que leias com mais atenção o comentário inteligente que comentas onde se escreve que:
        “Vá lá, vá…tira as palas, estuda e continua a inserir.”

        Despeço-me com um metafórico “beija-me na boca e chama-me Tarzan” dos Ísis.

        • António Fernando Nabais says:

          Ó intelectual, tu é que te puseste a falar, muito contente, de supositórios e de bilhas. Quero lá saber o que é que tu pensas das minhas preferências ou se tenho preferências ou se não tenho. Registo a tua preocupação em deixar claro que o beijo é metafórico, ai que medo!
          Quanto a ginasticar a inteligência com os teus comentários, prometo que vou insistir, mas não estou a ver como.

          Vai lá, Tarzan, agarra-te bem à liana

          • Abstencionista says:

            De facto sou um intelectual preocupado em iluminar os portugueses contra o politicamente correcto de atrasados que pretendem instaurar a censura neste país que atrasaram.

            Como pertences ao segundo grupo, fico satisfeito em que me leias e, apesar de seres um bocado tapado, recomendo-te que insistas nessa leitura pois …”agua mole em pedra dura…”.

            Quanto à liliana, posso confessar-te, com uma lágrima furtiva a deslizar pelo canto do meu olho, (não te excites), que me agarrei bem a ela quanto a conheci nos meus 15 anos.

            E tu, que idade tinhas quando o Ba te submeteu?

            Despeço-me com uma cotovelada, por causa do covid e para não ficares com ideias malandras.

          • António Fernando Nabais says:

            Tão fofo, com a mania que é candeeiro! Ler-te-ei sempre com gosto, porque tenho um interesse antropológico por espécimes como tu. Quando era mais novo, sonhava em ser zoólogo ou veterinário e tu realizas os meus sonhos.

            Adoro a conversa marialva dos que investem contra o politicamente correcto, pensando que ser malcriado é o mesmo que ser frontal.

            Vives mesmo obcecado com a minha vida sexual. Não quero sintas vergonha por isso – se te dá prazer, não te inibas. Acredita: tu és uma pessoa normal.

            Lamento não aprender nada com o teu discurso, mas juro que me divirto muito a ler-te. Muito, muito obrigado.

      • Abstencionista says:

        ” Quando era mais novo, sonhava em ser zoólogo …”

        Francamente Nabal!

        Não contes comigo para partilhares as tuas badalhoquices.

  4. Rui Naldinho says:

    A DIREITA ESTÁ EM CACOS
    Maria João Marques
    In Público

    “ Enquanto não existirem ideias que conquistem o centro, o PS terá na direita o garante de continuar governo por muitos anos
    Nos últimos anos, as pessoas como eu, tendo-se sempre considerado de uma direita moderada, têm um problema bicudo por alturas das eleições: olham para a oferta existente e
    não conseguem votar nos partidos de direita. Nem nos tradicionais e, menos ainda, nos novos — estes, cada um na sua vertente, representantes daquela nova direita alternativa que Trump tão bem vocalizou.
    Pessoas que não participam em manifestações pela destruição do capitalismo (e pela substituição por unicórnios de paz e amor que vivem só na cabeça dos líricos que não conhecem a história até 1989), não têm nenhum preconceito contra lucros de empresas em atividades legais (inclusive na saúde e na educação), apreciam a concorrência, a livre iniciativa privada, vivem com a ideia de que o Estado existe para servir os cidadãos e não os cidadãos para servir o Estado. Mas que veem bem que a sociedade atual está demasiado desigual. Que o poder das empresas multinacionais é obscuro; terraplana o poder político, os concorrentes e, por vezes, populações; não é escrutinado e precisa de ser encurtado e, sobretudo, devidamente taxado. Que a remuneração do capital cresceu nas últimas décadas e a do trabalho se manteve, gerando um desequilíbrio que a prazo será explosivo. Que não é avesso à modernidade, aos novos estilos de vida, gosta de usufruir de bens culturais e de um mundo globalizado e aberto. Entende que são necessárias políticas inclusivas face a grupos tradicionalmente postos à margem na vida comunitária. Reconhece a urgência das alterações climáticas.
    Em quem vota alguém assim? Nas presidenciais, em Marcelo Rebelo de Sousa. Em legislativas, os cada vez mais escassos fiéis votarão no PSD e a maioria, desconfio, votará no PS. E fazem muito bem. Desde logo porque os partidos de direita, os novos e os antigos, não estão interessados em cortejar este eleitorado centrista e moderado.
    No fim de semana passado, fechados em casa pela pandemia à solta, fomos entretidos com o conselho nacional do CDS. Porém, a crise do CDS — e, parecida mas de dimensão maior, a do PSD — já vem de trás.
    PSD e CDS passaram décadas insistindo em não se definir ideologicamente. Depois da queda de Guterres, em 2002, tornaram-se a dupla que ia para o governo acertar as contas públicas quando o PS as espatifava. Como não tinham nenhuma outra ideia estruturada, mal estas se encontravam bem encaminhadas, o eleitorado voltava a eleger o PS para governar.
    A desorientação instalou-se com os déces controlados de Costa e Centeno. No CDS, inicialmente Assunção Cristas fez a vez de centrista pragmática com preocupações sociais — a mãe de quatro com carreira de sucesso — que lhe trouxe ótimos resultados nas autárquicas em Lisboa. Depois, não apreciando o CDS uma mulher centrista usando minissaias, virou-se para a beatice. A luta contra a eutanásia, contra passadeiras arco-íris, sem conseguir por Nuno Melo na ordem quando declarou o franquista Vox não de extrema-direita. Como os eleitores não gostam de troca-tintas, os resultados nais foram péssimos.
    No PSD a confusão é maior. A ala passista e a ala centrista/centro-esquerda odeiam-se de morte e mal conseguem conviver. A ala passista está carregada de pessoas que gostariam de transformar o PSD ou num Chega ou numa Iniciativa Liberal. Não têm mais programa que acertar contas com o PS pela “geringonça” de 2015. Vivem convencidos que a polarização à direita lhes trará os votos sucientes para governarem. Felizes da vida, atribuem os maus resultados das sondagens a Rui Rio (que faz por tê-los, claro). Constroem fantasias sobre um regresso sebastiânico de Passos Coelho. Que ninguém, fora do PSD e IL, quer. Mas a ala passista não sabe.
    O signicado de Marcelo Rebelo de Sousa ter aumentado o número de votantes numa reeleição em ano de pandemia é-lhes ininteligível. Muitos dos votantes vieram do PS, certo. Outros daquele eleitorado utuante que facilmente seria seduzido por um PSD centrista.
    A ala de centro-esquerda do PSD, que poderia ir pelos caminhos da CDU alemã, está entregue a um Rio tecnocrata. Escaqueirou boas vontades ao normalizar o Chega, declarando-o possível parceiro de governo. O herdeiro político que cultivam, Ricardo Batista Leite, é um conservador social (porque há tanta falta destes pela direita), como mostra a sua posição para a eutanásia. Nada melhor para ganhar quota de eleitorado que apresentar alguém indistinto da concorrência, não é?
    Para dicultar ainda mais a vida à direita, a tendência política que veio para car chegou a Portugal: os partidos de causas e de nichos.
    E que dizer da IL, esse partido-nicho? Confunde liberdade com ausência de ação do Estado — não sabem que a intervenção estatal é essencial para promover a esfera de liberdade de todos os que não estão no topo da pirâmide social. Exclusivamente centrado em questões económicas. Mas nem aí o que defende é liberdade. Defende o capitalismo selvagem, os abusos de poder e de concorrência das grandes empresas, a abolição do Estado social — que nunca se pagaria com o nível de impostos que preconizam. Ideias de concorrência nos mercados, de igualdade de oportunidades, de proteção das PME (além de grande empregador nacional no conjunto, são o setor económico de facto mais livre e menos dependente de cortesias do poder político), nada disto ocupa a IL. É um partido que se diz liberal, chama ao mundo inteiro “socialista”, à moda dos trumpistas (eu, para a claque, sou marxista), e, apesar da suposta frugalidade scal, tem como ideia-bandeira por os impostos, incluindo dos mais pobres, a pagar colégios aos lhos da classe média.
    Temos então, à direita, um partido de ódios internos, copiando ideias dos partidos nas franjas da direita que são 15% do eleitorado. Um partido a esvair-se, vendo numa coligação permanente com a IL a única possibilidade de evitar a extinção. Outro de apologistas do capitalismo selvagem e das piores características da sociedade norte-americana. (O Chega não deve ser misturado com partidos democráticos.)
    Podem disputar-se as lideranças todas à direita. Enquanto não existirem ideias que apelem e conquistem o centro; enquanto não entenderem que ganhar eleições é conseguir governar e não somente obter, todos juntos, mais votos que o PS; e se se mantiverem entrincheirados insultando os eleitores centristas e moderados — bem, o PS terá na direita o garante de continuar governo por muitos anos. Nem precisará de governar bem. Só de não descarrilar as contas públicas.

    • Paulo Marques says:

      “Em quem vota alguém assim?”
      Se tirar as palas dos olhos e olhar para programas e iniciativas, no Bloco, de cima a baixo do parágrafo. Senão é fazer de conta que está preocupada.


      • Não seria mais no Livre?

        • Paulo Marques says:

          Pelo que vi nos debates da Marisa, não há grande diferença. Ao menos o BE tem deputados 🙂
          Já eu, bem, fico sem saber onde voto, que não acredito no pai natal europeu.

  5. João Mendes says:

    Grande malha, camarada Nabais!


  6. Rais partam, que nunca mais conseguimos ver-nos livres de cavacos…

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