Má sorte ser-se Cavaco

Cavaco tem todo o direito a escrever e a dizer o que lhe apetecer e a ser deselegante e malcriada, porque vivemos num país livre e é preciso respeitar as pessoas com incapacidades. Ninguém está livre de ter um filho assim e não é menos filho se for assim. Ainda por cima, ser malcriado não impede ninguém de chegar a bastonário ou de ter ambições políticas, como já foi demonstrado por outros antes dela.

Pelos vistos, Cavaco chamou “gorda fura filas” à Presidente da Câmara de Portimão, que se considera “obesa”, termo débil e politicamente correcto. Cavaco não é mulher de meias palavras. Sendo mestre em Saúde Comunitária e Saúde Pública, terá aprendido que a melhor maneira de tratar uma pessoa com problemas de peso é chamar-lhe “gorda”, havendo teóricos que defendem a importância curativa de apodos como “vaca” ou “baleia”. No fundo, isto é enfermagem. Acrescente-se que Cavaco tem, também, uma pós-graduação em Gestão pela Católica, onde aprendeu, decerto, a sentir-se superior e a espalhar pragas bíblicas.

Já é pior ser-se desonesto, mas também isso é um direito e os tribunais poderão resolver esse assunto daqui por dez anos. Cavaco escreveu que ouviu dizer que o secretário de Estado da Descentralização e da Administração Local e a sua esposa, directora da Segurança Social de Faro, tinham sido indevidamente vacinados. Ficou a saber não era verdade e que, portanto, não se tinha verificado nada de indevido. No faroeste das redes sociais, Cavaco confessou que foi contactada pelo próprio secretário de Estado, o que a levou a acrescentar que não foi vacinado, mas que podia ter sido e que isto é tudo uma grande vigarice, porque há muito nepotismo, recorrendo a uma técnica habitual em qualquer tasca, quando um bêbado muda de insulto, por o anterior não ter resultado. [Read more…]

The Ana Rita Cavaco meltdown show


Ana Rita Cavaco não é uma ilustre desconhecida, muito menos uma bastonária imparcial ou com um percurso à prova de bala. Aliás, para quem fala “do alto da burra” contra quem passa à frente da fila das vacinas, seria interessante perceber se o ajuste directo de 72 mil euros, celebrado em Março de 2020 com o seu amigo pessoal Tiago Sousa Dias, para mais uma assessoria jurídica à Ordem dos Enfermeiros – que são inúmeras, quase todas com os grandes escritórios deste país, como o do seu companheiro de partido e dos bons velhos tempos do passismo, José Pedro Aguiar Branco – teve fila de concorrentes ou se pautou pelo habitual critério que assiste aos ajustes directos à moda do bloco central, algures entre a amizade pessoal e a camaradagem partidária.

Em bom rigor, importa sublinhar que Tiago Sousa Dias milita hoje no Chega, em cuja convenção, marcada pelo total desrespeito pelas mais elementares regras e restrições de combate à pandemia (o que não admira, considerando a concentração de negacionistas por metro quadrado), Ana Rita Cavaco deu o ar da sua graça, para “dar um beijo de amiga” a André Ventura. Sobre esse atentado contra a saúde pública, que levou mesmo à intervenção da GNR na reunião magna da extrema-direita portuguesa, é que não se ouviu uma palavra de indignação da bastonária. Nem um pio contra aquele festim de desrespeito pelo esforço dos profissionais de saúde que representa. Amigos, amigos, comportamento negligente que coloca a saúde pública em risco à parte.

 

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Aposta Betclic – Ana Rita Cavaco

Qual será o próximo insulto da bastonária da Ordem dos Enfermeiros?

A sindicância e a bastonária nervosa


“As Ordens Profissionais são associações profissionais de direito público e de reconhecida autonomia pela Constituição da República Portuguesa, criadas com o objectivo de promover a autorregulação e a descentralização administrativa, com respeito pelos princípios da harmonização e da transparência.
As Ordens Profissionais são criadas com vista à defesa e à salvaguarda do interesse público e dos direitos fundamentais dos cidadãos e, por outro lado, a autorregulação de profissões cujo exercício exige independência técnica.
Apenas podem ser constituídas para a satisfação de necessidades específicas, estando expressamente afastado o exercício de funções próprias das associações sindicais (..).
As associações profissionais são entidades de direito público e representam profissões que por imperativo de tutela do interesse público prosseguido, justificam o controlo do respectivo acesso e exercício, a elaboração de normas técnicas e de princípios e regras deontológicos específicos e um regime disciplinar autónomo.”
(Conselho Nacional das Ordens Profissionais).

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